Gustavo

Archive for Outubro 2007

Um pequeno exemplo cósmico do caos

In jornalismo on Outubro 30, 2007 at 2:24 pm

Ensaio sobre a cidade

Como as formigas com o formigueiro, o cidadão existe em função da cidade. O comportamento do cidadão é pouco aleatório: Descanso, trabalho, lazer e alimentação. O cidadão age como força motriz. Sua energia é o combustível da cidade e com esta energia ele desempenha seus papéis como trabalhador e consumidor. O consumo é a espinha dorsal que possibilita o crescimento contínuo da cidade.

Assim como nas colméias e formigueiros existem, hierarquias rígidas. Supostamente o cidadão escolhe seus próprios líderes. Os líderes são escolhidos baseados em sua influência. A influência exercida por um líder pode ser baseada em seu carisma, sua retórica, em sua intimidação ou na capacidade de compra de seus recursos. Dinheiro pode comprar não somente objetos e serviços, mas almas, mentes e caráter. Tudo é mercadoria na cidade.

A mente do cidadão está na segunda categoria do saber racional. A categoria do saber racional autômato. O cidadão tem a capacidade de analisar as situações baseado em seu conhecimento e raciocinar tomando pequenas decisões regidas por uma vontade própria limitada. Em seu estado autômato, o cidadão trabalha exclusivamente em função da cidade enquanto emerge em ostracismo e torpor hipnótico deixando de praticar algumas necessidades básicas como a comunicação, a socialização e compaixão para com seus semelhantes. Todos estes são sintomas de apatia, e definem a inércia moral, uma patologia psicológica muito comum, diagnosticada devido à rotina imutável da vida na cidade.

O crescimento da quantidade dos cidadãos é exponencial e requer o crescimento dos setores comerciais e industriais. Caso a cidade não desenvolva estes setores para atender a esta demanda de trabalho, a cidade ganha aos poucos um novo setor habitacional alternativo, também conhecido como favela, cortiço ou assentamento.

Com a miséria surge a criminalidade que tem como função suprir a falta de trabalho dos cidadãos inativos. Esta é uma categoria especial de trabalho que cumpre sua função de perpetuar o ciclo da cidade através do consumo, a partir desse argumento, bandidos são trabalhadores que sustentam a cidade como quaisquer outros trabalhadores, no entanto suas profissões não são regulamentadas pela lei.

A cidade, a fim de assegurar sua própria sobrevivência, cria mecanismos para que o cidadão seja obrigado a consumir, entre estes mecanismos está a publicidade.

A publicidade consiste em criar a necessidade de consumo na mente do cidadão em troca de “prêmios especiais”. Os “prêmios especiais” são pequenas ilusões plantadas sob o consciente limiar da mente do cidadão: como a sensação de ser feliz ou a de se sentir completo no ato da compra. Esta promessa se fricciona com o instinto. A sensação de ter a alma tocada arraiga este desejo no subconsciente do cidadão que passa a consumir todo o tipo de supérfluos sob a ilusão de que terá a alma satisfeita e seus mais profundos desejos realizados quando depois do ato ou efeito de comprar tudo será diferente. Esta ilusão é um mecanismo eficiente para se gerar o consumo, motriz capital.

A economia do super-organismo cidade, como a natureza, segue suas próprias regras. Vivemos e respiramos a tecnologia do metal e do concreto, em contraposição às tecnologias da carne e do vegetal. Habitamos as entranhas da cidade enquanto lhe costuramos e construímos por dentro. Somos os alfaiates e artesãos de sua estrutura condenados à inevitável fagocitose.

Há a possibilidade de que a consciência humana se perca durante a evolução. A natureza funciona plenamente desta forma onde todos os animais estão plenamente adaptados às suas posições e situações, não há rebeldia ou queixas, apenas uma harmonia amoral.

Somente líderes e artistas mantem resquícios de individualidade. Os líderes têm a função de organizar e realizar a manutenção, adaptação e (porque não?) mudança do status-quo e os artistas, derivados dos anjos, tem a função de acordar, abalar e inspirar a catarse. Talvez por este motivo tantos cidadãos busquem se tornar indivíduos especiais e únicos, mas a pessoa é para o que nasce assim como a formiga e a abelha que já nascem com suas funções definidas.

A natureza e a cidade são duas raças diferentes da mesma espécie, ou duas espécies do mesmo gênero, apesar disso, são opostas. Estão em constante embate. A natureza, prisioneira de constritos canteiros cercados por concreto, luta por sobrevivência, é o embate que se dá entre raízes e encanamentos, folhas e fios elétricos, troncos e asfalto. O melhor caminho para a evolução é uma simbiose perfeita. O caminho da involução é a destruição de um dos lados do embate ou uma relação de parasitose de um sobre o outro.

A cidade é um pequeno exemplo cósmico de que o caos tem capacidade de ordenar-se em núcleos lógicos e seqüenciais e desfazer-se da mesma forma, como se nunca houvesse existido. Um grão de areia percorre milhares de anos para acumular em torno de si grãos o suficiente para formar uma montanha, apenas para esperar mais alguns milhões de anos e voltar a ser o grão único, que sempre foi.

A evolução da cidade se dá em ritmo acelerado, assim como o tempo que ela obedece. A cidade respira vivaz, coletivos, automóveis, motos e metrôs circulam em suas veias transportando a energia humana a fim de lhe criar sólidas bases metálicas para o dia em que este colosso irá se erigir em autonomia, para caminhar sobre a terra.

O cidadão não é o ápice da evolução nem o princípio. Não é o primata nem o super-homem. Não é o macaco nem é Deus. Assim como os macacos são para o cidadão um motivo de riso ou dolorosa vergonha, é justamente isso que o cidadão deve ser para o ápice da evolução: Um motivo de riso ou dolorosa vergonha. O cidadão é uma corda estendida entre o primata e o super homem, uma corda sobre o abismo. É o perigo de transpô-lo, o perigo de estar a caminho, o perigo de olhar para trás, o perigo de tremer e parar. O que há de grande, no cidadão, é ser ponte, e não meta. O que pode amar-se no homem, é ser uma transição e um ocaso.

Referências e influências:
• Chico Science – Ref. E Inf.
• Laerte – Ref. Charge
• Will Eisner – Inf.
• Nietzshe – Ref. e Inf.
• Economia Contemporânea – Inf.
• A influência econômica sobre a estética urbana – Ref. e Inf.
• Akira – Ref. e Inf.

A ética da malandragem

In ficção on Outubro 25, 2007 at 6:09 pm

Meio verdade, meio ficção. Você decide no que deve acreditar.

Mais uma tarde quente no outubro desse projeto de cidade que é Brasília. Entrei no barbeiro e pedi pra pelar minha cabeça na maquina quatro. Eu ainda não conheço muito bem o pessoal dessa barbearia, mas eles me fizeram de 10 por 6 reais. “Pelar é muito fácil. Não tem por que custar tanto”. Eles falaram que eu posso voltar quando quiser por esse preço, “só não vai contar do desconto pra todo mundo”.

