Hoje eu tomo a liberdade de postar esta notícia porque meu projeto de curta-metragem acaba de ser selecionado para o Festival Cultura Inglesa. O filme se chama “Superpoderes”, é inspirado em um conto de H.G. Wells, e receberá verba para ser realizado no início de 2008 :-)
Notre vie, le cinéma!
Posts de Dezembro, 2007
Festival Cultura Inglesa
In Sem-categoria on Dezembro 19, 2007 at 5:39 pmFonsequinha, o criminoso
In ficção on Dezembro 19, 2007 at 1:52 amTrês horas e vinte cinco minutos da madrugada de sete de outubro de 1987na cidade Burlesca
Fonsequinha, o filho mais jovem da família Fonseca, levantou-se com o estômago roncando, pôs os pés no chão frio e desceu as escadas, os ossos de Fonsequinha estralavam e o som ricocheteava nas paredes num crescendo estridente. A ausência dos sons diurnos ampliava o menor dos sons noturnos, quer fossem emitidos pelo corpo de Fonsequinha, ou pela madeira da casa encolhendo com o frio.
Fonsequinha chegou à cozinha da casa, nas pontas dos pés alcançou a jarra de biscoitos proibidos de sua mãe. Os biscoitos foram feitos especialmente para a festa de dia das crianças que a família Fonseca tinha costume de comemorar todo dia 12 de outubro. A família dos Fonseca amava a vida, e gostava de celebrá-la em qualquer ocasião, na páscoa, no dia dos estudantes, no dia do trabalhador, no dia do engenheiro, esta era a profissão do pai de Fonsequinha. Nos meses sem datas especiais a família comemorava só por comemorar. Mas os biscoitos, feitos com tanto amor, só deveriam ser devorados no dia da festa. Fonsequinha achou que um biscoito antes da hora não faria diferença num jarro cheio deles.
Sentou-se na mesa da cozinha silenciosa com a tampa do jarro aberta, no relógio atrasado eram três horas e doze minutos. Fonsequinha degustou um dos biscoitos, um prazer lento, o biscoito e as gotas de chocolate derreteram em sua boca, suculenta de apetite.
Fonsequinha guardou os biscoitos no lugar de sempre, virando o desenho da jarra para a esquerda, exatamente do jeito que ela estava, o crime perfeito, sem provas. Andou para fora da cozinha em passos de passarinho.
Os holofotes se acendem!
_Alto lá. Você está sendo julgado pela acusação de furto dos biscoitos de sua mãe antes do momento apropriado. – Disse o Juiz do Tribunal improvisado na sala da família Fonseca.
_ Meritíssimo! O meu cliente não teve culpa, acordou e desceu para matar a fome, que mal há nisso! – Protestou o advogado de defesa.
_Que seja condenado então por homicídio! Que seja por isso então, condenado o réu. Observem, senhores do Júri, que a cara de inocente não é sinônimo de inocência, eu conheci pessoalmente os mais frios assassinos e suas faces eram todas menos a de um culpado!
O semblante de Fonsequinha era o mais atônito e surpreso jamais expressado. O advogado de defesa puxou Fonsequinha para a cadeira do réu, era uma das regras do tribunal que quem não estivesse falando deveria ficar sentado.
_Fique calmo Fonsequinha! Nós vamos sair dessa – Confortou-lhe o defensor, que prosseguiu dirigindo a voz a todo tribunal – senhoras e senhores aqui presentes neste tribunal, lhes peço que não façam julgamento das aparências, nem muito menos baseados nas belas palavras de meu colega de profissão, pois não estamos no recinto para pôr em julgamento as capacidades de oratória de um retórico eloqüente, nem muito menos para criminalizar um pobre cidadão com a única intenção de livrar-se da própria fome durante a madrugada, estamos aqui para pesar na balança da justiça se este homem, acordado com fome durante uma noite fria, deve ser condenado tão gravemente por comer um biscoito que acabaria comendo do mesmo modo no dia seguinte, aquele que nunca cometeu um crime destes, que atire a primeira pedra.
_Fonsequinha, – disse o Juiz – O senhor tem alguma palavra em sua defesa?
