Gustavo

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Gesse, o pensador que recicla idéias

In jornalismo on Junho 12, 2008 at 5:07 pm

Gesse é um cidadão de mente inquieta, acorda às três da manhã para pensar nas invenções mecânicas que costuma criar

Em uma casa humilde de poucos aposentos, decoração rústica e muita parafernália mecânica em São Sebastião vive Gessé Bizerra, nascido na década de 1960 em Taguatinga. É um cidadão de mente inquieta, dado a invenções engenhosas. Costuma acordar às três horas da manhã para ficar pensando em soluções para os problemas que requerem suas habilidades. Gesse acredita que seu talento para mecânica é nato. “Uns gostam de pintura, outros gostam de escrever. A mecânica é natural para mim”, conta. As criações de Gesse, de forma geral, servem para reduzir a quantidade de esforço aplicado para realizar trabalhos. Desenvolveu, por exemplo, uma bomba de sucção de água de cisternas que é acionada pisando sobre uma manivela, sem eletricidade ou gasolina. Desenvolveu também um macaco hidráulico que funciona com um motor de limpador de pára-brisa.

Apesar de suas criações Gesse não se considera um inventor, diz possuir a visão apurada para encontrar novas utilidades para as coisas que já existem. “Sou um pensador, eu reciclo idéias”, conta.

O interesse por mecânica vem da infância. Desde pequenos, Gesse e seus irmãos observavam os caminhões pesados passando pela rodovia Fernão Dias (BR-381), em Belo Horizonte, onde morava com a família na época. “Era uma paixão que eu tinha por aquelas máquinas”, diz. Quando jovem, o pai de Gesse comprou um trator Ford 8BR Diesel, ele e os irmãos desmontaram e montaram o caminhão que até os amigos mecânicos da Petrobras tinham receio de mexer. Geraldo Bizerra, pai de Gesse, incentivava o desenvolvimento de sua inteligência, havia um laço forte entre eles, Gesse foi o sexto de oito filhos. “Eu me dava muito bem com meu pai porquê ele era meio pá virada que nem eu”, conta.

A primeira idéia criativa concretizada de Gesse ocorreu na Petrobras, onde trabalhava como ajudante de um caldeireiro na adolescência. O enxofre descia fervendo pelas caldeiras, caía em um espaço e se solidificava com a temperatura ambiente. Os funcionários precisavam utilizar marretas para quebrar o enxofre solidificado em blocos. A idéia de Gesse poupou o trabalho de quebrar o enxofre, economizou tempo e, conseqüentemente, dinheiro da empresa. Ele sugeriu que se instalasse uma placa de aço no formato de um grande prato redondo em um ângulo de 45º, com uma corrente de água jorrando sem interrupção. Quando o enxofre cai sobre a placa de metal ela gira com o peso. A água toca no enxofre e o solidifica em pequenos pedaços. Com o giro da placa o enxofre cai sólido e salpicado no chão. Os funcionários não precisaram mais rachar o enxofre com marretas para colocar os blocos pesados no caminhão, basta recolher o enxofre salpicado com uma pá. Gesse conta que não ganhou nenhum reconhecimento pela sua invenção, no entanto, a placa de aço para salpicar o enxofre foi instalada na maioria das caldeireiras.

Outra das invenções de Gesse é a bomba de sucção de água de cisternas, que tem uma história curiosa. Durante a campanha do Ministério da Saúde para combater o mosquito da dengue, Gesse encontrou um pneu de carrinho de mão cheio de água. Pisou no pneu e a água vôou longe, com toda força. “Você vê um pneu. Eu vejo um diafragma”, conta Gesse. Gesse percebeu que poderia utilizar aquela energia para extrair água de uma cisterna vedando o pneu e instalando um cano para a sucção e outro para a expulsão da água. A bomba que ele projetou funciona com pouco dispêndio de energia, basta acionar a alavanca com o pé. Não necessita de eletricidade ou de gasolina. Na época, Gesse pediu a um amigo que enviasse um e-mail para o programa do Ratinho, do canal SBT, para divulgar sua criação. Não houve resposta.

Gesse trabalha atualmente com um caminhão-pipa em São Sebastião. O caminhão é modificado e personalizado com algumas de suas invenções. O freio de mão tem uma válvula para regular a tensão; sob os bancos, há uma mola que torna a viagem mais confortável; há um filtro de ar para otimizar a potência do motor; a torre do filtro, instalada por Gesse, tem uma tampa para impedir a entrada da água da chuva, feita com uma panela de sua esposa. As rodas foram convertidas de seis para dez parafusos; um aparato que um dia foi um extintor é agora um curioso galão de gasolina para o motor da bomba elétrica.

O pensador que recicla idéias, como Gesse se define, é casado e pai de três filhos, Yasmin Nataly Santos, 9 anos; Arthur Caleb Maia, 8, e Ana Sofia Maia, 5. Ele não quer ver os filhos perdidos ou preocupados com futilidades quando forem adultos, incentiva os filhos ao estudo para almejar objetivos maiores. “Se quiserem, podem ir até pra lua que eu deixo. Só não fiquem de vadiagem por aí”, conta.