Enquanto arrancava os pêlos que fizeram minha cabeça suar, um idoso fazia as unhas com a manicura no banquinho lá atrás. Todo mundo acha que ele é bicha, ele vai lá pra fazer as unhas e até o jeito como ele mostra as mãos é meio homo-alegórico, “olha só! Não sangrou nem um pouquinho!”, ele diz mostrando para a menina da fila de espera, o velho gesticula afeminado dobrando o pulso, “vejam o que essa moça sabe fazer com a cutícula”Mas ele não é viado, do espelho, enquanto os pêlos me caem sobre a cara, eu vejo ele de olho no decote da manicura. Ela é loirinha, nem é tão gostosa, mas tem uns peitões que valha me deus. Quando ela se vira, o velho observa com malícia. Eu não acho que ele seja bicha, ele fica desejando a mulher, mas é bem verdade que também pode ser só inveja da fartura daqueles peitões.

Enquanto isso o cara da cadeira ao lado pediu um corte “surfista”. Como diabos é um corte surfista? Eu digo para o barbeiro apressar porque tenho que pegar o ônibus daqui a pouco. “Pra onde você vai?”, pergunta o diabo do surfista. “Pra São Sebastião”, eu digo. Ele falou que vai pra lá também, faz transporte pirata. “Se eu fosse passageiro eu preferia ir no carro com um monte de mulheres, mas como eu sou motorista, eu prefiro carregar o carro com homens”. Ele diz. “Se a polícia pegar e tiver mulher no carro, elas dizem que eu to fazendo transporte pirata. Os homens sustentam a mentira até o fim, falam assim: Que isso seu guarda! A gente é tudo amigo! Ele deu carona pra gente numa boa! A gente só rachou a gasosa!”.

Fiquei olhando para a cara dele. É a ética da malandragem. Quando você entra num táxi pirata você assina um contrato invisível e consensual. O transporte pirata resolve o problema do transporte público ineficiente em Brasília, mas tem lá o seu risco. Se a polícia parar, ta todo mundo fodido se não souber mentir. O mulherio entrega o jogo com medo de ir pro xilindró. Na opinião dele o homem é fiel na camaradagem, e não entregam o colega porque estão literalmente no mesmo bonde.

Eu fiquei curioso,“E se a polícia perguntar: Qual é o nome do seu amigo então?”.
O corte dele tinha acabado de terminar. Ele pagou a conta, se olhou no espelho. Tirou um pente do bolso, passou no cabelo, olhou pra mim e disse:
“Aí fudeu, meu chapa!”

Torero e o cinema

In Sem categoria on Outubro 25, 2007 at 12:19 pm

José Roberto Torero conta sobre sua experiência com curta-metragens e discorre sobre a criatividade

Nós do Curtablog encontramos um tempinho livre na agenda do bem humorado escritor, jornalista, blogueiro, roteirista e cineasta José Roberto Torero para entrevistá-lo sobre sua experiência com curta-metragens. Torero nasceu em Santos no ano de 1963, é autor, entre 13 livros, do Best seller O chalaça. Tem seis curta-metragens na sua filmografia, entre eles os premiados Amor!, Morte e A alma do negócio, um longa-metragem chamado Como fazer um filme de amor, e um novo projeto na manga, de nome ainda indefinido, em andamento. Torero nos conta sobre a prolificidade criativa e mata o mito da criatividade espontânea, segundo ele, uma obra de arte é construída à base de muito estímulo com café e de pestanas queimadas sobre a mesa. Sua experiência com curta-metragens certamente lhe serviu de base para a direção de seu longa-metragem, mas Torero afirma que o curta-metragem não é apenas um trampolim para outras coisas, o curta é um formato livre que tem importância per se.

Além de cineasta e escritor você trabalha com TV e é cronista esportivo. Pode comentar um pouco sobre essa pluralidade de seu trabalho?
Isso é uma coisa comum para quem trabalha com letras. Machado de Assis escrevia para vários jornais, fazia contos, peças de teatro, livros. É uma coisa normal. Está dentro do escrever, e fazer roteiros é escrever, fazer crônicas é escrever, fazer contos para revista é escrever. O roteiro é um pouco diferente. O roteiro pede uma cultura mais cinematográfica do que literária, mas de qualquer forma está tudo dentro do escrever, então não é uma coisa assim, incomum, essa pluralidade.

E como foi a transição de literatura para o roteiro?
É que eu fiz faculdade de cinema na ECA-SP ( Escola de comunicações em Artes )com Pós de roteiro. Não acabei nem a faculdade nem a pós. Fiz jornalismo e cinema e letras na faculdade.

Como você se interessou por cinema?
Na verdade eu gostava muito de ver filmes e aí eu pensei: vou fazer o curso de cinema porque aí eu vejo um monte de filmes de graça. Deve ser uma faculdade fácil, fazer filmes… E eu errei muito porque das três faculdades que eu fiz foi a mais puxada. Mais que jornalismo e letras. Estudei de manhã, muitas vezes à tarde. Trabalhei mais. É uma faculdade melhor mesmo do que as outras duas.

Pode falar um pouco sobre o próximo longa que pretende fazer?
É um longa, aliás, passado em Brasília. São dois deputados e cada um tem um projeto, para realizar o projeto eles precisam comprar os outros deputados. É uma guerra política para ver quem consegue comprar mais deputados. A idéia do filme é mostrar os bastidores da política. Eu escrevi um livro chamado Os Vermes, sobre as artimanhas políticas de uma capital federal. Foi baseado nesse livro.

E qual será o nome do filme?
Varia muito. Depende da semana. Como comprar um deputado. Elefante vai a feira. Porque um dos caras é chamado de Elefante.

Mudando de assunto, como você mantém essa atividade criativa constante? Você tem algum método para manter a prolificidade?
Café né? Existe essa questão sobre criatividade, mas na verdade você precisa trabalhar bastante. Ficar várias horas na frente do computador, fazer, refazer. Não tem esse mito de que existe uma criatividade espontânea. Você precisa começar, e aí você faz. Tem que trabalhar né? O pessoal enfeita demais isso. Ninguém pergunta para uma empregada doméstica: Como é que você mantém essa sua energia? Todos os dias a senhora passa e cozinha! Tem uns caras que escrevem bem de primeira. O Clovis Rossi da folha (Folha de São Paulo), por exemplo, de primeira ele já faz um bom texto. No meu caso não. No meu caso eu tenho que fazer muitas vezes.