Todo o tribunal olhou para Fonsequinha, inclusive seu pai, mãe e irmãos que a essa altura já acordaram com toda algazarra do julgamento. A família ficou atrás das cordas amarelas de “não atravesse” para isolamento da cena do crime e do público curioso. Os dois irmãos mais velhos olhavam para Fonsequinha em tom reprobatório. Fonsequinha com tristeza no olhar proferiu:
_Mãe, pai… desculpa. Eu não resisti, eu só queria um biscoito…
_Antes da hora meu filho? – Disse a mãe chorosa. O pai a abraçou e choraram juntos pelo filho marginal. Os irmãos descontentes com o ato ilícito, um deles carregava o cartaz “o biscoito é para todos”. A essa altura o advogado de defesa estava cabisbaixo recolhendo os papéis. O promotor do tribunal bradou:
_Réu confesso meritíssimo! Exijo o encerramento deste caso!
O martelo que bateu sobre a mesa soou mais alto do que todos os ossos do corpo de Fonsequinha estralando juntos durante a madrugada, a vizinhança acordada com a senteça de culpado. O advogado de Fonsequinha, recolheu os papéis da mesa, falou em voz baixa, sem olhar nos olhos do cliente:
_Você não devia ter dito nada, estávamos chegando lá!
Fonsequinha foi algemado. O querido caçula envergonhou a família, passou no banco de trás do carro da polícia escondendo o rosto da imprensa. A vizinhança se avolumava, ainda de pijamas com um interesse mórbido por saber quem seria o delinqüente do bairro.
Culpado! Culpado! Foi a notícia dos jornais. O promotor secretamente comemorou mais uma vitória para o seu gordo currículo.
De toda a família, só a mãe perdoou o jovem caçula por seu ato condenável. Sempre que há dia de visitação na penitenciária, a mãe esta lá, com um ou dois biscoitos para o filho Fonsequinha.
Mãe é mãe.
Uma pequena Biografia de Tarkovski
In Sem categoria on Dezembro 17, 2007 at 6:19 pmJoel Marçal Gonçalves dos Santos fez um favor a todos nós quando publicou sua tese de doutorado em teologia sobre o mestre do cinema, Andrei Tarkovski.
Sou um grande admirador desse gênio cinematográfico, depois de assistir alguns de seus filmes e de ler seu livro “Esculpir o Tempo”, toda a minha visão sobre o cinema precisou ser demolida e reestruturada, passei a encarar o cinema como uma forma de espiritualidade, uma forma de entrar em contato com a mais profunda essência humana. Por isso, apresento a vocês um pequeno resumo da vida de Tarkovski, baseado em um resumo que fiz da tese de doutorado do já citado Marçal Gonçalves, para o Instituto Ecumênico de pós graduação em teologia. Espero que com essa biografia seja possível , para aqueles que já o conhecem, compreender com um pouco mais de amplitude sobre a personalidade criadora de Tarkovski, e para aqueles que não o conhecem, que possa causar o interesse.
“O artista nunca trabalha em condições ideais, pelo contrário, o artista existe porque o mundo não é perfeito. A arte seria desnecessária se o mundo fosse perfeito, assim como o homem não procuraria por harmonia, apenas viveria nela”
Andrei Tarkovski nasceu em abril de 1932, numa vila próxima à cidade de Yurievets, na Rússia. Seu pai, Arseni Tarkovski era tradutor e poeta ainda não publicado, e sua mãe, Maria Ivanovna, trabalhava como editora na primeira editora do estado, em Moscou. Andrei e sua irmã dois anos mais nova, Marina, tiveram uma infância tipicamente urbana. Aos quatro anos de Andrei seus pais se separaram por um motivo que os filhos desconheciam.
Toda a obra de Tarkovski é alimentada pelos poemas do pai e referências diretas ou indiretas à figura de sua mãe, o filme “O Espelho” é dedicado à sua mãe.
Em 1951 Andrei se tornou aluno do Instituto de Artes Orientais e nunca mais abandonou este interesse, apesar de ter abandonado o curso no segundo ano letivo, frustrado com a instituição. A solução da mãe, para o problema do filho abandonando o curso foi inscreve-lo numa expedição geológica para a Sibéria, um período referido por Andrei como um “exílio” que lhe permitiu pensar no seu futuro.
Entre os anos de 1945 e 1960, Andrei estudou cinema sob a influência principal de Mikhail Romm, professor especialista em cinematografia soviética. Romm encorajava seus alunos a “pensar por si mesmos, para desenvolver seus talentos individuais, e a criticar seu próprio trabalho”.
