Acordei de um sonho esmurrando o travesseiro. Queria esfaquear um imbecil. Queria matar também os que me ofenderam, os que me botaram pra baixo. Os piadistas que fazem humor da minha desgraça. Queria ver um pouco de sangue pra variar. Cansei do Romance, o romance é por definição utopia, no Romance é tudo perfeito, até os conflitos acabam da maneira como seu autor gostaria que acabassem, mesmo quando se tratam de Romances com finais tristes. Eu queria fazer um não Romance, uma prosa da vida real, um não ficção e esfaquear estes que me estapeiam.
Posts de Junho, 2007
Perdendo os objetivos
In Sem-categoria on Junho 24, 2007 at 4:18 pmPode uma pessoa se auto impor certos objetivos e com o levar do tempo desgastar-se como pedra sabão, deixando vazar pelo ralo os interesses pelo qual estava alí?
Acaba se tornando um ser que quer mas não faz porque não age coerentemente.
Se dá aos vícios e às futilidades e termina por se entregar ao hedonismo, que por melhor que seja nos causa uma cegueira do que realmente vale a pena.
Nos tornamos com isso desprovidos de alma, pessoas sem o fôlego para seguir adiante carregando a tocha acesa, que nos propusemos a carregar. A tocha se apaga e mudamos de direção.
Temos o direito de esquecer das nossas próprias metas traçadas se são as metas que fazem de nós quem somos?
E se não, porque tantos o fazem?
Pennywise
Dying to Know
I’ll carry the torch – feed off my flame
love is the hottest word for me -
it knows my name
and your spirit cuts through me
like a silent sword
and leaves it’s score inside
everytime I take a chance – take it
everytime a rule to break – break it
everytime I change my mind – change it
everytime there’s suicide – you know
what’s on my mind
you’re everywhere I try to hide
I’m threatened by your suicide
I’ll test my faith till satisfied
my god I need to know. I know there’s
got to be a place
a heaven for the human race
why do I need to die
to go?
I need to know
I’m dyin’ to know
well good book says “love”
should be the best thing you can feel
so you gotta stand by your faith
exactly what they say is real
so you push this back in your mind
cause the thought was too intense
that don’t make sense
gotta hev it, I must know it
here is my only chance
and I ain’t gonna blow it
got to know before I’m outta time
I’m all out of time.
it’s burning a hole inside of me
answers to questions I seek
burning a hole inside
keepin’ the flame alive.
I will burn this flame until I know
the name I need to know
O Guardador de Canetas de Cristal
In ficção on Junho 22, 2007 at 8:15 pmBruno se sentiu culpado quando derrubou o guardador de canetas da diretora.
Ele já foi mandado para aquela sala para ESPERAR QUIETO, mas no tempo em que passou sozinho não conseguiu se aguentar sem mecher nas coisas e o que mais chamou atenção foi aquele guardador de canetas caro que ela mantinha sobre a mesa, tão idiota que ele se sentiu quando derrubou e viu o troço redondo, e caríssimo, rolar sobre a mesa, parecia câmera lenta, estava muito lento, tão lento mas tão lento que dava pra prever exatamente onde iria cair, exatamente na falha do carpete, na parte do chão onde não era macio, mas ainda assim não dava tempo de deter a queda. Bruno bem que tentou mas caiu e se espalhou no chão em mil pedaços e um barulho que até a secretária da escola havia ouvido.
O mais engraçado de tudo, foi que quando a diretora entrou na sala, depois de mais alguns minutos de espera angustiante, ele estava com a cara das mais santas do mundo, agora teria que aguentar uma briga não só por ter enfiado a cara da professora no bolo de aniversário da Joana, sua coleguinha de sala que já tinha completado 9 anos.
Bruno era claramente um exemplo de aluno desajustado, não só porque era bagunceiro, mas convenhamos que um garoto de 19 anos não deveria mais estar na quarta série.
Nós pessoas somos assim
In Sem-categoria on Junho 20, 2007 at 10:04 pmA gente nasce meio que assim, do nada, sem nada pra fazer, mas aí vem as primeiras vontades. A gente mama porque tem vontade, a gente come porque tem vontade, a gente caga e mija porque tem vontade, e também dorme porque tem vontade. E é sempre assim, tudo que a gente faz é por causa da vontade. Aí a gente inventou uma expressão pra designar o quão forte é a nossa vontade, a gente cunhou isso de “força de vontade”, “willpower”, “ranço”!