E como foi sua experiência nos curta-metragens?
Na verdade eu gosto muito mais de curtas do que de longas. É uma vida mais divertida. Você não tem tanta dor de cabeça, viaja muito mais. Tenho muita saudade do curta-metragem, mas depois que eu fiz o longa já não dá mais pra voltar para o curta porque a maioria dos editais deixa de fora quem já fez um longa. Então como eu já fiz longa, na maioria dos concursos eu não posso entrar, porque o pessoal considera que o curta é uma escola para o longa, mas não é. Ele é uma coisa em si. Eu poderia fazer curtas a vida toda mas agora não dá mais.

Mas apesar do curta não ser uma escola para o longa, eles devem ter servido de suporte para a realização do longa.
O curta também é uma escola. O que eu quis dizer é que ele não é só isso. O curta é bacana em si mesmo, não é que ele seja só uma escada para o longa-metragem, ele em si já é importante. Mas você aprende muito fazendo curta. Você aprende como lidar com equipe, como colocar a câmera. Você filma e monta e aí você vê o resultado do que você fez e aí você aprende mesmo a filmar. O curta tem mais liberdade, porque no longa você tem uma certa regra dramatúrgica e tal né? O curta pode ser mais doido. Como ele tem pouco tempo, pode ser feito em formas diferentes, e o curta é até melhor quando é feito de formas diferentes.

E essa história de editais. Quando você começou a produzir, já começou através de editais?
Os meus dois primeiros foram como aluno através da ECA e o terceiro eu ganhei um concurso. Foram três feitos por concurso, um eu paguei do bolso e dois foram feitos pela escola.

Morte e amor são temas recorrentes em seu trabalho. São temas que você busca naturalmente?
São temas recorrentes na vida né? O que tem pra se falar, além disso? Não sobra muita coisa. O poder talvez, mas acho que amor e morte são os dois maiores temas. Eu fiz curtas sobre morte, tentei conseguir dinheiro para fazer um documentário sobre morte, mas não ganhei dinheiro em nenhum edital e acabei não fazendo. A morte é um tema até mais recorrente pra mim do que o amor.

O que diria para os novatos do mundo do cinema? Para quem já produz seja de forma independente ou não, ou para quem ainda quer começar.
Acho importante fazer. Fazer bem feito. Porque através dos curtas você vai chegando a outros lugares também. Por exemplo, fazendo curtas eu cheguei no Retrato Falado, aquele programa da Globo com a Denise Fraga. Os caras viram os curtas, hoje em dia todo mundo vê curtas, você coloca no youtube, pode fazer sucesso, os caras te chamam. Dá pra usar o curta como trampolim para outras coisas, ou só para se divertir mesmo.

Curtas de Torero disponíveis na net:
Amor!
http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=68
Morte.
http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1513
A alma do negócio
http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=50
É dando que se recebe
http://www.youtube.com/watch?v=iY1F8XdJonI

Torero Entrevista Torero
http://www.youtube.com/watch?v=MQLX-LTmTm4

Betinho Sanatório responde

In Sem-categoria on Outubro 23, 2007 at 2:55 pm

Me perguntaram se era melhor morar em casa ou em apartamento

Prefiro morar em apartamento.
Em casa os indices de acidente domésticos que levam a morte são de 77% enquanto os acidentes domésticos em apartamento são de apenas 36%.
Isso quer dizer que você tem muito mais segurança em um apartamento.
Fora isso, numa casa é muito mais fácil que um assaltante pule seu muro e te mate dentro de casa, enquanto num apartamento isso só acontece se o assaltante for um alpinista equipado.
E também tem o fato de que muitos prédios tem porteiros e impedem a entrada de marginais e vendedores, nas casas o vendedor vai direto na sua porta e pode ser na verdade um assassino, e aí ele pode entrar na sua casa com uma faca, algemar toda sua família, estuprar sua irmã e depois cortar o pescoço de todos, deixando você por último para que sofra mais do que todos, depois ele começa a fazer vários cortes pelo seu corpo e deixa você sangrando até morrer, mas é claro que ele vai querer aproveitar pra faze-lo sofrer mais ainda e jogará sal nas suas feridas e quando você estiver gritando ele jogará alcool sobre o seu corpo e você gritará de dor e depois ele ateará fogo em você e toda sua casa será incendiada, ele irá embora levando o videocassete, porque na casa dele ninguém gosta de DVD, porque lá o pessoal é old school.
Por isso que eu prefiro morar em apartamento mesmo. É mais seguro. Só que é bom botar grades nas janelas porque senão o seu filho pode inventar de subir no parapeito, e aí ele pode cair lá embaixo e se espatifar no chão e um carro passará em alta velocidade em cima dele, o sangue do seu filho fará o carro perder o controle e deslizará na pista causando um acidente tremendo, as explosões dos carros matarão dezenas de pessoas e será preciso chamar os bombeiros e a polícia para socorrerem as pessoas que ficaram apenas queimadas, pois os mortos estarão carbonizados e será impossível detecta-los.
Na verdade eu prefiro morar aqui, na minha cela de hospício, aqui é bem mais seguro.

Entrevista: Rodrigo Luiz Martins

In Sem categoria on Outubro 21, 2007 at 11:49 pm


Um dos nossos colaboradores foi entrevistado pela curadoria do Festival do Minuto. Aqui vai a entrevista e o link do seu filme premiado no festival: “A CAPITAL DOS MORTOS”

http://festivaldominuto.oi.com.br/site/video.php?id=490

1. Quanto voce gastou para fazer seu video minuto?
O meu vídeo minuto “A Capital dos Mortos” faz parte de um projeto maior, um longa chamado “A Capital dos Mortos”, que está sendo editado aos poucos por ser uma obra audiovisual totalmente independente, feita com vídeo digital e pago com recursos dos realizadores. Sem dinheiro estatal, são mais de 2 anos de produção mais de 1 ano de filmagens e tem agora uma luta para sua finalização. Mas posso confirmar que utilizamos mais a criatividade do que dinheiro. É realizado na garra e luta, pois esse tipo de gênero não consegue nenhum apoio no Brasil. Foi de grande ajuda a comunidade do filme no Orkut e seu trailer no You Tube. Mesmo antes de ter filme pronto já contamos com um grande interesse do público. O objetivo do filme é seu lançamento em dvd.
Esse vídeo que mandei para o festival seria como um teaser de divulgação. Enviei também para o festival pois queria divulgar o título do longa, e foi uma grande surpresa ele ser selecionado e ainda ganhar um prêmio, que será usado para sua finalização.

2. O que acha do formato minuto?
Gosto bastante desse formato do Festival do Minuto. Sempre envio filmes para o festival e o vídeo digital permite uma boa experimentação sem precisar gastar muito dinheiro. Na maioria dos meus vídeos somente tenho o custo com transporte. Agora com a exibição de todos os vídeos inscritos no festival, no site, aumentou o interesse, pois qualquer vídeo pode concorrer aos prêmios e também obtermos uma resposta do público. Divulgar é essencial.

3. Já havia participado de algum concurso/festival anteriormente? Como foi a participação?
Já fui selecionado para outro festival do minuto com o vídeo “Adaptados”. Nesse ano entrei também com o vídeo “Pecado e Punição”.