Em seu primeiro longa metragem, a infância de Ivan, há fortes elementos biográficos, um menino que luta não só uma guerra contra os inimigos que em momento algum vemos, mas contra seus próprios superiores que querem lhe poupar de uma missão para qual o jovem soldado está convencido em se entregar. A relação de Andrei com o cinema não foi diferente: Lutou contra muita burocracia, sofreu rupturas com colegas de estudo e profissão, bem como a ruptura de um primeiro casamento, “sacrificando” ao fim de sua vida, a relação com sua nação para levar adiante o que se tornara sua vocação.
Por estes e outros motivos, em torno do nome Tarkovski criou-se um mito, do “artista Mártir”.
No fim dos anos 70 e início dos anos 80, Tarkovski inicia uma série de freqüentes idas a outros países Europa para realizar seu penúltimo filme na Itália, em companhia da segunda esposa, Larissa Tarkovskaia. Porém seu filho e a família de Larissa não tiveram permissão para sair da União Soviética e tampouco, Tarkovski a obtém para permanecer trabalhando fora da Rússia. Andrei rompe com as autoridades, permanecendo fora de seu país, à revelia das autoridades soviéticas, por motivos de liberdade artística, e necessidades econômicas. Realiza então seu último filme, “O sacrifício”, entre negociações diplomáticas, apoiado por grupos de produtores influentes na Europa, com a União Soviética, para permitir a união da família. Esta só ocorre depois de diagnosticado o estado terminal de Tarkovski, com um câncer no Pulmão, em dezembro de 1985. Segue um ano de luta contra a doença e sob o desgaste dos tratamentos de quimioterapia nenhum dos futuros planos seria realizado. Tarkovski falece aos 54 anos, em 1986.
Assista o filme O ESPELHO no Google Video
“Se tentarmos agradar o público, aceitando acriticamente suas preferências, isso significará apenas que não temos respeito algum por ele, que só queremos o seu dinheiro. Em vez de educarmos o espectador através de obras de arte inspiradoras, estaremos apenas ensinando o artista a garantir seu lucro. De sua parte, o público – satisfeito com aquilo que lhe dá prazer – continuará firme na convicção de estar certo, uma convicção no mais das vezes sem fundamento.
Deixar de desenvolver a capacidade crítica do público equivale a tratá-los com total indiferença”
Cinema e Vinícius de Moraes
In Sem categoria on Dezembro 15, 2007 at 9:32 pmO poeta compositor Vinícius de Moraes foi elogiado pelo cinema nacional, no curta metragem comandado por “Fernando Valle” e “Joao Caetano Feyer”, Balada das duas mocinhas do Botafogo.
O curta encontra lirismo na vida promíscua das duas irmãs, abandonadas pelo pai. A rejeição paterna é para as meninas algo perturbador e às leva à busca do prazer na vida noturna no bairro botafogo em troca do carinho perdido, um carinho caro demais, quase humilhante.
A narração em off é um elemento perigoso no cinema, pois pode soar redundante, na maioria das vezes é completamente desnecessária, mas a escolha pela narração neste filme é bem acertada pela homenagem ao poeta compositor original da balada.
Assista o curta no Portacurtas
Balada das Duas mocinhas do Botafogo
A Balada
Eram duas menininhas
Filhas de boa família:
Uma chamada Marina
A outra chamada Marília.
Os dezoito da primeira
Eram brejeiros e finos
Os vinte da irmã cabiam
Numa mulher pequenina.
Sem terem nada de feias
Não chegavam a ser bonitas
Mas eram meninas-moças
De pele fresca e macia.
O nome ilustre que tinham
De um pai desaparecido
Nelas deixara a evidência
De tempos mais bem vividos.
A mãe pertencia à classe
Das largadas de marido
Seus oito lustros de vida
Davam a impressão de mais cinco.
Sofria muito de asma
E da desgraça das filhas
Que, posto boas meninas
Eram tão desprotegidas
E por total abandono
Davam mais do que galinhas.Casa de porta e janela
Era a sua moradia
E dentro da casa aquela
Mãe pobre e melancolia.
Quando à noite as menininhas
Se aprontavam pra sair
A loba materna uivava
Suas torpes profecias.