Gesse possui vários cursos ministrados pelo Setor de Calderaria da petrobrás nas áreas de tratamento térmico, tubulação industrial, solda e já trabalhou até em plataformas de petróleo em alto mar, mas o que chama atenção em sua personalidade é a ampla gama de interesses que possui. Gesse fala sobre os problemas do consumismo, sobre a miopia do empresário brasileiro, sobre suas experiências com o chá de hoasca quando se perdeu em Paraopeba e sobre uma teoria que está desenvolvendo de que o esgoto ainda vai salvar o mundo, fruto de seu interesse por permacultura.

“A maioria das pessoas tem problema de raciocínio. De pensar, de criar. Henry Ford por exemplo nunca fez faculdade, mas foi um cara revolucionário”, diz Gesse. O empresário estadunidense Henry Ford, pai da marca automobilística Ford, assim como Gesse nunca cursou uma faculdade e deve concordar com Gesse: “Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso tão poucos se dediquem a ele”. Gesse não se considera um inventor. “Sou um pensador que recicla idéias”.

Filas e crise para a população brasiliense

In jornalismo on Maio 26, 2008 at 4:59 am

Vários anos de fila para quem espera conseguir um abatimento no preço do lote

22 de Maio de 2008. Uma enorme fila gerou tensão no Setor Comercial Sul na última quinta-feira em frente à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (SEDUMA). O novo programa habitacional do Governo do Distrito Federal pretende beneficiar 152 mil pessoas com a chance de uma moradia. Ao contrário do que pensam muitos dos que estão na fila, não haverá doação de lotes. “O programa não dá lotes, dá a chance de construir sua casa com abatimento nos preços do lote”, afirma Ronaldo Francesco, assessor da diretoria de cooperativismo da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (CODHAB). Os candidatos serão deverão apresentar os documentos requeridos pela CODHAB, até o momento não há possibilidades de parcelamentos no valor mas a Codhab está trabalhando para facilitar a compra dos lotes. Os convocados não poderão receber mais do que 12 salários mínimos, nem ser proprietários de imóveis no DF.

A população que espera conseguir o abatimento no valor dos lotes através do programa habitacional do DF deverá suportar mais dois anos nas filas: são 76 mil famílias beneficiadas pelo programa e o governo pretende atender a todos até 2010. O programa é baseado na lei Nº3.877/06 que dispõe sobre a política habitacional do Distrito Federal. O objetivo do programa é reduzir o déficit habitacional do DF.

A falta de informação e o contingente insuficiente no atendimento geram filas enormes em frente ao edifício. Na segunda portaria da SEDUMA, até pessoas em busca de outras informações são barradas pelos interessados na questão da política habitacional. Foi o caso de Maria Clara*, ela tentou passar consultar qual seria seu saldo devedor, mas não a deixaram passar. Acreditavam que ela estivesse mentindo para furar a fila. Maria Clara foi embora sem atendimento.

A população, irritada pela espera, não permite sequer a entrada dos jornalistas. A equipe do Na Prática tentou conseguir informações da coordenadora do setor que está responsável por atender os beneficiados pelo programa de habitação. O jornalista foi impedido pelas vaias da população, “peça a credencial dele”, disse um homem. Estudantes de jornalismo não tem credencial.

Houve tensão entre as pessoas, a calçada foi ocupada, os transeuntes buscavam passagens alternativas e até os mendigos foram forçados a encontrar lugares mais calmos para dormir.

Segundo Ronaldo Francesco, é preciso preencher uma série de requisitos para conseguir um lote através desse programa habitacional; o principal é morar em Brasília há mais de 30 anos, segundo o edital de convocação no site da CODHAB. Existem critérios aplicados que podem reduzir ou aumentar a pontuação, decidindo a quantidade de tempo que levará para que o cidadão seja atendido. Uma pessoa com muitos filhos, maior tempo de inscrição, pobre e com mais tempo de moradia em Brasília acumula mais pontos e será atendido com mais agilidade. Novas inscrições serão aceitas apenas após o atendimento de toda a lista de 152 mil pessoas.

Maria Élcia mora em Samambaia e faz parte de uma cooperativa de trabalhadores. “Estou em Brasília desde 1969 e nunca tive nada!”, explica. Ela pagou R$500 para entrar na cooperativa da qual não cita o nome e ainda paga R$20 todo mês. Maria Élcia diz ter assistido no programa Balanço Geral da TV Record que o governador José Roberto Arruda doaria os terrenos para a população carente e agora está preocupada com a nova informação de que não haverá doações, apenas abatimento nos preços. “Posso conseguir encaixar no Riacho Fundo, mas o lote custa R$80 mil, se não tiver o dinheiro a vista não ganho o lote”. Ronaldo Francesco, assessor da diretoria da CODHAB explica que a decisão não vem dele, mas de seus superiores, “eu próprio, trabalho aqui, sou filho de Brasília, tenho mais de 30 anos na cidade e não vou receber nada”, afirma.