5. O vídeo tem referências muito explícitas a filmes trash. Gostaria que comentasse um pouco a sua inspiração para o seu minuto.
Apesar de parecer influenciado pela linguagem trash o vídeo “A Capital dos Mortos” tem o objetivo de ser uma obra audiovisual de terror, suspense e aventura. Somos mais influenciados com o cinema de George Romero e Afonso Brazza, um cineasta independente bem conhecido em Brasília por seus filmes policiais de baixo orçamento.

Essa história de câmera na mão…

In Sem categoria on Outubro 21, 2007 at 10:53 pm

Por Katia Kreutz*
Não é de hoje que existe polêmica sobre como se deve aprender a fazer cinema. Em qualquer campo criativo, a função do instrutor é apresentar técnicas e possibilidades artísticas e de reflexão que ajudem a desenvolver o talento do artista. Arte e técnica são inseparáveis. Na criação de filmes, não é diferente – há muito o que se aprender.

Mas até que ponto uma escola de cinema pode atender às expectativas do aspirante a cineasta, no sentido de inserí-lo no mercado de trabalho? O que exatamente pode oferecer?

De acordo com a Wikipedia, enciclopédia virtual, uma escola de cinema (ou film school) pode ser definida como o “termo genérico para qualquer instituição educacional dedicada ao ensino da técnica cinematográfica, incluindo, mas não se restringindo à produção de filmes, teoria e roteiro”. Parece simples, mas cada palavra dessas: “técnica”, “produção”, “teoria” e “roteiro” tem um mundo enorme por trás de si. Nos Estados Unidos ou na Europa, os programas de filmmaking incorporam em seus currículos treinamento prático, como aprender a usar uma câmera ou software de edição. No Brasil, a maioria dos programas de cinema de nível superior abrem uma parte significativa da carga horária também para teoria.

Enquanto o gênio, ou talento (ou como quer que se chame uma pré-disposição natural para fazer algo bem feito) em geral nasce com a pessoa, a técnica para seu aperfeiçoamento precisa ser apreendida. Embora uma escola de cinema não seja capaz de transformar de um momento para outro um aluno no próximo David Lynch, ela pode e vai lhe ensinar enquadramento, continuidade, montagem, iluminação, e uma série de outras técnicas úteis em qualquer set de filmagem do mundo profissional. Para quem quer se especializar, esse conhecimento técnico é indispensável e alguma qualificação é essencial.

Como se aprende o ofício – se numa escola, ou como autodidata – é outra questão. Se por um lado, diretores como Martin Scorcese, Francis Ford Coppola e George Lucas vieram de renomadas escolas de cinema (NYU, UCLA, USC), outros cineastas premiados como Quentin Tarantino e Paul Thomas Anderson nunca tiveram nenhum tipo de educação formal.

Não há receita para se chegar ao topo. Como o cinema aparenta ser um universo tão atraente, é óbvio que tem muita gente querendo trabalhar nele. Os obstáculos para se entrar nessa área são muito maiores do que se imagina. É difícil conseguir uma chance, mesmo para os mais talentosos. Uma das vantagens das escolas, é que fazer parte de um programa de cinema possibilita que se crie uma rede de contatos, sejam com professores (profissionais da área) ou ex-alunos que agora atuam profissionalmente. Os colegas de classe também são uma fonte valiosa de conexões. Ao longo de um curso extensivo você faz parceiros que podem se tornar seus futuros colaboradores e colegas de equipe. Se eventualmente um desses colegas for bem sucedido, você ainda corre o risco de ser contratado por ele.

Mesmo durante o curso, o retorno que se recebe de professores e colegas, pessoas com um olhar apurado, é sofisticado e inteligente. Essas são as pessoas irão ajudá-lo a melhorar o seu trabalho, de modo que, com alguma perseverança e boas idéias na cabeça, você possa se tornar um cineasta competente e quem sabe um dia – famoso. É quase impossível encontrar um grupo de pessoas com essa consciência fora de um ambiente escolar. As dicas e conselhos desse público específico podem ser úteis para o resto de sua carreira.

Além disso, bons professores tendem a incentivar o aluno a trabalhar duro e a conseguir o melhor de si, ousar mais do que ele ousaria sozinho, fazendo filmes com seus amigos. Mesmo para aqueles que pretendem criar filmes experimentais de linguagem inovadora, ignorar que existe uma história e teoria do cinema para se aprender é ingenuidade. Há sempre alguém que sabe mais do que você, e com quem você certamente poderia estar aprendendo a realizar um trabalho mais consistente e interessante.

No cinema, ter um diploma ou certificado não parece ser tão importante como em outras profissões. De qualquer forma, a indústria vê com bons olhos os jovens profissionais que se formaram em instituições de qualidade, com profissionais respeitados. A credibilidade ajuda o iniciante a se estabelecer no mercado.

Interessa também o que você realizou. Para isso é necessário tempo e dedicação, além de uma porção de equipamentos que não são nada fáceis de se obter a preços módicos. Se você opta por uma escola de cinema que lhe ofereça toda essa estrutura, de quebra poderá contar com um grupo de colegas com os mesmos objetivos, dispostos a levar o projeto adiante. É muito difícil fazer tudo por conta própria, por mais independente que você seja. Uma escola lhe oferece o espaço para colocar suas idéias em prática.

E acima de tudo, uma escola lhe permite errar. Fazer e refazer. Oferece continuidade, a segurança de apostar na carreira, já que você investiu esforço, tempo e dinheiro nisso. Por que não usar o dinheiro que você gastaria num longo curso de cinema para comprar sua própria mini-DV e um potente Macintosh? Porque uma escola é muito mais do que as maravilhas tecnológicas a que você terá acesso. É a possibilidade de trabalhar com película sem culpa, ter estúdios apropriados ao invés do quintal da sua casa, e principalmente contar com a orientação de quem entende do assunto. São essas as únicas pessoas capazes de mediar seu ego, que já alcança proporções cinematográficas mesmo quando você ainda está se aventurando em filminhos de celular.

Uma escola de cinema também dispõe de um acervo de livros e filmes que você nunca encontraria na locadora da esquina. E essa mesma escola vai tentar divulgar seu trabalho além do seu círculo de amigos, em exibições e festivais que tragam visibilidade a pequenas experiências cinematográficas que em geral seriam simplesmente ignoradas. Afinal de contas, ninguém faz filmes apenas para receber os elogios da própria mãe.

Aprender fazendo – pode ser uma faca de dois gumes. Se a Internet e o cinema digital oferecem a qualquer um a chance de fazer filmes, também estimulam a proliferação de lixo. Aprenda fazendo, mas aprenda com quem sabe o que está fazendo. O futuro do cinema no Brasil e a própria criação de um mercado auto-sustentável dependem de agitadores culturais, de pessoas ou instituições que incentivem a produção cinematográfica. Em resumo, a não ser que você se considere o novo Tarantino, escolha uma boa escola de cinema.

