Gustavo

Posts de Maio, 2007

Entrevista com a Virgenzinha Marxista

In ficção, jornalismo on Maio 29, 2007 at 6:10 pm

Sentada sobre um sofá coberto por uma colcha de retalhos, sem se levantar. Foi assim que ela, conhecida pelo Vulgo de Virgem Marxista me recebeu para a entrevista.

Olhei no relógio, eram 15:33h, ela não se incomodou pelo meu atraso de 15 minutos, provavelmente sabia como o trânsito próximo de sua casa era er… caótico. Ela me ofereceu algo para beber e de início eu me senti completamente sufocado pela formalidade.

Seu ambiente é extremamente bem decorado e impecavelmente limpo, nem uma poeira sequer sobre os lustrosos totens incas que ela coleciona. A beleza da Virgenzinha Marxista me ofuscou por alguns instantes mas logo eu parei de suar e tentei me concentrar na entrevista e não no corpo dela, deliciosa, admito. É tão coberta, tão púdica que se torna provocativa; Seu olhar, tão blasê, tão indiferente, se torna sensual. Puxei meu caderno de notas e comecei:

Cineasta 81:
Boa tarde. Vamos começar com uma pergunta leve. Você escreveu em um de seus 7 livros publicados que não se arrepende de nunca ter aderido a vida de freira. Sente muitas dificuldades de levar um estilo de vida casto no mundo de hoje?

Virgenzinha Marxista:
Antes de tudo boa tarde a todos, e quero corrigir que sim, são 7 livros publicados mas que três novos livros meus sairâo até o fim do ano. Agora voltando a sua pergunta, não. Se eu me sentisse tentada seria difícil, mas eu não sou tentada. Sou paciente na busca do meu objetivo.

Eu deveria perguntá-la sobre qual seu objetivo, mas não me contive.

C81:
Não é tentada mas sabe que é tentadora…

Ela descruza as pernas

VM:
Sei. É verdade. Sei que os homens me desejam. Que tem anseios eróticos pelo meu corpo e que querem me possuir em suas camas, em seus carros, no parque aquático, na esquina, em cima da maquina de lavar, sobre as roupas sujas, em cima da mesa de sinuca, dentro de camas de moteis baratos, mas saber disso só me dá forças para prosseguir com o meu propósito de levar uma vida casta.

C 81:
De acordo com seu livro “Filosoris Hentai Pupulos Néosis” Quando você se refere à castidade, não é a mesma castidade que o Cristianismo vem pregando. Estou correto?

Ela cruza novamente as pernas. Coloca a ponta do dedinho na boca, pensando por um segundo ela olha pela janela, como se houvesse se distraído, mas sem hesitar volta a responder a minha pergunta.

VM
Correto. A castidade a qual eu me refiro é na verdade um retorno às origens, veja bem que entre os significaos – deriva do latim castu – a palavra tambem tem a significância de intacto, intocado. É preciso ressucitar velhos conceitos etmológicos e não se apegar ao que a língua se tornou pois ela está em constante mutação, não é mesmo querido?

Eu tomo um gole d´agua concordando com a cabeça. Perecebo que ela está lambendo os lábios. Olho para o chão humildemente.

C 81
E qual a importância, para você, de se manter intocada?

Ela se vira para trás e seus seios ficam espremidos contra o sofá. Inclinando-se mais um pouco e eu reparo que por baixo da roupa de seda não há calcinha. Ela se inclina mais um pouco e eu sinto um desconforto urgente um pouco abaixo da região do cinto e então ela retorna com um retrato de Karl Marx e Friedrich Engels na mão.

VM
Sou uma mulher de meu tempo, secular, Laica. Vocês homens, perpetradores desse estado falocêntrico são os maiores responsáveis pela solidificação do conceito de que a mulher é um objeto de prazer do homem…

Enquanto ela está falando o vestido de ceda escorre pelo seu ombro e o seio direito quase brota do decote imenso.

VM
E já que somos objetos de prazer do homem nosso único valor é sexual. Se nosso valor como seres humanos do sexo feminino é sexual, a cada vez que somos “tomadas”, “utilizadas”, “fodidas”, “comidas”, “curradas”, “estupradas”, “enrabadas”, “desgustadas”, “penetradas”, a cada vez que isso acontece nós perdemos um pouco do nosso valor…

Não consigo prestar atenção no que ela diz, por sorte eu tinha um gravador. É como o sonho mais incrível que se realiza, mas o leve tecido do vestido da moça está na beira do seio, sustentado apenas pelo bico do peito e minha testa está numa suadeia maluca. Meu caderno de notas está borrado pelas manchas do contato da tinta com as gotas do meu suor. Minhas mãos tremem e minha calça num furor tremendo desabotoaria-se caso houvessem dedos alí dentro, mas só há um, ensoberbado, e é desprovido de ossos e articulações.