De fato deve ser triste
Ter duas filhas assim
Que nada tendo a ofertar
Em troca de uma saída
Dão tudo o que têm aos homens:
A mão, o sexo, o ouvido
E até mesmo, quando instadas
Outras flores do organismo.Foi assim que se espalhou
A fama das menininhas
Através do que esse disse
E do que aquele diria.
Quando a um grupo de rapazes
A noite não era madrinha
E a caça de mulher grátis
Resultava-lhes maninha
Um deles qualquer lembrava
De Marília e de Marina
E um telefone soava
De um constante toque cínico
No útero de uma mãe
E suas duas filhinhas.
Oh, vida torva e mesquinha
A de Marília e Marina
Vida de porta e janela
Sem amor e sem comida
Vida de arroz requentado
E média com pão dormido
Vida de sola furada
E cotovelo puído
Com seios moços no corpo
E na mente sonhos idos!Marília perdera o seu
Nos dedos de um caixeirinho
Que o que dava em coca-cola
Cobrava em rude carinho.
Com quatorze apenas feitos
Marina não era mais virgem
Abrira os prados do ventre
A um treinador pervertido.
Embora as lutas do sexo
Não deixem marcas visíveis
Tirante as flores lilases
Do sadismo e da sevícia
Às vezes deixam no amplexo
Uma grande náusea íntima
E transformam o que é de gosto
Num desgosto incoercível.E era esse bem o caso
De Marina e de Marília
Quando sozinhas em casa
Não tinham com quem sair.
Ficavam olhando paradas
As paredes carcomidas
Mascando bolas de chicles
Bebendo água de moringa.
Que abismos de desconsolo
Ante seus olhos se abriam
Ao ouvirem a asma materna
Silvar no quarto vizinho!
Os monstros da solidão
Uivavam no seu vazio
E elas então se abraçavam
Se beijavam e se mordiam
Imitando coisas vistas
Coisas vistas e vividas
Enchendo as frondes da noite
De pipilares tardios.
Ah, se o sêmem de um minuto
Fecundasse as menininhas
E nelas crescessem ventres
Mais do que a tristeza íntima!
Talvez de novo o mistério
Morasse em seus olhos findos
E nos seus lábios inconhos
Enflorescessem sorrisos.
Talvez a face dos homens
Se fizesse, de maligna
Na doce máscara pensa
Do seu sonho de meninas!Mas tal não fosse o destino
De Marília e de Marina.
Um dia, que a noite trouxe
Coberto de cinzas frias
Como sempre acontecia
Quando achavam-se sozinhas
No velho sofá da sala
Brincaram-se as menininhas.
Depois se olharam nos olhos
Nos seus pobres olhos findos
Marina apagou a luz
Deram-se as mãos, foram indo
Pela rua transversal
Cheia de negros baldios.
Às vezes pela calçada
Brincavam de amarelinha
Como faziam no tempo
Da casa dos tempos idos.
Diante do cemitério
Já nada mais se diziam.
Vinha um bonde a nove-pontos…
Marina puxou Marília
E diante do semovente
Crescendo em luzes aflitas
Num desesperado abraço
Postaram-se as menininhas.Foi só um grito e o ruído
Da freada sobre os trilhos
E por toda parte o sangue
De Marília e de Marina- Vinícius de Moraes
O encosto do crente
In ficção on Dezembro 14, 2007 at 3:58 amEle, um devoto de Jesus Cristo convicto sabia que algo de errado deveria transitar nas profundezas de sua alma, não é certo prestar tanta atenção nos bustos e bundas das garotas por tanto tempo… por tanto tempo que quase salivava. Que curvas… Meu Deus – ele dizia – porque as fez tão desejáveis? Que crime terei cometido eu para merecer estas tentações? Evitava. Certa vez até jejum fez, mesmo com fome e sede, ele deseja os corpinhos ladeados pelos vestidos de ceda. A pureza das irmãs estava ameaçada pelos seus olhares sedentos.
Luana, a mais fornida das cristãs, de formas rotundamente aprazíveis, virava a esquina, com a bíblia debaixo do braço… e os quadris, que quadris… apareciam a cada requebrada, involuntariamente, avolumando se nas dobras da ceda, seus imensos quadris, sobriamente disfarçados sob o tecido azul cafona na altura das canelas.