Daí a gente cresce, e conforme for nossa força de vontade, a gente acaba se envolvendo com o que a gente gosta. Se a força for fraca a gente cede às vontades dos outros e se deixa levar, mas é claro que nem tudo depende da força de vontade. Se a gente tem um filho por exemplo (*ps.: De acordo com as regras, duas pessoas de sexos opostos podem gerar outra pessoa fazendo um ritual de combinação) aí as nossas vontades ficam em segundo plano, para que a criação dessa nova pessoa possa ser feita de forma adequada. Existem pessoas chamadas de “filhas-da-puta”, que são pessoas que não ligam para as outras pessoas, se você for uma dessas *FDP, então você pode ignorar seu filho numa boa, sem remorso. Remorso é um troço que as pessoas não-filhas-da-puta sentem, mais tarde eu explico o que é isso.
Mas enfim, a pessoa acaba sendo movida não só pelas vontades, mas pelas ocorrências de suas vidas. Existem ocorrências internas e externas. A ocorrência interna é a própria vontade, uma força interior capaz de gerar acontecimentos no mundo exterior.
A força externa é um fator que influi na vida de uma pessoa fazendo com que sua vida tomasse rumos inesperados. À essa junção de vontade e fatores externos damos o nome de acaso, pois por mais que uma pessoa busque a autônomia de sua vida, ela está sempre sujeita aos acontecimentos diversos com que pode se deparar no dia a dia e no tempo na qual está inclusa.
Existem formas que uma pessoa dispõe para lidar com estes rumos da vida, cada pessoa escolhe o seu. Uma pessoa tem, supostamente, o direito de fazer suas próprias escolhas.
um pseudo charlatão comenta
In Sem-categoria on Junho 15, 2007 at 7:21 pmÉ melhor supreender uma pessoa que nos odeia, do que decepcionar uma pessoa que parece gostar da gente. Por isso algumas pessoas são distantes de quem deveriam ser próximos e próximos de quem deveriam ser distantes.
Simulei desmaio em dois casamentos
In ficção on Junho 11, 2007 at 8:47 amO primeiro casamento em que eu simulei o desmaio foi no meu, quando eu ia casar com uma mulher que estava grávida e eu nem sabia que era o pai. Quando eu estava no altar eu desmaiei.
De qualquer modo acabei casando com ela porque me obrigaram e eu reparei que desmaiar novamente não iria adiantar, até porque ela achou que eu tinha desmaiado de tanto que eu gostava dela. (Foi um desmaio falso perfeito, me orgulho disso)
A segunda vez que desmaiei foi quando minha amante se casou e me convidou para o casamento. Eu fiquei sabendo que ela e o novo esposo se mudariam para uma cidade do méxico, então quando o padre perguntou aquela famosa frase do “Se alguém tem algo contra fale agora ou cale-se para sempre” eu simplesmente desmaiei. Todos vieram me socorrer, inclusive ela, e quando eu ouvi a voz dela eu abri o olho rapidamente e dei uma piscadela pra mim. Ela entendeu que eu tinha arruinado o casamento dela de propósito.
Felizmente o casamento teve de ser adiado e o noivo dela acabou a largando por algum motivo que eu não conheço e para minha sorte agora eu tenho a minha esposa, de quem eu não gosto, e a minha amante, que eu amo.
O Olho que tudo vê
In cinema on Junho 11, 2007 at 8:07 amVocê está sentado. Silêncio. Sua própria respiração contida, sibilando ao passo de outra respiração dentro da mesma sala. Nos intervalos das duas respirações apenas um frio e pavoroso silêncio.
Seus olhos se abrem.
As paredes de aço maciço brilham vigorosamente. É tão perfeito. A inquietação no crescendo com o chiado da OUTRA respiração praticamente em sintonia com a sua própria. Você quer ter tudo mas não pode.
Um guardião Burlesco apoiado sobre três manoplas que sustentam o peso de seu grande corpo redondo de apenas um olho, que tudo vê. Respira, imóvel, estático, como se você não existisse. O ciclope, guardião do cofre metálico.
Se saísse de seu topor poderia facilmente erguer as imensas manoplas esmagando seu frágil crânio como casca de ovo, espremendo sua massa encefálica, os olhos seriam empurrados para fora de saus órbitas pela presão interna e seu cérebro implodiria, despejado como gosma através de suas narinas. O medo desse monstro torna gélida até a tua entranha. Ele fareja o medo.