VM
O meu objetivo com a causa da castidade voluntário é o de agregar valor feminino ao meu corpo antes que ele se deteriore com o passar dos anos. Tornar-me assim o objeto de maior valor neste mundo, visto que de acordo com a ótica capitalista a ordem da cadeia alimentar ocorre da seguinte maneira: “obter dinheiro para ganhar poder, ganhar poder para conseguir mulheres, ter mulheres para ter sexo”. Com este ato ativista de permanecer virgem eu agrego todo o valor possível ao meu corpo e tiro o poder das mãos dos homens. Eles não tem o sexo, que é o objetivo final de suas vidas e permaneço ainda como objeto abrindo um importante caminho para que as mulheres da próxima geração possam modificar este quadro e sejam valorizadas pelo que elas são. Sou como Ghandi, mas sou melhor, – aliás melhor é uma palavra bem parecida com mulher, já que estavamos falando de etimologia – Sou a primeira mulher do mundo a ser enquadrada na categoria dos possíveis messias da salvação, e não apenas como uma concunbina de Jesus, e atesto hoje com toda a propriedade que num futuro próximo nós, mulheres seremos as herdeiras do mundo.

Um silêncio petrificante se apodera de mim. Não existem perguntas a serem feitas. Ela tem razão! Eu concordo, eu concordo! E então ela se levanta e se inclina sobre mim para beijar meu rosto. Me despeço dela, mas ela se aproxima um pouco mais, o decote da Virgem Marxista, que era até então uma bobinha para mim mas que acaba de se tornar a minha musa, minha rainha, causa-me uma convulsão nos testículos quando apoia as mãos sobre as minhas coxas. Eu beijo o rosto dela e sofro o mais minimalista e maravilhoso orgasmo que eu já tive, apenas com o toque de sua mão. Percebo então o poder que aquela mulher possui.

Ela entra novamente em sua câmara de compressão e eu vou embora com meu caderninho manchado e meu gravador. Exultante pela entrevista miraculosa, porém com um nó no coração.

Bu

In ficção on Maio 23, 2007 at 3:31 am

Bu tem sido uma pessoa horrível ultimamente
Bu só diz coisas ruins, só pensa coisas ruins
Bu não sabe amar e não aceita ser amado, não
Bu não sente mais as coisas boas como sentia
Bu não quer participar de encontros, não quer
Bu fala mas é ignorado, sua voz rouca não ecoa
Bu não admite carência, Se sofre se supre de sexo
Bu causador de repulsa, pessoas não aguetam Bu
Bu é forjado, um falsário mentiroso e charlatão
Bu é um idiota que se coloca em terceira pessoa porque não gosta da responsabilidade de assumir que sou eu quem tem problemas por aqui

O Idiota

In ficção on Maio 20, 2007 at 7:54 am

São três as qualidades de um idiota. É claramente tapado das idéias. Discorda por discordar, por se achar dono da verdade. A segunda é que fala como um cavalo, tossindo palavras torpes achando-as às mais belas e isso se revela de mesma forma na sua escrita pretensiosa. A terceira e última é o fato de que todos idiotas, sem excessão, são como lobisomens, em certos dias acordam com aquela estranha relação com a lua.

Foi num desses dias que eu, um idiota, entrei naquele ônibus lotado. Gofando quantidades de ar, gestual desrespeitoso, esta barba por fazer. O olhar matreiro a procura do indistinguível cheiro exalado pelas fêmeas da espécie. Através dos póros me chega até o faro e causa arrepios à metros de distância a substância libidinosa que elas produzem sem parar por entre os nacos de carne farta que têm. Acho que senti uma delas. A lua lá do alto está minguando, me sorrí.

Procuro o ponto exato, eclipsando meu corpo ao dela. Entre as suas mãos encaixo as minhas. Dedos nos dedos. O sangue pulsa no seu pescoço, os meus pêlos procuram caminhos para o alto, eriçam. O vestido macio, seda, não sei, avoa baixinho roçando nas canelas. Os quadris só tornam o incomodo dela como sendo um figimento dos mais canastrões, por baixo dos panos existe um quadro sendo emoldurado por duas vontades em nome do mesmo anseio erótico.

O ônibus colabora com a nossa perversidade semi explícita, os dedos nos dedos crepitam, os corpos balançam e as tentativas de se safar do constante balanço só tendem a adicionar a gradação e o refrão se dá justamente no ponto em que a farta carne dela, amassada sob a minha encontra forças para puxar a linha do ponto onde deseja descer. Como um pêndulo o quadril da moça interrompe o movimento assim que as portas se abrem, eu deixo que ela desça.

Envergonhada passa por todos apressada. Como bom lobisomem, não deixei muito espaço para a fuga. O único motivo da vergonha que brotou avermelhada nas feições da moça foi a de não querer que debaixo do discreto vestido de seda fosse declarada uma devassa.