Não! Não! O brilho dos olhos daquela moça com certeza foi Deus quem deu, mas as curvas, estas foram eroticamente planejadas pelo capeta, afim de angariar almas para o inferno. E quanto mais tentava reprimir, mas clara em sua cabeça ficava a imagem da sua língua percorrendo os caminhos sinuosos das coxas carnudas. A verdade seja dita, que coxas! Mas haveria algo no meio daquelas pernas… era o capeta de barbas! Era isso!
Andou sem destino, quando se viu parado, tentando respirar, encontrou na banca de revistas um varal de obscenidades, expostas à luz do dia. Pouca vergonha! E depois da próxima esquina o pastor, sereno. Passou direto, esquivou-se como pôde.
Um cheiro estranho atraiu sua fome de 25 horas de jejum. Era camarão… camarão e algo mais. O acarajé da daquela mulher gorda e sorridente não era comida de crente mas os quatro reais de sua carteira foram bem gastos, pagou a comida pecaminosa com o dinheiro sujo que ela recebeu de bom grado. A fome passava, mas a outra fome ainda não.
Me diga senhora… Preciso saber se nessas religiões, nessa tal de macumba… Preciso saber se tem um orixá pra luxúria! Eu preciso saber!
Meu filho, orixá da luxúria. Não tem nenhum orixá desses no candomblé nem na umbanda filho. Tem não meu filho.
Não era um encosto, ele não estava possuído. Estava é na fase de acasalamento. Aquele crente safado. Com a barriga farta do acarajé, o sabor ainda na boca, a fumaça do óleo velho, os olhos vítreos nas curvas da irmã de carne farta passeando pela rua. Seu jejum estava banido e logo a castidade também estaria. Esta noite a irmã crente ouvirá uma confissão.
Durante a noite a irmã hesitou.
Vire o rosto. Esconda a bíblia. – Foi o conselho que ele deu.
Perspicácia detetivesca
In Sem categoria on Dezembro 8, 2007 at 8:56 pmTudo seria motivo de reclamação se não fossemos tão… adaptáveis ao ambiente
As paredes de uma agência de detetives começa a se mover. Aos poucos o ambiente de trabalho de toda uma equipe se reduz a um espaço intransitável. Com os espaços privados ameaçados os problemas começam a surgir, o nervosismo é geral, mas ninguém se atenta para a raiz da questão, as paredes estão diminuindo!
O aspecto cômico do pequeno conto “O METRO QUADRADO”, dirigido por Flávia Cândida é o fato de que em uma agência de detetives ningcuém mostra suspeitas para o problema mais evidente. O próprio protagonista, um detetive clássico com sua sóbria sensatez, precisa do insight de um sábio oriental para chegar a uma conclusão de proatividade.
A situação é universal, poderia ser aplicada a qualquer ambiente de trabalho, para qualquer coletivo de pessoas. Aliás, este seria um bom filme educativo para ambientes de trabalho, divertido, e de certa forma didático, sem ser bobo ou superficial. O curta é uma alegoria para problemas maiores que ocorrem todos os dias, problemas de cooperação entre colegas, de repasse de responsabilidade, de ignorar o problema. Aqueles que querem mais espaço comprimem o espaço alheio, esta alegoria se refere não apenas ao espaço físico, mas às tendências capitalistas de se cargos, posições privilegiadas, de querer se dar bem em tudo.
O curta de Flávia retrata o convívio humano, como fez Lars Von Trier em Dogville e Manderlay, porém sob o viés humorístico, bem mais interessante nesse sentido, pois a boa comédia é muito mais difícil de se realizar do que a tragédia. A diretora se utiliza do clichê de filmes de detetives, do gênero noir, as tiradas de sagacidade verbal, típicas de Bogart, mas não abre mão do jeitinho brasileiro. A direção de arte, os cenários, a iluminação, tudo chama a atenção pelo exagero, reforça a idéia de alegoria, a situação fantástica criada pelo roteiro é reforçada pelo trabalho coletivo da equipe, incluindo a atuação caricata do personagem principal, do chefe arrogante, do empregado desligado e da secretária gostosa.