* Katia Kreutz formou-se nos Programas Anuais de Cinema da AIC, Filmwoks e Craft, e dirigiu os curtas-metragens Linhas, Artefato Violento e Ininterrupto.

O acordeão de mamãe

In Sem-categoria on Outubro 20, 2007 at 9:33 pm

“Até que hoje não demorou muito”,
…eu disse à mamãe no dia que ela saiu da quitanda antes do sol se pôr. Ela estava cabisbaixa, um homem saiu, arrumou o cabelo e acenou de longe para mamãe, ela não acenou de volta, “Vamos filho” disse. O tempo ameaçou chover, mas a chuva braba só começa amanhã, hoje a pinguela está fraca. Mamãe me deu a mão. Atravessamos a rua e subimos pra casa. Tomamos o café tedioso de todas as tardes. Desde que papai morreu que era assim. Durante a noite mamãe pegava o Acordeão e sibilava os mesmos acordes que usava para acalmar papai da doença dos nervos que ele tinha. Na época, todos nos acalmávamos, papai dormia, eu dormia e mamãe tomava um copo de leite antes de se deitar.

Quando mamãe passou a receber visitas no final do expediente ela quebrou o compromisso sagrado que tinha comigo e com papai, o de nos tranqüilizar. A quitanda não gerava lá muito dinheiro, e os homens que visitavam mamãe depois do expediente, sempre deixavam algo em torno de cinqüenta reais, que nos ajudavam nas despesas. E todo os dias depois da jornada dupla, ela tocava a mesma canção, por vezes emendava em outras melodias, mas sempre começava com a mesma música. Quando começaram os dias chuvosos, mamãe me comprou um guarda chuva, para que eu esperasse do lado de fora da quitanda enquanto ela atendia o cliente.

Um dia mamãe chorou sobre a mesa de jantar, sem nenhum motivo aparente. Eu nunca contei nada para ela, mas sempre que começava com aquele acordeão eu me trancava no quarto e tampava os ouvidos com o travesseiro. Não deixei cartas, não deixei nenhuma explicação, mas os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio.

Efêmera e ilustre narrativa

In Sem-categoria on Outubro 18, 2007 at 10:52 pm

Querem saber como conhecí a revista Piauí? Claro que não, mas vou contar

Eu fui jogar basquete na faculdade aqui perto de casa e quando acabei o jogo tomei uma água e veio um sujeito conversador cheio de perguntas. Era gente boa, falava muito mas tinha um tremendo mau hálito. Ele falava perto do rosto, como ninguém faz, um “close talker”, além disso, acho que ele não tinha nenhum senso de percepção alheia pois para evitar o mau hálito do sujeito eu dava passos para trás e a cada passo que eu dava para trás ele avançava um. Ele queria ser bem ouvido, e pelo jeito cheirado também. Quando eu me ví já tinha cruzado uma distância de dez metros, a conversa foi longa e tive chance de dar muitos passos para trás e ele de proseguir um para frente.
O sujeito contava sobre a experiência dele tentanto converter um cálculo truncado como se isso fosse um filme de ação, percebendo que essa conversa iria longe eu me virei de costas e corrí, corrí o máximo que pude. Ele era um sujeito tão sem noção que eu não me importei com o que ele ia achar da minha reação. Enquanto corria eu pensava “Porque as pessoas com mau hálito falam de frente?”
Foi quando me deparei com a banca de revistas do posto de gasolina, já fora da faculdade. Como eu teria que pegar o ônibus de volta para casa comprei a primeira revista interessante que eu ví. Admito que escolhí a Piauí só por causa de sua capa chamativa, um Bart Simpson na camisa de um Che Guevara, dois personagens mitológicos da era pop, me lembrei, por algum motivo, a revista MAD por vários motivos. Primeiro por causa do tamanho diferenciado, a MAD era menor, mas tinha um tamanho diferenciado, o papel da Piauí é melhor do que o papel da MAD mas tem uma textura quase semelhante àquele papel higiênico no qual eu era viciado e de onde tirei todas as lições do meu humor babaca e por último a revista era repleta de textos com títulos estranhos, diferentes, ilustrações de artistas diversos. Pensei “esta aqui deve ser uma MAD para adultos”, é óbvio que depois de lê-la percebí a genialidade distinta das duas revistas, mas assim como com a MAD, nunca mais parei de ler.

Como fazer projetos

In Sem categoria on Outubro 18, 2007 at 7:34 pm

Em uma das edições do DOC TV foi disponibilizado um curso didático que ensinava os concorrentes a fazer projetos audio visuais para concorrer ao concurso de documentário.
Foi elaborado um manual didático para a “Oficina de formatação de Projetos”. O manual tem, entre algumas dicas, dois projetos completos para análise. Nada como conhecer um bom projeto para ter uma base de como elaborar um outro projeto. O manual é voltado para a produção de documentários mas tem algumas dicas que podem ser muito úteis para aqueles que também estão interessados em produzir ficção.

É assim, enquanto o governo cria mecanismos complexos que só mesmo os envolvidos e ativos na política são capazes de compreender e decifrar, o trabalho de explicar os métodos e artimanhas do sistema fica para as instituições nas quais ainda resta um certo bom senso, coisa rara no sistema audiovisual de apoio aos realizadores.

a) Proposta de Documentário
(Descreva a idéia cinematográfica/audiovisual do projeto de documentário. Essa
idéia deve conter em si uma visão original sobre os fenômenos abordados. Não se
trata de descrição do tema ou de sua importância. Ao descrever a proposta, o autor-
proponente pode apontar documentários de seu conhecimento e/ou outras
referências que tenham proposta semelhante.);

b) Eleição e Descrição do(s) Objeto(s)
(O documentarista se relacionará com o que/quem para levar a cabo sua Proposta
de documentário? Exemplos: personagens reais; produtos materiais e imateriais da
ação humana; materiais de arquivo; manifestações da natureza etc.);

c) Eleição e Justificativa para a(s) Estratégia(s) de Abordagem (Como o documentarista se relacionará com cada Objeto eleito? Exemplos:
modalidades de entrevista; modalidades de relação da câmera com os personagens
reais; reconstituição ficcional utilizando personagens reais; construção de paisagens
sonoras e/ou imagens abstratas; introdução proposital de ruídos sonoros e/ou visuais; modalidades de locução sobre imagem; formas de tratamento dos materiais
de arquivo sonoros e/ou visuais; etc. Justificativa de cada Abordagem descrita.);
Simulação da(s) Estratégia(s) de Abordagem (OPCIONAL)