Nas paredes do SEDUMA há uma lista com os contemplados pelo programa de habitação. A população contemplada aguardará nas filas até 2010 por um atendimento. Para Ronaldo Francesco, a desobediência civil pode ser uma tática mais profícua, “o cara que invade é tratado a pão de ló pelo estado. Quem fica pacificamente na fila, espera por vários anos”.
*nome fictício

A queda

In jornalismo on Maio 23, 2008 at 5:13 pm

O registro fotográfico da queda de uma mulher e sua afilhada renderam notoriedade ao fotógrafo Stanley Jordan

Em 1975 o fotógrafo Stanley Forman estava próximo há um apartamento que pegava fogo em Boston, ele fotografou o momento exato em que a escadaria de incêndio se soltou. Diana Bryant, de 19 anos, e sua afilhada de dois anos, Tiare Jones caíram com a escada. A afilhada Tiare sobreviveu ao acidente.

A foto repercurtiu na imprensa e gerou muita discussão, o fotógrafo foi criticado por invadir a privacidade das pessoas, mas a foto rendeu frutos, as autoridades de Boston reescreveram leis relacionadas à segurança das saídas de emergência.

A seguir o depoimento do fotógrafo Stanley Forman

“Foi no dia 22 de julho de 1975. Estava quase na hora de eu deixar o escritório do Boston Herald depois do expediente.

Recebemos uma ligação sobre um incêndio em uma das áreas mais antigas da cidade com prédios de estilo Vitoriano. Eu fui até o local e corri até a parte de trás do prédio, porque os bombeiros estavam gritando que precisavam de um caminhão com escada para resgatar as pessoas que estavam presas na escada de incêndio do edifício.

Quando olhei para cima, havia uma mulher e uma criança na escada de emergência, e elas estavam se debruçando para tentar escapar do calor do fogo que estava atrás delas.

Enquanto isso, um bombeiro chamado Bob O’Neil escalou a parte da frente do prédio até o telhado e viu as duas na escada de incêndio. Ele se abaixou na direção da escada para resgatá-las.

Eu fiquei em uma posição em que eu pudesse fotografar o que eu achava ser uma operação rotineira de resgate. Uma escada de um caminhão foi acionada para retirá-las do prédio. Elas estavam a uma altura de 15 metros. O’Neil disse a Diana que ele subiria na escada do caminhão e pediu que ela entregasse a criança a ele.

O’Neil estava quase chegando à escada do caminhão quando a escada de incêndio cedeu.

Eu estava fotografando quando elas caíram. Depois, eu virei de costas. Eu entendi o que estava acontecendo e não queria vê-las no chão. Eu ainda me lembro do momento em que virei o corpo. Eu tremia.

Depois fiquei sabendo que não teria visto as duas atingirem o chão porque elas caíram atrás de uma cerca onde se encontravam os lixos. Quando finalmente me virei, eu não as vi, mas vi o bombeiro pendurado à escada do caminhão com uma mão, como um macaco, se segurando com muita força. Ele conseguiu voltar depois, com segurança, para o topo do prédio.

Segundo os bombeiros, a mulher amorteceu a queda da criança. Diana morreu na noite daquele mesmo dia.

Naquele momento, eu não sabia que a imagem teria um impacto tão grande. Quando eu comecei a olhar os negativos, eu voltei as minhas atenções para as cenas do resgate, quando as duas ainda estavam agarradas uma à outra. Eu nem olhei para essa fotografia, porque eu não sabia exatamente o que eu tinha conseguido registrar. Eu sabia que havia fotografado as duas durante a queda, mas eu só percebi a grandeza da tragédia depois que eu revelei o filme.

A imagem foi publicada primeiro pelo Boston Herald e depois em jornais de todo o mundo. Houve muito debate sobre a publicação de uma cena tão horrível.

Nunca fiquei incomodado pela controvérsia. Quando penso sobre a publicação da fotografia, não acredito que foi assim horrível. A mulher, no momento da imagem, não estava morta; nós não mostramos uma pessoa morta na primeira página do jornal. Ela morreu, sim, o que é uma coisa horrível. Mas não achei que a escolha de publicar a foto foi ruim, mas eu sou o fotógrafo, eu tenho uma certa inclinação nesse caso.

Sempre que existem histórias sobre incêndio ou tragédias como a que aconteceu devido ao furacão em Nova Orleans, elas fazem as pessoas ficarem mais atentas.

Minha fotografia fez com que as pessoas saíssem de casa e checassem as escadas de incêndio, além de reivindicar mudanças na lei. Ela também foi usada em panfletos sobre segurança em caso de fogo por muitos anos.

Trinta anos depois, é bom saber que eu fiz a coisa certa. Eu nunca vi uma imagem como aquela desde então. Eu já vi fotos que gostaria de ter feito, mas nunca vi nada tão dramático como aquilo.

Quando se diz que uma fotografia vale por mil palavras, essa certamente vale por 10 mil.”

(fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/)

A Capital dos Mortos

In cinema, jornalismo on Maio 22, 2008 at 2:47 pm

O longa metragem, A Capital dos Mortos ressucitou os mortos vivos de Brasília

Foram 27 meses de produção do filme longa-metragem independente sobre uma invasão de Zumbis em Brasília, realizado na raça e na coragem na base do cinema digital, sem quase nenhum dinheiro. Os responsáveis pela loucura: Tiago Belotti, Rodrigo Luiz Martins e uma série de cúmplices, que trabalharam na produção, no elenco e figurando como zumbis.