Apesar do medo interno o farsante pode dissimular seu odor. Se por um segundo titubear o disfarce será arruinado. Se quer ser um bom farsante, precisa enganar até a sí mesmo. Precisa viver sua própria mentira.
Isto se chama verdadeira atuação. Assim funciona o jogo eterno entre câmera e ator. A câmera de cinema é o olho que tudo vê. A menor hesitação será captada e impressa num fotograma com precisão.
A câmera, para aquele que não entende seu poder, pode ser o maior inimigo do ator.
Nunca fita-la diretamente nos olhos, sob o preço de se tornar pedra. É preciso encarar a vida através do prisma dos olhos de um personagem ficcional para manter-se a salvo.
Só depois de aprender este fato o ator poderá enfim completar seu ritual frente a este olho e fugir deste cofre para ser ovacionado com olhos de sinceridade gratuita e de agradecimento do público por sua excelente performance.
Pois o ciclope guardião, longe de matar, eterniza os verdadeiros atores.
Saudosismo
In Sem-categoria on Junho 11, 2007 at 4:12 amTo sentindo falta de alguma coisa.
Orkut, tem uns velhos amigos por lá. Eles ainda se comunicam entre sí vez ou outra.
Ninguém fala mais comigo. Nem responde os recados meus. Será que eu era chato assim?
As vezes me pergunto se eram amigos mesmo.
Procurei pelo nome de uma ex namorada. Ela sumiu.
Mas tem outra lá. Parece estar casada e bem. Queria que fosse comigo, mas não é. Agora de tão longe eu percebo que se tivesse pedido a Deus a força que eu precisava, talvez fosse eu e ela. Não. Não era pra ser. Ela tá bem e feliz e eu não ia aguentar aquela cidade. Ela já me deixou bem cicatrizado.
E sobre o que eu faço, e a vida que eu escolhí. Foi naquela época que eu defini: Vai ser isso mesmo! Não tem outro jeito. Cinema, trabalho de guerra. Eu nascí pra isso. Não sou ninguém quando estou em outro lugar que não atrás das câmeras.
A maioria dos meus contatos, afetos e amizades foram através do cinema, e creio que assim será, porque como pessoa, sozinho, eu não sou completo. Nascí sem. Sem a outra parte fundamental que faz de uma pessoa uma pessoa. E a câmera me completa, a câmera, a possibilidade de esculpir o tempo me dá essa coisa de que eu preciso. E só com ela sou alguma coisa.
Ah. To triste. É um dia ruim, um dia morto. Será que alguém me aguenta num momento desses? Não quero me lamentar. Putz, é o medo que tenho, essa carência que vem às vezes. As pessoas detestam isso.
E aí me vem ela à cabeça de novo. No dia em que a gente terminou eu fui o mais fraco possível, cheguei a ponto de chorar. Eu tava disposto: Ou terminava alí, ou continuava pra sempre. Eu fui fraco e terminei. Ví a cabeça dela dentro do ônibus, indo embora. Ela nem olhou pra trás, só foi, não sei pra onde.
Que falta me fez.
José
In ficção on Junho 8, 2007 at 7:11 pmBurro!
É isso que você é, caro José!
Não devia ter falado com ela daquele jeito!
Pra que gritar, me diz José? Pra quê?
Você acha que ela está chorando? Pois saiba que não. Ela deve estar chateada contigo, ah, isso deve. Mas chorando é exagero, não é pra tanto.
Como ela mesma disse, “Não é um carinha que vai chegar e mudar minha vida assim”
Você é só mais um carinha Zé!
Que inveja né Zé? Você queria ser “O CARA”.
Nem no amor você é alguém Zé, ninguém.
Sabe aquele “professor de meditação” que deu carona para ela um dia?
Quem precisa de professor pra meditar?
Ela não é Zen, e ele deve ser tantra.
Você devia ter comido ela antes de ir embora. Pegava por baixo das coxas e virava a garota ao avesso. Ia ser gostoso. Aquele vestidinho, a cara de brava, era tesão disfarçado.
Se tivesse feito isso estaria relaxado, mas não. Teu coração tá pulando pela boca e seus olhos tremelicam. Vai chorar? Zé mané! Joga esse anel fora. A janela do ônibus tá aberta. Pode jogar.
Esse tipo de comportamento da sua parte… Eu não sei porque você ainda faz isso, Zé!
Tão infantil às vezes.
Lembra da lição número 1 do manual de chauvinismo masculino?
“Nunca deixe uma mulher mal comida”!
Ahhh não… peraí, Zé. Essa é a lição número 2.