(Imagens simulando proposta de captação e/ou edição de imagens, sugerindo
possibilidades de enquadramento, de movimentação da câmera, e tratamento visual.
Texto detalhando proposta de captação e/ou edição de sons, sugerindo propostas de
foco sonoro, tratamento sonoro, utilização de ruídos e sons ambientes, e utilização
de músicas como ilustração ou escrita. Não serão aceitos materiais audiovisuais de
qualquer natureza, como cd, dvd, vhs etc.);

e) Sugestão de Estrutura
(Sugestão de estrutura do documentário a partir da(s) Estratégia(s) de Abordagem.
Não se pretende a descrição definitiva do que será o documentário, e sim uma
exposição de como o autor-proponente pretende organizar as Estratégias de
Abordagem no corpo do filme. A apresentação pode ser feita livremente a partir de
texto corrido ou blocado);

f) Autorização de Cessão de Direitos Autorais, caso o projeto de documentário faça uso de obra de terceiros.

g) Autorização do Uso de Imagem de personagens reais e/ou de comunidades
imprescindíveis à realização do projeto de documentário.

h) Plano de Produção e Cronograma Físico-financeiro

i) Orçamento (com previsão de impostos)
Manual completo

Conforme conseguirmos mais dicas, ou idéias para desmistificar os mecanismos governamentais de apoio, traremos a vocês através desse blog, quem sabe com pequenas contribuições como essa, nascendo aqui e alí, nós podemos botar pra funcionar esse diabo dessa democracia empacada.

Metáforas Visuais – Jardins da mente

In Sem categoria on Outubro 16, 2007 at 4:36 am


Não vou gastar tempo e linha dizendo que é minha primeira vez aqui, e que a primeira a gente não só não esquece, como não sabe muito bem o quê e como fazer.
Desventuras de um dia é a saída do meu post, por ser um curta em animação, está recheado de elementos metafóricos/visuais muito interessantes. Mas e o que são elementos visuais? De onde e por onde vai a visualidade em um contexto tão amplo como o do audio-visual?
Em todo entremeio visual há signos e ícones do coletivo sendo usados, explorados e amplificados em seus significados mais “paupáveis”. O fato de Desventuras se tratar de uma animação torna todo este processo de leitura mais acessível, e no entanto não necessariamente mais óbvio. Ao lidar com a leitura da expressão facial ou corporal de um ator em uma cena, há toda uma identificação pelo fator de ser outro ser humano,com o qual, através do olhar interagimos emocionalmente. Diferente de estar em contato com imagens que sugerem não uma, mas diversas metáforas visuais, desde seu sentido mais direto até suas sutilezas.
A mente é um jardim, repleto dos mais variados espécimes de idéias, sentimentos, sensações de sentimentos, sensações de idéias, e imagens. As quais intuitivamente associamos a esta demanda mental, tendo assim um acervo metafórico/visual parecido e distinto ao mesmo tempo. Parecido porque fazemos parte de um coletivo, este com seus próprios códigos visuais, sejam culturais ou “globais”. Como as cores dos sinais de trânsito e os símbolos do sitema matemático: imagens.
Distinto porque cada um possui em si impressões vivências únicas para cada um dos elementos mais básicos do visual, sejam eles – linhas, cores, formas, etc;
Até imagens completas, como no curta os seus personagens: Luiza, que como os demais passa por intensas, mas um tanto quanto mais marcantes metamorfoses visuais, até o Roberto, o nerd caracterizado em verde, por assim ser a cor dos circuitos, ou para quem está lembrado do DOS , uma referência também encontrada no filme Matrix. Aí estão algumas metáforas visuais óbvias, e assim teriam que ser para que a linguagem atingisse o patamar comunicacional esperado. Mas e o que sentimos quando vemos Luiza transformar-se tantas vezes perante a um sitema, significado primeiramente em um trânsito absurdo, no estilo “o mundo nunca pára”, até seus momentos mais intensos: a inferiorização, e a submissão pela escolha de prioridades, no caso o trabalho.
E trabalhamos para quê mesmo? Para desfrutar os frutos dos mesmo, mas e a qual custo? Uma vida pessoal quase mínima e que ainda assim acolhe Luiza como consolo e válvula de escape do sistema em que entra com um objetivo muito parecido como o meu e o seu: ser alguém pelo o que faço. E não pelo como ou o quanto faço, ou o número que represento…
Um querer sonhador, honesto e angustiante, paralelamente, Luiza está trancada em quadrados tanto quanto nós mesmos. E a arte a nos explicitar com metáforas lúdicas, inteligentes e curiosas todas estas questões em apenas 10 minutos de animação.

Ficha Técnica

Produção: Lia Nunes Roteiro: Adriana Meirelles Animação: Thomas Larson, Adraiana Meirelles, Ana Paula Indalêncio, Bruna Britto, Marcelo Fahad, Paulo de Souza, Rogério de Souza, Sylvain Barré, Estúdio Usinanimada Produção Executiva: Lia Nunes, Gianni Puzzo Mixagem: Álamo Trilha Sonora: Curumin, Gustavo Lenza Boneco: Naná Lavander Cenários: Bruna Britto, Eloar Guazzeli, Nádia Pitta;

Por Pkna Imperatriz

O sacrifício do homicida bem intencionado

In ficção on Outubro 14, 2007 at 4:41 am

Assassino! Assassino! Eu repito! Assassino!

Lua Nova. O nariz de Gufo escorrendo loucamente. As vias nasais infestadas não contem o sangramento. Ele está indisposto. Há secura. Há gripe. Há dor de cabeça. Não há sono. Do outro lado da parede as estacas se repetem! É o ritmo a-cardiaco de uma festa jovem, a geração rave. O gosto musical foi trocado pelo amor às construções. É uma dor característica, a dor da velhice. Gufo está tão antiquado que os jovens parecem pertencer à outra geração, não fosse ele próprio, o Gufo, um jovem. “Não se dão conta da própria mortalidade, por isso celebram”. Gufo não. Gufo sabe que vai morrer amanhã.

Encostado na parede gelada o nariz começa a escorrer. O mal humor que carcome os restos de bom humor que ainda existe na massa encefálica de Gufo, “ha ha”. Está doente, sinal de que está vivo. Soem as cornetas, tem um homem vivo em cima do colchão mofado! O rádio chama, não precisa responder, não há vida social. Gufo não tomou droga nenhuma, mas ele já não consegue distinguir as pessoas. Não existem faces em seus rostos, são todas iguais, tão perfeitinhas que dão nojo. Nem todas dão nojo, algumas dão nojo, outras dão pena. Gufo salva os rostos de quem sente pena, e depois sente nojo de todos eles. Quanto mal humor Gufo, ria um pouco, “ha ha”.

Matina. Gufo passeia pela rodoviária. Presta atenção na curiosa vida humana diária, ele é um forasteiro. Ouve a flauta de longe e compra um jornal novo em folha. Quanta desgraça há no dia a dia dessa gente! É incrível que não se lembrem de que um dia também farão parte da estatística de mortalidade que lêem na vitrina da banca de jornais em alguma tribuna diária.