A estréia oficial do filme ocorreu no dia 2 de Maio no Cine Brasília e lotou o cinema, teve gente que ficou sentada nas escadas, o estacionamento estava lotado, muitos alí participaram do filme e queriam ver o resultado na tela. E o filme foi bom, o público riu, se assustou e vibrou com o filme que acontece em ação ininterrupta.

A Capital tem o primeiro mérito que é a coragem de sua equipe de produzir sem dinheiro, isso mostra que idependente da existência de paternalismos estatais, existe gente que segura o cinema na raça, mostra também como os cineastas de Brasília são capazes de sair do marasmo, criando momentos de fervura cultural na cidade das longas distâncias, e por último, demonstra a espontaneidade da criação brasiliense, assim como a criação audiovisual recifense.

O segundo mérito do filme é a sua despretensão e a capacidade de fazer graça dentro de um clima de filme que não é necessariamente cômico, o filme é uma boa diversão, melhor do que muita coisa que existe na TV. Como produto de entretenimento A Capital dos Mortos realiza seus objetivos, tem a capacidade de não permitir a dispersão de um público adaptado a era da velocidade, diverte sem vulgaridade e se aguenta no ritmo constante do início ao fim.

O terceiro mérito do filme é o carisma que ele ganhou na Capital, a comunidade do orkut possui cerca de 1500 membros que discutiram durante e após a produção sobre as cenas gravadas, sobre as possibilidades de continuações e supõem o que fariam se realmente houvesse uma invasão de zumbis. Os cúmplices do filme participaram da produção fielmente, enchendo o rosto de maquiagem, contribuíram para a realização e deram a força que uma equipe sem dinheiro, à mercê do acaso, precisa para realizar uma produção tão gigantesca.

Brasiliense ou não, assistir à A Capital dos Mortos é preciso.

Visite o site www.acapitaldosmortos.blogspot.com

Um americano progressista

In jornalismo on Maio 13, 2008 at 2:58 am

Aí estava alguém decidido a acabar com a guerra do Vietnã. E ele seria eleito. Mas ele foi assassinado. Eu nunca me recuperei disso. Isso me fez sentir que há uma violência cega e imbecil nesse país que pode impedir qualquer coisa verdadeiramente iluminada e progressista. Bobby Kennedy era uma figura extraordinária. Eu releio seus discursos e é difícil acreditar, ele era um homem que falava sobre a insignificância do Produto Interno Bruto. O produto interno Bruto não diz nada sobre a força de nossas famílias, sobre a qualidade de nossa arte. Você consegue imaginar como alguém estava concorrendo para a presidência falando coisas como essa?

Mark Kurlansky, autor de “1968- O ano que abalou o mundo”, falando sobre Bobby Kennedy

Um pequeno exemplo cósmico do caos

In jornalismo on Outubro 30, 2007 at 2:24 pm

Ensaio sobre a cidade

Como as formigas com o formigueiro, o cidadão existe em função da cidade. O comportamento do cidadão é pouco aleatório: Descanso, trabalho, lazer e alimentação. O cidadão age como força motriz. Sua energia é o combustível da cidade e com esta energia ele desempenha seus papéis como trabalhador e consumidor. O consumo é a espinha dorsal que possibilita o crescimento contínuo da cidade.

Assim como nas colméias e formigueiros existem, hierarquias rígidas. Supostamente o cidadão escolhe seus próprios líderes. Os líderes são escolhidos baseados em sua influência. A influência exercida por um líder pode ser baseada em seu carisma, sua retórica, em sua intimidação ou na capacidade de compra de seus recursos. Dinheiro pode comprar não somente objetos e serviços, mas almas, mentes e caráter. Tudo é mercadoria na cidade.

A mente do cidadão está na segunda categoria do saber racional. A categoria do saber racional autômato. O cidadão tem a capacidade de analisar as situações baseado em seu conhecimento e raciocinar tomando pequenas decisões regidas por uma vontade própria limitada. Em seu estado autômato, o cidadão trabalha exclusivamente em função da cidade enquanto emerge em ostracismo e torpor hipnótico deixando de praticar algumas necessidades básicas como a comunicação, a socialização e compaixão para com seus semelhantes. Todos estes são sintomas de apatia, e definem a inércia moral, uma patologia psicológica muito comum, diagnosticada devido à rotina imutável da vida na cidade.

O crescimento da quantidade dos cidadãos é exponencial e requer o crescimento dos setores comerciais e industriais. Caso a cidade não desenvolva estes setores para atender a esta demanda de trabalho, a cidade ganha aos poucos um novo setor habitacional alternativo, também conhecido como favela, cortiço ou assentamento.

Com a miséria surge a criminalidade que tem como função suprir a falta de trabalho dos cidadãos inativos. Esta é uma categoria especial de trabalho que cumpre sua função de perpetuar o ciclo da cidade através do consumo, a partir desse argumento, bandidos são trabalhadores que sustentam a cidade como quaisquer outros trabalhadores, no entanto suas profissões não são regulamentadas pela lei.