A lição número 1 é:
“Nunca se Apaixone”.
FAQ: Como conseguir um diabo conselheiro?
In ficção on Junho 6, 2007 at 5:16 pmEsta simpatia serve para que você consiga um diabo conselheiro. Este diabrete de pouco mais de 18 centímetros te orientará com conselhos para que você consiga o que quer. Ele habitará o bolso esquerdo de uma camisa social branca, do lado do seu coração. É o habitat dele enquanto estiver materializado.
Instruções:
Pegue uma garrafa de manguaça com dois dedos de bebida restantes. A garrafa deve conter aproximadamente 100ml. Quebre um ovo e despeje a clara e a gema dentro do bico da garrafa. Não desperdice nem uma gota.
Reze uma ave maria e arranque três páginas da Bíblia. Amasse as páginas da bíblia usando-as como rolha para a garrafa. Isso permitirá que o Diabo não escape da garrafa quando estiver no período de formação.
Enterre a garrafa fechada com ovo e cachaça numa profundidade de pelo menos 50 centímetros abaixo da terra. Reze outra ave maria.
Espere duas semanas exatas e volte ao local. Lembre-se de ir para o local trajando uma camisa social branca. Quando for exatamente meio-dia comece a cavar.
Desenterre a garrafa e tire a rolha de papel de Bíblia. Lá estará o seu diabo dentro da garrafa. Ele saírá eufórico da garrafa, louco por algum lugar seguro. Cuidado, ele é extremamente frágil mas possui dentes afiados. Ofereça sua mão a ele, até que ele se acostume. Para alguns diabretes, principalmente para as crias de Exu, é muito difícil de serem amansados. Não faça movimentos bruscos.
Quando ganhar a confiança do Diabrete, coloque-o dentro do bolso esquerdo de sua camisa social branca. Ele dormirá por cerca de 8 horas ininterruptas. Não perturbe seu sono de maneira alguma, caso contrário ele pode tomar raiva de você e em vez de ajuda-lo poderá atrapalhar sua vida.
O diabo viverá dentro do bolso de sua camisa. Aproveite enquanto ele vive e peça todos os conselhos e faça todas perguntas que tiver de fazer. Ao fim de um ciclo lunar o diabo voltará para o seu plano de existência original. Se você trocar de camisa ele morrerá.
Não repita essa mandinga com menos de um ano de intervalo.
Ps.1: Alguns diabretes não se comunicam, apenas coferem uma sorte sobrenatural ao seu portador.
Ps.2: O Diabo não suja sua camisa branca. Sua pele de queratina é limpa e viscoso como a de uma barata, mas ele fede um pouco. Ele detesta perfumes, desodorantes e coisas do tipo.
Ps.3: Se tiver que tomar banho, tome banho de camisa, ele não se importa com água.
Fonte: Mandingueiros do Candomblé
Casal falido em tempo intimista
In ficção on Junho 4, 2007 at 3:53 amEram cinco da tarde, o sol já bem baixo e a luz acenando. Àquela coisa mágica do fim da tarde avermelhada penetrava pelas frestas da persiana brega da lanchonete de quinta categoria. Eu estava na mesa de cá, a luz peneirada me camuflou em zebra, e o casal do lado de lá. À luz. À contraluz. Não fui notado.
Eramos nos três, além, é claro, dos impassíveis funcionários, acostumados à posição de subserviência e a indiferênça a que alguns clientes os submetem. É por isso que sempre procuro ter no estoque alguma golfada de humor, pra ceder um gesto amigável à quem só toma patadas. Às vezes vale a pena. Às vezes me arrependo.
Na mesa oposta o casal discute em silêncio. Ele, por um motivo qualquer, não diz o que deveria dizer, fosse o que fosse. Ela, por outro motivo só dela, não foge da mesa, não acaba com tudo. É um tédio cumulativo, porque o tédio sozinho, como o meu, é só um tédio sozinho. Mas o tédio a dois, este é petrificante. Se fosse o tempo de papel, estaria amassado, amarrotado.
Eu sentí um medo. Um medo por mim. Não é repulsa nem aversão à vida de casado, mas tem vezes que acho que vou ficar sozinho. Tem vezes que quero ficar sozinho.
Ir morar longe, num lugar bonito onde a areia seja bem branca, a água do mar bem clara e o céu bem azul. Assim talvez um dia a vida e a morte percam todo o contraste, assim como o horizonte que já não existe mais.