“Ha ha”, vejam só que graça, não foi o jornal que apontou uma desgraça hoje! Foi a nota de um real que Gufo recebeu de troco. Há um pedido de socorro em letras tremidas, foi escrito às pressas. Uma nota de SOS, tão romântica quanto uma “message in a bottle”. A nota é um pedido de socorro escrito por uma garota adolescente. Foi sequestrada. Gufo promete salvá-la, sem postergar, sem procrastinar. Há hospitalidade em seu coração, resquício de amor.

Madrugada. Com as costas grudadas na parede gelada, Gufo rancoroso deixa as gotas do suor brotarem pelos póros fedidos. “Pára que banho se vou morrer?” é o que ele pensa. A dor de cabeça é a dor do mundo, está toda nele, em sua pequena e quebrantável cabecinha de homúnculo que ele é.

Há um livro sobre a mesa, não é um livro qualquer, é O LIVRO, preto escuro, com a capa bonita e as bordas das páginas são douradas. Comprou por uma nota de um homem religioso. Gufo não teme ao Deus dos Cristãos, mas tem fé. Tem fé em alguma outra concepção de Deus que sua mente deformada ousou definir. Seleciona o versículo mais apropriado. Folheia com cuidado, não cometa a blasfêmia de rasgar uma dessas páginas tão caríssimas à lembrança histórica da humanidade. São a seda do livro mais puro e sagrado, “é o que dizem”. As letras aqui contidas não trazem conforto nessa hora tão imprópria, a noite que precede um assassinato: “aquele que ferir com intensão de matar e matar, homicida é. O homicida certamente morrerá”. “Ha ha”.

Há um homicida a solta. Gufo há de tornar-se um homicida pela manhã. O Algoz do algoz. O homicida deve pagar pelos seus crimes, porém tanto ele quanto Gufo terão que morrer. O executor também é homicida.

Aurora. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Homicida que mata homicida…
homicida é!

O virgem Vitinho

In Sem-categoria on Outubro 11, 2007 at 10:39 pm

Vitinho vai transar pela primeira vez
A garota? Sua vizinha da casa ao lado voltou de uma longa viagem a Londres. Dizem por aí que ela voltou com as pernas fumegantes.
Carol deixou explícito de forma bem didática que queria “fazer amor” com Vitinho. Depois de um ano de viagem, disse Carol, “você parece mais moço, não tem mais espinhas, já é um homenzinho”. Apesar de ser fã de JackAss e Linking Park, Vitinho aceitou o desafio.

Raciocinem comigo, para um garoto de desesseis anos esse é um elogio e tanto. A razão da ausência de espinhas é que a mãe de Vitinho o obrigou a comer diariamente uma receita milagrosa para nutrição. Vitinho continua pele e osso, mas perdeu as espinhas. As meninas agora o acham “fofo”.

Vitinho conhecia a moça da farmácia. Carol só transava de camisinha, aprendeu com algum inglês: “Don´t believe even in a virgin”, isso é o que ela lembra, apesar do mau inglês, que aprendeu aos trancos e barrancos, paus e sopapos.

Vitinho conhece a moça da farmácia. Precisaria de comprar camisinha na rodoviária. Imagine só o vexame de pedir uma camisinha a farmaceutica. Ele pegou o ônibus até a rodoviária, lá ninguém o reconheceria. Percorreu a farmácia, encontrou as benditas camisinhas. Eram muitas. Qual seria o modelo mais apropriado para um virgem? Ele pensou. Eram tantos sabores, mas o pensamento dele não estava em comer a Carolzinha, com aquelas pernas brasileiramente envolventes que ela tem, e sim em não ser visto portanto uma camisinha.

Cabisbaixo escolheu o modelo genérico; na dúvida fique com o seguro. A moça do caixa olhou para ele. Se fosse experiente, Vitinho perguntaria: “Tem como testar com você primeiro?” mas apesar do decote sobressaltado a moça parecia por demais ameaçadora. Ereção sobre o balcão, vergonha dupla para Vitinho.

Saiu da farmácia, no meio de tanta gente desconhecida passou suado com a camisinha guardada dentro de uma sacola plástica da farmácia enfiada no bolso.

Chegando em casa desfrutou Carol por quinze segundos. A penetração, conseguida depois de muitas tentativas e erros, mostrou-se tão maravilhosa quanto adentrar no reino dos céus num escorregador forrado de veludo.

No dia seguinte a mãe de Vitinho achou o pacote de camisinha aberto debaixo da cama. Ela reclamou, mas Vitinho nem se importou.
Ele não era mais virgem.

As graças da vida

In ficção on Outubro 11, 2007 at 8:28 pm

A vida sempre tem que ter alguma graça
Quando eu era pequeno a graça era sentir o feltro macio da coberta, as mãos da minha vó ou da minha mãe banhando meu minúsculo corpo de bebê.
Depois disso a graça era descobrir o mundo, enxergar pessoas, tocas as coisas, reconhecer a minha presença no espaço, até pensar fazia côcegas. A graça tambem era a comida amassada, só abóbora que não tinha graça. Mamar no peito, balançar no cólo e até golfar tinha lá sua graça.

Poucos anos depois a graça era bater. Queria ser forte e bater nas outras crianças, aí um dia eu apanhei e perdeu a graça. A graça era rir a toa, brincar de pique esconde até tarde debaixo do prédio, ou de polícia e ladrão, mas minha mãe sempre me chamava pra dormir, tinha aula no outro dia, oh coisa sem graça. Vida de adulto não tinha graça. A graça passou a ser fugir, me tornei um pequeno delinquente, a graça era a liberdade, descobria o mundo novamente, com os pés descalços, roupas sujas e um disfarçado sorriso selvagem.

Minha adolescência não teve muita graça. Crescí de repente. Eu era feio e desengonçado. Muita acne. Eu era a graça involuntária em pessoa. A adolescência não teve graça.

Aí teve outra graça, anos depois. Me apaixonei, amei de verdade pela primeira vez, mas por não ter namorado o suficiente na adolescência não sabia lidar com essa coisa estranha que era uma menina. E perdeu a graça. Na verdade a vida perdeu a graça, por uns dois anos nada teve graça depois dela. Nem a comida tinha graça, nem a obrigação cansativa de sair todos dias de casa, ou a convivência em familia.

A vida voltou a ter graça quando eu escapulí da minha cidade trabalhando como artista de rua. De Brasília, rasguei o Brasil ao meio, até o Recife. A graça era fazer graça aos outros, eu era um palhaço e novamente eu era a graça em pessoa. Dessa vez a graça era espontânea e sincera. Meu trabalho era ser ridículo. E essa foi uma das graças mais sublimes que eu já viví. O poder de conter a platéia, de trancar respirações e não só sentir graça, mas causar graça. Saber que aquele silêncio é uma espécie de medo e respeito. Algumas pessoas admiram os palhaços, outras morrem de medo. Ninguém ignora um palhaço, eles são anjos livres. E o nariz clown, a máscara que mais revela, trouxe de novo a graça do mundo para mim.