Caminhou pela rua. O vento frio contornava seus seios bem desenhados e o ventre invadido por pano frio esvoaçante. Do outro lado da rua o lobisomem matreiro esperava para confirmar se era desejo dela ou não, o de ser perseguida.

Olhando para trás com aparente nervosismo ela abriu a porta de sua casa. Esperei sem pressa, deixei que entrasse e lhe dei algum tempo.

Confesso que meu instinto canino, ou idiota como preferir, hesitou. Não sei exatamente quanto dura um momento, é uma medida sem métrica exata mas eu pude contar que foram dois momentos de hesitação. Pensei na possibilidade de rejeição. A hesitação passou.

Atravessei a pista, molhada por uma chuva passageira, meu reflexo no chão. As luzes do asfalto brilhavam com mais intensidade. Girei a maçaneta, apenas para descobrir se estava aberta ou não.

Estava.

Sentimentalmente atachado

In Sem-categoria on Maio 20, 2007 at 7:49 am

Detesto ficar sentimentalmente ligado às pessoas, porque com o tempo, de ligado você se torna um anexo. Sentimentalmente anexado.
As pessoas olham e respondem os anexos na hora que bem entendem, sem pressa.
E aí você fica a maior parte do tempo guardado num envelope, esperando ser correspondido, lacrado e sem selo, é uma mensagem que não chegou ao destinatário, e quando a pessoa resolve ler a carta a mensagem já está vencida. Não há mais o frescor nem de ouvir uma resposta pronta e imediata, e mesmo que haja uma resposta ela parece não valer de nada, tudo por causa do descaso com que são tratados os sentimentos anexos que você envia por carta registrada.

É por isso que quando envio os sentimentos por telegrama. Porque eles são datilografados e não escritos há mão. Não há real sentimento no processo de conexão. Não há envolvimento, os sentimentos já são enviados frios e com prazo de validade expirados.

Mensagem erótica para acendê-la

In ficção on Maio 15, 2007 at 3:49 am

Quero chamar a atenção dela. Mas como?
Fico pensando que uma mensagem erótica, algo sutil, porém pecaminoso seria ideal.
Ela deve ser do tipo “Ai meu Deus Hiihiiihi” E solta aqueles risinhos bobos e fica logo louca para mudar de assunto. Mas se você der corda na conversa ela vai atrás. Conheço esse tipinho, são sempre as mesmas características, os mesmos padrões. As pessoas tem padrões. São texturas de caráter, como eu gosto de definir.

Por exemplo, um ladrão. Um ladrãozinho de quinta que faz-se de bonzinho para ganhar tua confiança e te rouba quando tu menos espera. Esse tipo é cheio dos cacoetes e dos sotaques psicológicos que o denunciam como um ladrão. Se um dia você foi vítima de um ladrão, em outro dia qualquer você reconhecerá outro ladrão. É como dizem “Um Homem roubado nunca se engana!”. Eles tem métodos, jeitos de falar, a voz sempre mansa, indutora. São persuassivos ao ponto de enjoar. Eles chegam de fininho, você nem percebe. E pam, o larápio rapela sua carteira num passe de mágica. Sua vista e seus sentidos estavam ludibriados pela graciosidade detratora dos movimentos soturnos. Mas este tipo de ilusionista só ilude uma vez.

Ela não é uma ladra. Não, longe disso. Acabei me distanciando do assunto ao qual eu me pretendia. Emendei a falar de tipos de caráter e preciso me focar no tipo dela. O tipo de caráter dela. Ela é daquela que gosta de ser seduzida, mantem na pose um ar de madame, mas o que gosta mesmo é de uma boa sacanagem.

Lembro da última trepa com uma dessas. Ela mal conversava comigo. Não tinhamos assunto. Mas na hora da foda eu a penetrava por trás e ela fixava os olhos nos meus. Me cravava o olhar e falava sem pudor “Quero mais”.

Esta para a qual estou olhando é uma novata. Uma paciente. Vou deixar uma mensagem erótica aqui. Dentro dessa carta destinada a ela. Quando ela abrir há duas reações possíveis. A primeira é de espanto e ultraje! Neste caso serão duas as possibilidades:
Ou ela é uma Putana assumida e se espantou de propósito apesar de não conseguir esconder o sorriso safado e de dobrar as pernas para dentro, afinal ficou molhada até os joelhos.
Ou Ela é uma casta reprimida que secretamente sonha com sexo, porém por não vir a fazê-lo vai sofrer de artrose e provavelmente vai morrer de câncer, ou talvez dure muito, pois dizem que estas desgraças servem para fazer o balanço do universo quando a energia cósmica libidinosa tende a exaltar-se, são estas aquelas que corrigem o balanço. Mas é claro, o universo sempre dá o troco.