O METRO QUADRADO
Direção Flávia Cândida
Elenco Ana Paula Lopes, Gustavo Long, Ivan Sugahara, Marta Paret, Raphael Molina, Talou
Ficha Técnica
Produção Gláucia Soares, Igor Pontes Fotografia Cadu Pilotto Roteiro Marcelo Gualda, Sérgio Marques Edição Marcia Bessa Direção de Arte Luiz Claudio Sisinno Trilha original José Cláudio Castanheira Empresa produtora Curso de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense Som Giselle Lewicki Edição de som José Cláudio Castanheira Câmera Cadu Pilotto
Ano 2002
Duração 17 min
Bitola 16mm
É um Worth watch! ASSISTA:
O metro quadrado
Incomunicabilidade na loja dos Siqueira
In ficção on Dezembro 7, 2007 at 7:29 pmO expediente havia encerrado na loja de sapatos da família Siqueira
O Pai arrumava os sapatos jogados.
A filha inquieta no canto, sem ajudar.
“Ajuda filha! Esse pessoal faz uma bagunça. Dá uma mão aí.”
Ela ajuda o pai, sem motivação mas ajuda. Os vendedores saíram mais cedo hoje, sexta feira é sempre assim.
“Eu não sei o que é, mas as vezes sinto essa sensação. Estranha…” – diz a filha, pensativa.
O pai não pára de arrumar, e nem presta atenção na filha. Ela prossegue.
“É como se eu tivesse feito algo de errado. Sabe pai? Sabe quando você faz algo de muito errado e sente um peso na consciência?”
O pai olha para a filha. Ela tenta adivinhar se aquele é um ar de desaprovação ou de incompreensão.
“o que você fez agora hein Letícia?”
“Não fiz nada pai!”
“Então tá reclamando do que?”
“Não to reclamando, só to falando que to com a sensação, de como se eu tivesse feito algo de errado, mas eu não fiz nada. Você já teve isso?”
“Quem não deve não teme! Você deve alguma coisa?”
“Não pai.”
“Então termina logo isso enquanto eu fecho o caixa. Cabeça vazia é oficina do diabo.”
“Tá bem pai.”
Oona Minimalista
In Sem categoria on Dezembro 5, 2007 at 12:22 am“My name is Oona” é o nome do estranhíssimo, mas envolvente, curta metragem minimalista, de trilha sonora composta pelo mestre Steve Reich, considerado pelo New York Times como o maior compositor americano vivo. O curta foi produzido em 1969 pelas mãos do diretor Gunvor Nelson, pai da protagonista, Oona Nelson. 
O filme é baseado na frase, pronunciada pela própria garotinha, Oona, “My name is Oona” repetida infinitamente, como um mantra budista. A frase se torna uma música, uma meditação, enquanto assistimos ouvimos e adentramos no universo lúdico, lírico, da jovem princesa em seu lar, em seu cavalo.
O curta é interessante por sua liberdade, por sua experimentação e pelo aspecto onírico que faz com que um simples diálogo se dilua em uma reverberação musical, levando-nos a um estado de alfa, como se fossemos a criança, perdida em suas brincadeiras, alheia ao mundo em seus devaneios.
Sobre a trilha sonora, o nosso amigo Radioasta Roberto D’Ugo Junior, proprietário do Podcast Música Discreta, define muito bem:
Experimento embrionário com fala pré-gravada em fita magnética; técnica posteriormente aprimorada pelo compositor com o uso de samplers, em obras dos anos 80 e 90, como “Different Trains”, “The Cave” e “City Life”. Em relação a “It’s Gonna Rain” (1965) e “Come out to Show Them” (1966), a peça “My Name is Oona” é um divertimento –menos estrita quanto ao processo de manipulação, menos econômica em termos do material sonoro utilizado.
Assista o curta metragem:
MY NAME IS OONA
Ouça a trilha sonora:
My name is Oona
1° Promoção Curta Blog – Ganhador
In Sem-categoria on Dezembro 4, 2007 at 12:35 amO ganhador da promoção Curta Blog foi Finito Carneiro, ele tem 25 anos e é morador Maringá-PR. Finito ganhou um dvd lacrado do filme Trainspotting- 1996- danny boyle, pelo argumento enviado a promoção IDIOTIA CURTA BLOG. A idéia era saber quem seria capaz de criar o argumento mais idiota para um filme e Finito foi o campeão. Parabéns Finito, sua capacidade lhe foi útil pelo menos uma vez!
A seguir o argumento idiota de Finito Carneiro
PENSE ESDRÚXULO
A repórter aponta para a multidão em frente à fábrica e diz, olhando para a câmera:
- Olha lá! Todos querem ver o mais novo empresário de sucesso do ramo de saias.