A cidade, a fim de assegurar sua própria sobrevivência, cria mecanismos para que o cidadão seja obrigado a consumir, entre estes mecanismos está a publicidade.

A publicidade consiste em criar a necessidade de consumo na mente do cidadão em troca de “prêmios especiais”. Os “prêmios especiais” são pequenas ilusões plantadas sob o consciente limiar da mente do cidadão: como a sensação de ser feliz ou a de se sentir completo no ato da compra. Esta promessa se fricciona com o instinto. A sensação de ter a alma tocada arraiga este desejo no subconsciente do cidadão que passa a consumir todo o tipo de supérfluos sob a ilusão de que terá a alma satisfeita e seus mais profundos desejos realizados quando depois do ato ou efeito de comprar tudo será diferente. Esta ilusão é um mecanismo eficiente para se gerar o consumo, motriz capital.

A economia do super-organismo cidade, como a natureza, segue suas próprias regras. Vivemos e respiramos a tecnologia do metal e do concreto, em contraposição às tecnologias da carne e do vegetal. Habitamos as entranhas da cidade enquanto lhe costuramos e construímos por dentro. Somos os alfaiates e artesãos de sua estrutura condenados à inevitável fagocitose.

Há a possibilidade de que a consciência humana se perca durante a evolução. A natureza funciona plenamente desta forma onde todos os animais estão plenamente adaptados às suas posições e situações, não há rebeldia ou queixas, apenas uma harmonia amoral.

Somente líderes e artistas mantem resquícios de individualidade. Os líderes têm a função de organizar e realizar a manutenção, adaptação e (porque não?) mudança do status-quo e os artistas, derivados dos anjos, tem a função de acordar, abalar e inspirar a catarse. Talvez por este motivo tantos cidadãos busquem se tornar indivíduos especiais e únicos, mas a pessoa é para o que nasce assim como a formiga e a abelha que já nascem com suas funções definidas.

A natureza e a cidade são duas raças diferentes da mesma espécie, ou duas espécies do mesmo gênero, apesar disso, são opostas. Estão em constante embate. A natureza, prisioneira de constritos canteiros cercados por concreto, luta por sobrevivência, é o embate que se dá entre raízes e encanamentos, folhas e fios elétricos, troncos e asfalto. O melhor caminho para a evolução é uma simbiose perfeita. O caminho da involução é a destruição de um dos lados do embate ou uma relação de parasitose de um sobre o outro.

A cidade é um pequeno exemplo cósmico de que o caos tem capacidade de ordenar-se em núcleos lógicos e seqüenciais e desfazer-se da mesma forma, como se nunca houvesse existido. Um grão de areia percorre milhares de anos para acumular em torno de si grãos o suficiente para formar uma montanha, apenas para esperar mais alguns milhões de anos e voltar a ser o grão único, que sempre foi.

A evolução da cidade se dá em ritmo acelerado, assim como o tempo que ela obedece. A cidade respira vivaz, coletivos, automóveis, motos e metrôs circulam em suas veias transportando a energia humana a fim de lhe criar sólidas bases metálicas para o dia em que este colosso irá se erigir em autonomia, para caminhar sobre a terra.

O cidadão não é o ápice da evolução nem o princípio. Não é o primata nem o super-homem. Não é o macaco nem é Deus. Assim como os macacos são para o cidadão um motivo de riso ou dolorosa vergonha, é justamente isso que o cidadão deve ser para o ápice da evolução: Um motivo de riso ou dolorosa vergonha. O cidadão é uma corda estendida entre o primata e o super homem, uma corda sobre o abismo. É o perigo de transpô-lo, o perigo de estar a caminho, o perigo de olhar para trás, o perigo de tremer e parar. O que há de grande, no cidadão, é ser ponte, e não meta. O que pode amar-se no homem, é ser uma transição e um ocaso.

Referências e influências:
• Chico Science – Ref. E Inf.
• Laerte – Ref. Charge
• Will Eisner – Inf.
• Nietzshe – Ref. e Inf.
• Economia Contemporânea – Inf.
• A influência econômica sobre a estética urbana – Ref. e Inf.
• Akira – Ref. e Inf.

Fela Kuti

In jornalismo on Agosto 6, 2007 at 8:04 pm

Eta é uma pesquisa que fiz sobre o músico e ativista Nigeriano Fela Kuti. Achei interessante postar aqui, o sujeito é para a Nigéria o que Chico Science é para o Brasil, talvez tão importante quanto Bob Marley mas bem menos reconhecido. Conheçam esse sujeito!

“Africanos, ouçam a mim como africanos
Não africanos, ouçam a mim com a mente aberta.”

Fela Kuti, Nigeriano, pai do estilo musical “Afrobeat” e ativista engajado pelos direitos humanos. Morreu em 1997 portador de HIV.

Fela Kuti nasceu em Abeokuta, Nigéria, em uma família de classe média. Sua mãe Funmilaio Ransome – Kuti, foi feminista ativa em um movimento anti-colonial. Seu pai, reverendo Israel Oludotun Kuti, foi presidente da união Nigeriana de professores. Ele se mudou para Londres em 1958 para estudar medicina, mas decidiu estudar música.

