Há um mês, andando de carro eu entrava em um balão quando fui ultrapassado e batí no outro carro
No mês retrasado fui vítima e autor de uma batida com duplos culpados. Tanto eu, quanto o outro carro envolvido fomos vítimas e autores da batida. Explico aqui com total sinceridade.
Eu transladava de um lado para o outro da cidade, era uma longa viagem. No meio do caminho a pista estava completamente vazia, havia apenas um carro além do meu, olhei no retrovisor, ele estava a direita e atrás. O balão era espaçoso, percebí que eu deveria virar a minha direita, mas que tinha passado na entrada e então resolví fazer o balão para pegar o meu caminho certo. Subitamente, quando olho no retrovisor, o outro carro me ultrapassa pela esquerda na entrada do balão. No momento em que eu percebí a ultrapassagem não havia mais tempo para desviar, e batemos, roda com roda. Ele parou do lado de dentro do balão, eu parei do lado de fora.
Com o homem do outro carro estavam duas pessoas, uma criança de uns oito anos e uma garota de cerca de desesseis anos. Ele saiu do carro e ficou olhando a batida. Eu permaneci um pouco dentro do carro, me culpava pelo acidente. “QUE IDIOTA QUE EU SOU” eu dizia. Abaixei o som, e saí do jeito que estava, sem camisa, o dia estava quente.
Observei a batida, o para choque dele estava danificado, e a parte da roda. O meu carro foi danificado na porta e na parte da roda. Não houveram grandes danos. A colisão não foi tão forte.
Conversei com ele calmamente, passei meus dados, nome, rg, endereço, telefone e fui embora nervoso, como se eu fosse o total culpado pelo acidente. Prossegui com minha viagem, a consciência estava pesada. Ainda teria que enfrentar meus pais, eu sou estagiário, ganho um salário de 400 reais, como iria pagar pelo estrago. Combinei com o homem que tratariamos do assunto sem envolver justiça.
Dias depois começamos as negociações por telefone, e a cada vez que ele me ligava cobrando (1300R$ o valor do conserto no carro dele) eu ficava pensativo. Ele me enchia com aquela voz de culpado, e eu pensava melhor sobre a ocasião, e eu entendia “ele me ultrapassou na entrada do balão. Eu estava nervoso e assumi a culpa, mas eu não tive culpa, ele está querendo se aproveitar de mim. Vou reduzir o preço desse pagamento, apenas para evitar problemas com a justiça. Sugerí que ele diminuísse o preço para R$600,00, e ele aceitou sem hesitar. Será que o valor estrago do carro era realmente de 1300R$? Ele não teria aceitado minha oferta tão rapidamente. E mesmo que fosse, e o meu carro que também sofreu com a colisão? Ele poderia ter esperado que eu entrasse no balão e depois me ultrapassado, ele não precisava nem sequer me ultrapasssar, a pista era larga. Havia espaço para os dois carros. Mas ele me ultrapassou, e batemos. Depois que ele me ligou algumas vezes, ele sugeriu que eu vendesse meu computador, me perguntou por quanto eu poderia vender e eu respondí “por 2000R$” e ele disse, “ahhh, é coisa de bacana”. A partir daí eu perdí as estribeiras, fiquei ofendido com o comentário e já estava com raiva, por ter raciocinado que eu não era o culpado da história, e que ele não era vítima. Prorrogamos o acordo até que ele decidiu me levar ao tribunal.
Na audiência conciliatória ele apresentou um depoimento distorcido, dizia mais ou menos que estavamos ambos em baixa velocidade (quase na mesma velocidade), e que eu virei imprudentemente para cima do veículo dele, causando o acidente. Ele sugeriu também que eu estava bêbado no momento, alegou que por eu estar sem camisa, devia estar chumbado. Enfim. Eu fui contra esse depoimento superficial e repleto de omissões. Se ele sabia que tem razão, por que esconder certos fatos ? Aquele que tem razão numa causa quer expor toda a verdade, e não omiti-la.
A seguir, o meu depoimento:
AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO
A 27 de novembro de 2007 às 15h07, na Circunscrição Judiciária de Sobradinho/DF, e na sala de audiências deste Juízo, presentes a MM. Juíza, Dra. CARLA PATRÍCIA FRADE NOGUEIRA LOPES e o Conciliador, Dr. ALINE RADICA DE CARVALHO, à hora designada, foi aberta a audiência de Conciliação nos autos da ação supramencionada. Feito o pregão dentro das formalidades legais, a ele responderam as partes. Tentada a conciliação esta restou infrutífera. A parte autora requereu a juntada de documentos, o que foi deferido pela MM(a). Juíza. Pela parte requerida foi ofertada contestação ORAL, acompanhada de documentos, nos seguintes termos: ” Que a colisão dos veículos foi frente com frente causando dano aos dois veículos, que o requerente foi quem ultrapssou pela esquerda na entrada do balão, sendo que o requerido tentou evitar a colisão sendo que o requerido estava fazendo a curva do balão quando foi ultrapssado em alta velocidade não tendo tempo hábil para tentar desviar do veículo do autor, que o veículo do requerido é que estava em baixa velocidade e do autor em alta velocidade, que diante da situação o requerido por ter ficado nervoso no momento assumiu a culpa no intuito de evitar maiores transtornos, que o acordo de R$ 600,00 (seiscentos reais) divido em duas parcelas foi cancelado devido ao pedido do autor por cheques, sendo que o requerido é estagiário, e que nenhum momento o carro do requerido entrou em discursão, que as acusão de imprudências e culposo não são verdadeiras, o requerido antes da colisão o requerido avistou o requerente pelo retrovisor no qual estava a sua direita e logo após foi ultrapassado pela esquerda na entrada do balão.” Sobre os documentos juntados pelo autor a parte requerida não quis se manifestar. Sobre os documentos juntados pela parte requerida o autor não quis se manifestar. As partes informaram que não possuem mais provas a produzir. Pela MM. juíza foi determinada a conclusão dos autos para sentença. Intimados os presentes. NADA MAIS HAVENDO ENCERROU-SE O PRESENTE TERMO QUE VAI DEVIDAMENTE ASSINADO PELOS PRESENTES..
A próxima audiência ainda não foi marcada. A minha sugestão é que cada um pague pelos danos do seu carro. Vamos ver no que vai dar.