Ela puxa uma simples transeunte que está correndo e esfrega o microfone na fuça da mocinha bonita:
- Ei, por que você gosta tanto do empresário de sucesso Carlos Mabuto?
- Por causa das saias que ele inventou. São sensacionais!
- As saias Shiva?
- Isso mesmo! Eu tenho uma saia Shiva aqui!
A moça tira a saia e abana para a câmera. Todos os rapazes pulam em cima da moça.
A repórter olha novamente para a câmera e grita desesperadamente:
- Olha lá! O helicóptero do super empresário Carlos Mabuto chegando! Vamos lá!
A moça sai correndo atropelando a multidão. Ao chegar perto do empresário, ela esfrega o microfone na fuça do cara:
- Carlos Mabuto, o famoso mega-empresário! Por favor, diga-nos, qual é o segredo do sucesso das saia Shiva? Ou melhor, por que esse nome?
- A idéia apareceu da maneira mais esdrúxula possível. É isso que temos que fazer: Pensar esdrúxulo.
- E o nome “Saia Shiva”, de onde veio?
Flashback.
Cozinha de uma casa. Um garoto brinca alegremente com uma cadelinha enquanto toma o café da manhã. A mãe do garoto chega e, vendo aquela cena, grita para a cadelinha:
- Saia! Pra fora! Saia Shiva!
Volta à cena do empresário.
- Foi assim que aconteceu. Por isso eu sempre digo: Pense esdrúxulo!
FIM
A batida e o tribunal
In Egotrip, ficção on Dezembro 3, 2007 at 6:16 pmHá um mês, andando de carro eu entrava em um balão quando fui ultrapassado e batí no outro carro
No mês retrasado fui vítima e autor de uma batida com duplos culpados. Tanto eu, quanto o outro carro envolvido fomos vítimas e autores da batida. Explico aqui com total sinceridade.
Eu transladava de um lado para o outro da cidade, era uma longa viagem. No meio do caminho a pista estava completamente vazia, havia apenas um carro além do meu, olhei no retrovisor, ele estava a direita e atrás. O balão era espaçoso, percebí que eu deveria virar a minha direita, mas que tinha passado na entrada e então resolví fazer o balão para pegar o meu caminho certo. Subitamente, quando olho no retrovisor, o outro carro me ultrapassa pela esquerda na entrada do balão. No momento em que eu percebí a ultrapassagem não havia mais tempo para desviar, e batemos, roda com roda. Ele parou do lado de dentro do balão, eu parei do lado de fora.
Com o homem do outro carro estavam duas pessoas, uma criança de uns oito anos e uma garota de cerca de desesseis anos. Ele saiu do carro e ficou olhando a batida. Eu permaneci um pouco dentro do carro, me culpava pelo acidente. “QUE IDIOTA QUE EU SOU” eu dizia. Abaixei o som, e saí do jeito que estava, sem camisa, o dia estava quente.
Observei a batida, o para choque dele estava danificado, e a parte da roda. O meu carro foi danificado na porta e na parte da roda. Não houveram grandes danos. A colisão não foi tão forte.
Conversei com ele calmamente, passei meus dados, nome, rg, endereço, telefone e fui embora nervoso, como se eu fosse o total culpado pelo acidente. Prossegui com minha viagem, a consciência estava pesada. Ainda teria que enfrentar meus pais, eu sou estagiário, ganho um salário de 400 reais, como iria pagar pelo estrago. Combinei com o homem que tratariamos do assunto sem envolver justiça.
Dias depois começamos as negociações por telefone, e a cada vez que ele me ligava cobrando (1300R$ o valor do conserto no carro dele) eu ficava pensativo. Ele me enchia com aquela voz de culpado, e eu pensava melhor sobre a ocasião, e eu entendia “ele me ultrapassou na entrada do balão. Eu estava nervoso e assumi a culpa, mas eu não tive culpa, ele está querendo se aproveitar de mim. Vou reduzir o preço desse pagamento, apenas para evitar problemas com a justiça. Sugerí que ele diminuísse o preço para R$600,00, e ele aceitou sem hesitar. Será que o valor estrago do carro era realmente de 1300R$? Ele não teria aceitado minha oferta tão rapidamente. E mesmo que fosse, e o meu carro que também sofreu com a colisão? Ele poderia ter esperado que eu entrasse no balão e depois me ultrapassado, ele não precisava nem sequer me ultrapasssar, a pista era larga. Havia espaço para os dois carros. Mas ele me ultrapassou, e batemos. Depois que ele me ligou algumas vezes, ele sugeriu que eu vendesse meu computador, me perguntou por quanto eu poderia vender e eu respondí “por 2000R$” e ele disse, “ahhh, é coisa de bacana”. A partir daí eu perdí as estribeiras, fiquei ofendido com o comentário e já estava com raiva, por ter raciocinado que eu não era o culpado da história, e que ele não era vítima. Prorrogamos o acordo até que ele decidiu me levar ao tribunal.