Formou uma banda chamada “Koola Lobitos” tocando um estilo que chamou de AfroBeat. Mais tarde levou a banda para os EUA e lá teve contato com o movimento Black Power que influenciou sua música e visão política. Voltou com a banda para Nigéria, com o novo nome “Nigéria 70” onde fundou a República de Kalakuta. Uma comuna, estúdio e lar para os envolvidos com a banda, declarando-se independente do estado da Nigéria.

Mudou seu nome para Anikulapo, que quer dizer “Aquele que carrega a morte em sua mala”, pois seu nome original “Ransome” era um nome de escravo.

Suas músicas são críticas ferrenhas ao sistema colonialista e à atitude conformista da população. Falava sobre a igualdade racial, identidade africana, feminismo, necessidade de insurreição, e como Bob Marley, sobre o povo no poder. Isso incomodava o governo Nigeriano. Sua vida se entrelaçava com o que compunha. Em 1974 a polícia chegou em sua comuna sob uma alegação de que econtrariam maconha no local. Para o incriminar, forjariam a pista “plantando” a droga em Fela. Estando ciente disso, ele engoliu o a droga. Em resposta a polícia o levou sob custódia. Esperaram para lhe examinar as fezes. Fela Pediu ajuda ao seus colegas de prisão e deu a polícia as fezes de outra pessoa. Ficando assim livre da incriminação forjada. Ele narra seu conto na música “Expensive Shit” (Merda Cara).

Entrevista com a Virgenzinha Marxista

In ficção, jornalismo on Maio 29, 2007 at 6:10 pm

Sentada sobre um sofá coberto por uma colcha de retalhos, sem se levantar. Foi assim que ela, conhecida pelo Vulgo de Virgem Marxista me recebeu para a entrevista.

Olhei no relógio, eram 15:33h, ela não se incomodou pelo meu atraso de 15 minutos, provavelmente sabia como o trânsito próximo de sua casa era er… caótico. Ela me ofereceu algo para beber e de início eu me senti completamente sufocado pela formalidade.

Seu ambiente é extremamente bem decorado e impecavelmente limpo, nem uma poeira sequer sobre os lustrosos totens incas que ela coleciona. A beleza da Virgenzinha Marxista me ofuscou por alguns instantes mas logo eu parei de suar e tentei me concentrar na entrevista e não no corpo dela, deliciosa, admito. É tão coberta, tão púdica que se torna provocativa; Seu olhar, tão blasê, tão indiferente, se torna sensual. Puxei meu caderno de notas e comecei:

Cineasta 81:
Boa tarde. Vamos começar com uma pergunta leve. Você escreveu em um de seus 7 livros publicados que não se arrepende de nunca ter aderido a vida de freira. Sente muitas dificuldades de levar um estilo de vida casto no mundo de hoje?

Virgenzinha Marxista:
Antes de tudo boa tarde a todos, e quero corrigir que sim, são 7 livros publicados mas que três novos livros meus sairâo até o fim do ano. Agora voltando a sua pergunta, não. Se eu me sentisse tentada seria difícil, mas eu não sou tentada. Sou paciente na busca do meu objetivo.

Eu deveria perguntá-la sobre qual seu objetivo, mas não me contive.

C81:
Não é tentada mas sabe que é tentadora…

Ela descruza as pernas

VM:
Sei. É verdade. Sei que os homens me desejam. Que tem anseios eróticos pelo meu corpo e que querem me possuir em suas camas, em seus carros, no parque aquático, na esquina, em cima da maquina de lavar, sobre as roupas sujas, em cima da mesa de sinuca, dentro de camas de moteis baratos, mas saber disso só me dá forças para prosseguir com o meu propósito de levar uma vida casta.

C 81:
De acordo com seu livro “Filosoris Hentai Pupulos Néosis” Quando você se refere à castidade, não é a mesma castidade que o Cristianismo vem pregando. Estou correto?

Ela cruza novamente as pernas. Coloca a ponta do dedinho na boca, pensando por um segundo ela olha pela janela, como se houvesse se distraído, mas sem hesitar volta a responder a minha pergunta.

VM
Correto. A castidade a qual eu me refiro é na verdade um retorno às origens, veja bem que entre os significaos – deriva do latim castu – a palavra tambem tem a significância de intacto, intocado. É preciso ressucitar velhos conceitos etmológicos e não se apegar ao que a língua se tornou pois ela está em constante mutação, não é mesmo querido?

Eu tomo um gole d´agua concordando com a cabeça. Perecebo que ela está lambendo os lábios. Olho para o chão humildemente.

C 81
E qual a importância, para você, de se manter intocada?

Ela se vira para trás e seus seios ficam espremidos contra o sofá. Inclinando-se mais um pouco e eu reparo que por baixo da roupa de seda não há calcinha. Ela se inclina mais um pouco e eu sinto um desconforto urgente um pouco abaixo da região do cinto e então ela retorna com um retrato de Karl Marx e Friedrich Engels na mão.

VM
Sou uma mulher de meu tempo, secular, Laica. Vocês homens, perpetradores desse estado falocêntrico são os maiores responsáveis pela solidificação do conceito de que a mulher é um objeto de prazer do homem…

Enquanto ela está falando o vestido de ceda escorre pelo seu ombro e o seio direito quase brota do decote imenso.