De volta a Brasília a graça foi sair de Brasília novamente. Descobrir por um ano o frio de curitiba, viver coisas tristes, jogar basquete na praça, caminhar pela chuva quase diária. E depois a graça foi morar um ano no meio do caos paulista e a graça foi sofrer nas mãos da cidade e voltar experiente, com malícia e entender o jeito de lidar com o caos, os últimos meses em São Paulo foram tão sublimes de graça quanto os meus tempos de palhaço. Tempos de liberdade e descoberta. Estava ativa a capacidade de criar novas aspirações, de descobrir novas graças para vida.

E hoje, de volta a Brasília, muito mais ligado às letras, a escrita e às palavras a graça é descobrir que com essas letras posso fazer muita coisa. Através delas e por causa delas posso conhecer pessoas admiráveis e receber respostas de outras pessoas admimiráveis. Perde um pouco da graça quando me sinto incapaz, quando falta inspiração, quanto perco a prolifidade. Mas isso costuma voltar, e enquanto voltar está tudo bem.

Amor pela vida, esta é a graça.

Teaser HOMICIDA É!

In Sem categoria on Outubro 11, 2007 at 4:19 am

Homicida é!
Esse nome saiu de um trecho da bíblia que diz “Aquele que ferir com intensão de matar e matar, homicida é. O homicida certamente morrerá”. A Bíblia é cruel, especialmente no antigo testamento.
Gufo é um cristão fervoroso que não anda conforme o resto das ovelhas. Gufo planeja encontrar um assassino que ataca no entorno de Brasília. Gufo o persegue vigiando a frequência de polícia em seu rádio amador, e mantendo uma leitura diária do jornal mais sangrento de Brasília “Na Polícia e nas ruas”. Gufo é um codinome de Radio Amador, assim como Rato é o codinome de seu amigo com quem conversa há mais de ano sobre os crimes que ele planeja desvendar.
Rato oferece sua ajuda a Gufo quando percebe que ele está próximo do caso o suficiente.
Essa é a base da história. Não vou me prolongar aqui relatando o desenrolar da história.
Homicida é! é um curta independente filmado no esquema Cinema de Guerrilha (conceito esse que planejo esclarecer aqui mesmo, em breve) realizado em Brasília. Eu Gustavo Serrate escreví e estou dirigindo. Os atores envolvidos são Yan Klier, Tobias Velho, Pingo, Gustavo Guta entre outros. Fomos autorizados por Alvin Curran, um premiado compositor americano, para fazer uso de suas obras de música experimental no filme. E esperamos a aprovação da música Brother do Jorge Ben, de seu cd “Jorge Ben e a Tábua de Esmeralda” de 1972.
As filmagens do curta já começaram e segue aí um teaser para provocar os espectadores.

Sua cara é a sua fortuna

In Sem categoria on Outubro 9, 2007 at 4:04 am


“Sua cara é a sua fortuna” diz o ditado feito especialmente para Marty Feldman. Se refere aos seus olhos esbugalhados, uma doença congênita que somada ao seu talento lhe fez famoso. Antes de tudo foi um trompetista, mas quase que inevitável, se tornou comediante, Escritor, Ator, Clown e um completo “performer”.
IGOR é o corcunda que Marty interpreta ao lado de Gene Wylder no clássico da comédia “O Jovem Frankenstein”, dirigido por Mel Brooks. Em Londres, onde nasceu, fez parceria com Barry Took, outro comediante escritor, para o Canal Inglês “British Television Broadcast”. Participou de especiais com a trupe “Monty Python” e teve grande sucesso na TV e no Cinema.
Feldman Morreu Jovem durante a produção de um filme no México. Segundo seus próprios amigos, Marty foi uma “alma gentil” que o mundo perdeu.

Sketches

O mecânico
http://br.youtube.com/watch?v=2D6C227I-go

Os coveiros
http://br.youtube.com/watch?v=Am5wJEGJ-sY

O casal
http://br.youtube.com/watch?v=HlUdrJ6RPeA

Esquadrão de Bombas
http://br.youtube.com/watch?v=j51z9rRbJxY

Os turistas
http://br.youtube.com/watch?v=Z7CpkzJU9kA

Futebolista Paraguayo
http://br.youtube.com/watch?v=zqQaLnj7uNg

O Grande Sino
http://br.youtube.com/watch?v=Vt9Jb3FhNA4

Silent Movie
http://br.youtube.com/watch?v=Phu_L7st9CA

Ladrão na Livraria
http://br.youtube.com/watch?v=Ig0oaTM2AIk

A solidão do Golfista
http://br.youtube.com/watch?v=uODGpzYqGDg

O psiquiatra
http://br.youtube.com/watch?v=MTwf2ZpEhjA

Pequenos frascos de poucos minutos

In Sem categoria on Outubro 4, 2007 at 5:27 pm

“Enfleurage”, consiste em impregnar as substâncias aromáticas em cera e depois extrair o óleo com álcool. Também são utilizados compostos químicos aromáticos.


A Enfleurage é uma das etapas da produção do perfume. O processo como um todo é complexo e envolve centenas de variáveis, os resultados obtidos agradam a alguns e causam asco em outros. São guardados em pequenos frascos e distribuídos às gotas.

O curta-metragem é uma espécie subestimada. Setenta minutos de embalagem não é sinônimo de valor artístico em um audio-visual. Muitas vezes o cinema parece minguar com suas repetições, teorias sydfieldanas, blockbusters, fórmulas prontas, clichês cretinos, paradigmas patéticos, monomitos miseráveis e outras baboseiras que o excesso de praticidade acarretam. O curta-metragem é um espaço de liberdade de expressão, o criador pode experimentar sem medo de errar e muitas vezes essa experimentação renova a esperança no cinema. Percebemos que muita coisa nova pode sair deste Kinema, porque o curta reinventa a roda, as vezes faz com que ela gire melhor, outras vezes ele faz uma roda quadrada só para que saibamos dar mais valor a roda redonda ou inventa uma forma de se rodar sem uma roda. O curta é reinvenção, recriação, reconstrução e construção também a partir do zero absoluto (porque não?).

E vou te dizer mais uma coisa, 20 minutos, um minuto ou dez segundos, tudo isso é tempo mais do que suficiente para que esse “parfum” fique cravado na memória, como se fosse o cheiro do pescoço da primeira namorada. O curta recicla, inventa e contesta. As vezes o curta simplesmente é, por algum motivo, “aconteceu”!

É por isso que este blog foi criado! Vamos conhecer alguns curtas, analisá-los, fazer críticas, conhecer os seus criadores e alimentar os nossos leitores com alguns aromas novos. São possibilidade audio-olfativa-visuais.

Espero que gostem do blog