Porém, caso a reação dela seja de completo descaso e apatia, há apenas uma e terrível possibilidade:
A ninfeta tem as pernas abotoadas, é uma daquelas… daquele tipo…
frígida!

A Lucidez da Anarquia

In Sem-categoria on Maio 12, 2007 at 2:27 pm

A anarquia é um não sistema. É a ausência de governo e de ordem. É o caos em sua primeira instância.

Partimos da premissa:
“Do pó viemos e ao pó retornaremos”
(Naturalmente a entropia universal tende ao caos)
É mais do que claro que todo o progresso que fizemos – civilização, leis, tecnologia, instituições e ciências – há um dia de se extinguir.

Portanto, ser anarquista é ser visionário. É participar do mundo ativamente, porém enxergá-lo com a distância necessária para reconhecer o tamanho da pegada na qual estamos. Há algo maior do que a lógica e razão criadas por nós mesmos para que o caos universal encontrasse um sentido que pudessemos seguir com segurança.

Somente aquele que manteve seu espírito infantil livre das máculas civilizatórias será o que aceitará com sabedoria o fim ao qual o todo está destinado. A extinção e a renovação.

Guerrilheiro

In Sem-categoria on Maio 8, 2007 at 4:26 am

Não há dinheiro para comprar armas mas lutamos com o que temos, e lhe digo, caro senhor de olhar blasê e postura arrogante. “Podemos fazer um belo estrago no nosso alvo. Podemos causar danos irreparáveis”, e acredite:
Eu não vou deixar você sair daqui com esse sorriso de merda.

O Sociopata fala de amor

In Sem-categoria on Maio 6, 2007 at 3:18 am

Oamor é flecha detratora, dói. O sexo é injeção lisérgica, arrebata.

Eu falo tanto em terceira pessoa, você sabe? Eu não quero me identificar comigo mesmo. Não quero patrocinar minhas emoções (das quais me privo tanto). Quero perdurar doído nesse escudo de metal, imune ao amor. Evito que me espetem com a flecha detratora, com feridas de carência, de saudade, de desejo incondicional que vocês mulheres podem causar em mim.

Sou agora um vacilão.

Passo o dia envolvido em um anseio erótico vaginal, quebrando o pescoço para enxergar o próximo decote, o próximo rego, a próxima boca carnuda, os seios em forma de gota, as pernas abundantes, a vontade de trepar, de fuder, de sexo, de elevar qualquer desejo carnal acima do amor. De te ludibriar com uma prostituição dos sentimentos em troca do número de estocadas dentro do seu corpo que seja suficiente para que eu me contorça num orgasmo, na injeção tranqüilizante.

Te ver sofrer, não por desejo de te fazer mal, mas por não querer me permitir sofrer do mal ao qual já fui submetido.

É a minha mente criminosa. Você acaba de conhecer.

Você estava escolhendo as coisas que iria levar. E eu pensava: Tá tão longe da hora de me despedir. Ela tá me puxando pela mão. Me carregando. Ela me quer por perto. Ela vai comigo até lá. Será que ela vai me convidar para ir junto? Será que vamos ultrapassar esse momento tão curto, será que vai mesmo haver uma despedida? Será que ela vai me convidar de vez para dentro da vida dela?

Eu não gosto mais de despedidas.

Tava tão longe de te dizer “até mais”. Parecia que aquilo podia durar. Mas você quer saber? Eu não quero chorar novamente, eu não quero encarar seu rosto mais uma vez.
Tava tão longe da hora de me despedir, eu achei que não ia mais precisar me despedir.

Não sei mais se quero te ver viver. Você precisa morrer pra mim.

Eu vi a mensagem do seu celular. Você convidou aquele sujeito ridículo para te visitar. O famoso doidão picareta, cheio de acessórios, sabe falar o que as meninas gostam de ouvir, mas no fundo é um borra botas. É como dizia um amigo meu: “Cabra bão muié não qué”. No celular você pedia: “Me faz uma visita”. Eu aqui tão perto de você, mas é com ele que se negocia o preenchimento vaginal de que você precisa.

Ele é vocalista de uma banda de rock. Tá explicado o por que.

Minha atração pela lua é a mesma. O amor é um movimento de translação, tende a se repetir, volteia em seu próprio eixo. As pessoas amam quem nasceram para amar e as pessoas para quem elas dedicam seu amor raramente são as pessoas que retribuem o amor que lhes foi dedicado, o verdadeiro amor tende a ficar perdido por não encontrar um alvo que o rebata de volta. O amor é a flecha que o cupido lança, às vezes ele fere e sangra, em outras, é defendido e cai no chão. Não é de flechas ou injeções que nós precisamos. O amor deveria ser uma bola de borracha, uma pedrinha pequena, uma peteca.

Se fosse assim talvez pudesse ser recebido e repassado