VM
E já que somos objetos de prazer do homem nosso único valor é sexual. Se nosso valor como seres humanos do sexo feminino é sexual, a cada vez que somos “tomadas”, “utilizadas”, “fodidas”, “comidas”, “curradas”, “estupradas”, “enrabadas”, “desgustadas”, “penetradas”, a cada vez que isso acontece nós perdemos um pouco do nosso valor…

Não consigo prestar atenção no que ela diz, por sorte eu tinha um gravador. É como o sonho mais incrível que se realiza, mas o leve tecido do vestido da moça está na beira do seio, sustentado apenas pelo bico do peito e minha testa está numa suadeia maluca. Meu caderno de notas está borrado pelas manchas do contato da tinta com as gotas do meu suor. Minhas mãos tremem e minha calça num furor tremendo desabotoaria-se caso houvessem dedos alí dentro, mas só há um, ensoberbado, e é desprovido de ossos e articulações.

VM
O meu objetivo com a causa da castidade voluntário é o de agregar valor feminino ao meu corpo antes que ele se deteriore com o passar dos anos. Tornar-me assim o objeto de maior valor neste mundo, visto que de acordo com a ótica capitalista a ordem da cadeia alimentar ocorre da seguinte maneira: “obter dinheiro para ganhar poder, ganhar poder para conseguir mulheres, ter mulheres para ter sexo”. Com este ato ativista de permanecer virgem eu agrego todo o valor possível ao meu corpo e tiro o poder das mãos dos homens. Eles não tem o sexo, que é o objetivo final de suas vidas e permaneço ainda como objeto abrindo um importante caminho para que as mulheres da próxima geração possam modificar este quadro e sejam valorizadas pelo que elas são. Sou como Ghandi, mas sou melhor, – aliás melhor é uma palavra bem parecida com mulher, já que estavamos falando de etimologia – Sou a primeira mulher do mundo a ser enquadrada na categoria dos possíveis messias da salvação, e não apenas como uma concunbina de Jesus, e atesto hoje com toda a propriedade que num futuro próximo nós, mulheres seremos as herdeiras do mundo.

Um silêncio petrificante se apodera de mim. Não existem perguntas a serem feitas. Ela tem razão! Eu concordo, eu concordo! E então ela se levanta e se inclina sobre mim para beijar meu rosto. Me despeço dela, mas ela se aproxima um pouco mais, o decote da Virgem Marxista, que era até então uma bobinha para mim mas que acaba de se tornar a minha musa, minha rainha, causa-me uma convulsão nos testículos quando apoia as mãos sobre as minhas coxas. Eu beijo o rosto dela e sofro o mais minimalista e maravilhoso orgasmo que eu já tive, apenas com o toque de sua mão. Percebo então o poder que aquela mulher possui.

Ela entra novamente em sua câmara de compressão e eu vou embora com meu caderninho manchado e meu gravador. Exultante pela entrevista miraculosa, porém com um nó no coração.

Pergunta ao Nassif

In jornalismo on Março 8, 2007 at 3:36 am

Fiz uma pergunta ao famoso jornalista econômico e blogueiro “Luis Nassif”

Cineasta 81
Vou te fazer uma pergunta, espero que não leve a mal, não tem nenhuma má intenção. É apenas uma dúvida que me deixou encasquetado.
Deve ser muito bom ter suas opiniões respeitadas e ser lido por uma grande quantidade de pessoas, mas me diga… Você não tem medo de falar merda?

RE Luis Nassif
Morro de medo!
É por isso que quando eu erro, adoto o “nós erramos”.