Na audiência conciliatória ele apresentou um depoimento distorcido, dizia mais ou menos que estavamos ambos em baixa velocidade (quase na mesma velocidade), e que eu virei imprudentemente para cima do veículo dele, causando o acidente. Ele sugeriu também que eu estava bêbado no momento, alegou que por eu estar sem camisa, devia estar chumbado. Enfim. Eu fui contra esse depoimento superficial e repleto de omissões. Se ele sabia que tem razão, por que esconder certos fatos ? Aquele que tem razão numa causa quer expor toda a verdade, e não omiti-la.
A seguir, o meu depoimento:
AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO
A 27 de novembro de 2007 às 15h07, na Circunscrição Judiciária de Sobradinho/DF, e na sala de audiências deste Juízo, presentes a MM. Juíza, Dra. CARLA PATRÍCIA FRADE NOGUEIRA LOPES e o Conciliador, Dr. ALINE RADICA DE CARVALHO, à hora designada, foi aberta a audiência de Conciliação nos autos da ação supramencionada. Feito o pregão dentro das formalidades legais, a ele responderam as partes. Tentada a conciliação esta restou infrutífera. A parte autora requereu a juntada de documentos, o que foi deferido pela MM(a). Juíza. Pela parte requerida foi ofertada contestação ORAL, acompanhada de documentos, nos seguintes termos: ” Que a colisão dos veículos foi frente com frente causando dano aos dois veículos, que o requerente foi quem ultrapssou pela esquerda na entrada do balão, sendo que o requerido tentou evitar a colisão sendo que o requerido estava fazendo a curva do balão quando foi ultrapssado em alta velocidade não tendo tempo hábil para tentar desviar do veículo do autor, que o veículo do requerido é que estava em baixa velocidade e do autor em alta velocidade, que diante da situação o requerido por ter ficado nervoso no momento assumiu a culpa no intuito de evitar maiores transtornos, que o acordo de R$ 600,00 (seiscentos reais) divido em duas parcelas foi cancelado devido ao pedido do autor por cheques, sendo que o requerido é estagiário, e que nenhum momento o carro do requerido entrou em discursão, que as acusão de imprudências e culposo não são verdadeiras, o requerido antes da colisão o requerido avistou o requerente pelo retrovisor no qual estava a sua direita e logo após foi ultrapassado pela esquerda na entrada do balão.” Sobre os documentos juntados pelo autor a parte requerida não quis se manifestar. Sobre os documentos juntados pela parte requerida o autor não quis se manifestar. As partes informaram que não possuem mais provas a produzir. Pela MM. juíza foi determinada a conclusão dos autos para sentença. Intimados os presentes. NADA MAIS HAVENDO ENCERROU-SE O PRESENTE TERMO QUE VAI DEVIDAMENTE ASSINADO PELOS PRESENTES..
A próxima audiência ainda não foi marcada. A minha sugestão é que cada um pague pelos danos do seu carro. Vamos ver no que vai dar.
A rabeca triste do véio sem perna
In Sem-categoria on Dezembro 2, 2007 at 10:23 pmUm velho triste sem perna toca rabeca na varanda, olhando a meninada, vendo a vida passar
A Rabeca véia triste arranha o choro de amor
Rabeca desvairada, sem esmalte, traz-lhe dor
Oh meu deus do ceú, faça logo o sol se pôr
pra mó de ter comigo no belo reino do senhor
Desafinada vida, pernas cansada, som sem cor
tá na hora do velhinho aposentar e descansar
Santa Gema, santa boa, vai protegê a criançada
Menino orfãozinho não tem mais mãe para cuidar
Não pode correr descalço para não se machucar
e o velho manco triste rabequeia ao som do ar
e o velho triste manco esperando o trem chegar