Justificativa para não me justificar

In jornalismo on Abril 6, 2006 at 5:48 pm

“Somente os idiotas se impressionam com palavras difíceis”
- Osho

Os artistas em geral já sofriam pressão de todos os lados porque a arte não se justifica, a arte não tem finalidade prática e olhando por esse prisma parece não ter importância e talvez por este motivo os artistas sofrem pressão até mesmo do próprio meio para que expliquem qual o porque daquilo que querem criar.
“Qual a importância disso?”
É como explicar uma piada antes mesmo de conta-la. Se eu quisesse dizer de outro jeito eu teria dito. A importância disto é isto. Se quer saber a importância disto, leia. Não cabe a mim explicar para um cavalo como se roda uma roda, se não entendeu então provavelmente um de nós é burro demais.
Se precisássemos explicar o porquê de um sentimento ou quantificar o amor, o resultado seria um absurdo completo, mas é isso o que eles querem, uma fórmula matemática para as coisas humanas.
O que seria de artistas excêntricos como Nelson Rodrigues, Andy Kaufman a trupe Monty Phyton ou Leo Bassi se precisassem explicar para todos sobre qual o porquê do que fazem. Muitos ficariam chocados, outros creriam como absurdo inaceitável, suas obras nunca seriam justificadas pois quem julga não são artistas, são pessoas ou preguiçosas ou burras o suficiente para contemplarem uma obra e não perceberem que há algo de importante ali dentro que não pode ser mensurado.
Mas se você é um artista e precisa de uma justificativa então voe, deixe que sua imaginação torne a justificativa uma segunda obra de arte em si. Floreie cada detalhe da justificativa com belas palavras que mesmo que não justifiquem seu texto, dêem a ele um “ar de importância”. Explique por motivos “N” que sua obra merece e precisa ser filmada e explique os porquês, seja um ficcionista justificador e deixe que eles se fascinem com as explicações e com as belas palavras pois eles não se importam com a essência, eles procuram é uma boa embalagem e é disso que a justificativa se trata. Deixe que sua justificativa os iluda. Eles adoram ilusões.
A grande verdade é que tudo é justificável, mesmo a situação mais abissal e lastimável pode ser justificada. Falácias existem para isso e todos bons “profissionais do mercado” sabem fazer bom uso disso e nem sequer se dão conta porque eles não conhecem nada além da mentira e estão satisfeitos deitados sobre seus travesseiros de vento.
A grande diferença entre ficcionistas e publicitários é que os ficcionistas criam uma ilusão que acaba na última página, a ilusão dos publicitários e propagandistas permanece como sujeira debaixo de um tapete, não se percebe, mas ainda fede.
Pensemos sobre a maneira como Hitler se justificou para seu povo. Ele precisava de uma boa justificativa para o que estava fazendo. A justificativa foi uma revolução estética e uma higienização da humanidade. Para os idiotas que sobrevivem às custa de justificativas e bons motivos para fazer isto ou aquilo outro foi o suficiente para que ele justificasse a dizimação de uma raça, de pessoas portadoras de deficiências e tudo aquilo que não fosse considerado bela segundo ele. Hitler era um artista frustrado que se tornou um publicitário. Sobreviveu como ditador pela auto propaganda que disseminou em seu país durante a guerra.
Uma boa explicação justifica até um jantar no qual o prato principal é uma salada de merda e todos engolem sentindo nas goelas o gosto das misturas intestinares descendo secamente e sorriem entre si julgando esta uma verdadeira obra de arte de algum cozinheiro criativo (e é assim que classificam o caviar). É como a lenda da nova roupa do rei na qual o próprio encomendara uma roupa invisível que somente os inteligentes podiam ver. Nem mesmo ele podia ver a roupa, mas ninguém gostaria de se passar por burro.
Aonde então estão os artistas, escritores e cineastas com espírito criativo que não devem explicações a ninguém? Agora precisamos nos explicar sobre cada passo e o porquê de tudo o que fazemos? De que vale então a criação se ela precisa passar sobre um funil estreito no qual em seu fim há um guarda armado que olhando em nossos olhos recolhe as justificativas e direciona intimadoramente por qual caminho o potencial criativo deve seguir. Porque não abrem logo uma porta para os esgotos e enviam todos artistas para lá? Seria mais simples e um ato concreto contra a “inutilidade da arte”, segundo eles acreditam.
Nossa moralidade condena o artista, a lenda da cigarra e das formigas é a prova cabal disso. As pessoas sentem desprezo pelos artistas, mas a cigarra nasceu para o que faz assim como as formigas nasceram para o que fazem. São fatos da vida e ninguém tem mais importância do que ninguém.
Artistas não se justificam, artistas fazem. Se tivéssemos que esperar pela aprovação deste ou daquele trabalho nunca faríamos nada. É uma pena termos que depender do dinheiro deles, mas não se esqueça que a mentira está do seu lado, você é um ficcionista, um criador então justifique-se da forma que eles querem ouvir, só não se deixe levar pela própria justificativa cegando-se pela vaidade. Iluda-os confortavelmente e deixe suas criações livres de qualquer parâmetro artificialmente estipulado.

Afinal de contas o artista é o sujeito inversamente oposto ao burocrata.

brigitte bardot e Christine Darbon

In jornalismo on Novembro 21, 2005 at 3:46 am


Tinha mesmo que ser uma francesa. Tinha mesmo. Onde foi que eu ví o seu rosto? Deve mesmo ter sido em algum filme francês, porque só alí tão longe pra ver algo tão incompreendido como a tua beleza.
Mas me lembro que você tambem existe em outros lugares, e nasce sob outros nomes. É uma daquelas coisas bonitas que deus faz questão de criar várias vezes, pra ter orgulho de ouvir dizer:
E Deus Criou a mulher.

There’s no show like show Business

In jornalismo on Novembro 11, 2005 at 5:21 am

“Recentemente eu tive a idéia de um outro show. Ele se chama “O jogo do Velho”. Três idosos ficam no palco com armas carregadas. Eles relembram de sua vida, vêem como eram e o que conquistaram. E o quanto chegaram perto de concretizar seus sonhos. O vencedor seria aquele que não desse um tiro na cabeça. O prêmio é uma geladeira.”

Chuck Barris
Apresentador do Show de Calouros

Long before “Survivor,” the eccentric who created “The Gong Show” discovered that people will do anything to get on TV, and others will watch them.

Sobre a figura:
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HollyWood Radio And Television Society
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Chuck Barris o Barão do mau gosto
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Was Chuck Barris a hit man for the CIA?
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The Gong Show