Lá no fundo, retumbante, vem a tristeza, esperando passar o clima de furacão pra se instalar, maldosa, por entre os detroços da tempestade.
Posts de Abril, 2007
As duas esposinhas de Garcia
In ficção on Abril 28, 2007 at 9:20 pmGarcia Amava as mulheres, mas seu sonho de vida era ter um filho. Queria ser na mediocridade gostosa da vida mansa, daquele jeito dos que não pedem mais do que o essencial.
Conheceu Marli, uma boazuda sem igual, mas em poucas semanas de namoro constatou: Era frígida a pequena. Nem simpatizava muito com o ato da proliferação, fazia aos domingos mais por obrigação. Sexo. Achava sujo, feio e principalmente chato.
Foi-se aconselhar com o amigo Renato, profundo entendedor de mulheres, o garanhão mais conhecido da rua. “De nada valem tanta beleza e pernas numa mulher só se a trepa não compensa” Dizia conclusivo. Confluíram os pensamentos de Garcia às idéias de Renato, mas a verdade é que Renato, bem no fundo bem queria ter uma trela com a tal boazuda da Marli. Passar as mãos naquelas coxas não ia ser nada mal, mesmo que a moça não gostasse.
Garcia não esperou, deu por encerrado o namoro com Marli.
Garcia foi ter com a vizinha, a feiosa Denise. O que tinha de feia tinha de safada, e era uma daquelas ninfomaníacas insaciáveis. Passado o furor inicial Garcia quis partir para o primeiro filho.
Renato o amigo conselheiro, em uma de suas frequentes conversas interviu enquanto era tempo. “Pra que uma criança se tú sabe muito bem que de beleza sua esposa sente falta. E nesse quesito tu também não é abençoado. Reflita bem com calma quando for dormir. Será que vale por no mundo a criatura que resulta de tal dupla? Vale mesmo popular a terra com mais uma demoniozinho, se o mundo, coitadinho, tão carente de beleza já tem falta de espaço. Será que vale?”
Sentiu na eloquência do outro uma verdade que não pôde negar. Pôs um fim em tudo. Ficou sem filho e sem mulher.
Renato conselheiro, já em outros meses, debruçava-se na varanda de tanto cansaço. Tinha que cuidar de duas moças que restaram sem marido. Da Denise cuidava na cama com as luzes apagadas, e da outra, a tal Marlí era para os dias claros. No banco da pracinha passeavam sob as saias suas mãos de malandrão.
Conselhos de Tio
In Sem-categoria on Abril 23, 2007 at 2:09 amEste post contém teor machista, racista, nazi fascista, brando-neoísta, niilista e cardecista mas os conselhos não são meus, são de uma entidade politicamente incorreta conhecida como: TIOS.
Ninguém melhor do que seu tio para dar conselhos que seus pais “certinhos” nunca iriam permitir. Geralmente os conselhos tem teor sexual, ou são simplesmente mórbidos, violentos.
Eis aqui algumas pérolas que ouvi do meu tio e de outros tios de outras pessoas, são coisas que não se aprende em casa nem na escola, mas que tem grande valia para sua vida como adulto.
Escuta sobrinho:
Mulé é bicho bão.
“No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte.”
É melhor uma putaria mal feita do que uma foda mal feita.
“O Fluminense é o único time tricolor do mundo. O resto são só times de três cores.”
Não desperdice nenhuma mulher. Coma todas as mulheres que puder! TODAS!
“A verdadeira grã-fina tem a aridez de três desertos.”
Latino é um gênio. No fundo ele é um brincalhão.
“Dinheiro compra tudo. Até amor verdadeiro.”
A Sandy é uma artista falida, com aquela carinha de de virgem gripada não engana ninguém.
“Não há bola no mundo que seja indiferente a Zizinho.”
Tem buceta de todo tipo. Mas a temperatura da pra saber aproximadamente pela cor do cabelo. Por exemplo, as loiras são frias. As morenas já tem uma xoxota mais quente. As ruivas meu amigo, cuidado com essas porque a temperatura do interior dessas xanas é perigosa, você pode se queimar. Mas é com as negras que você deve se preocupar, são as mais quentes de todas. Ao mesmo tempo que é bom é ruim, porque é tão gostosa que você goza em questão de segundos.
Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.
Toda ruiva detesta as outras ruivas.
Falar a verdade nesse mundo não vale a pena. Quem sabe mentir e roubar é que se dá bem.
“Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante”
Pra todo canalha existe uma santinha. Pra todo dominado existe uma putinha.
“Toda mulher gosta de apanhar. Só as neuróticas reagem”
Comece agora sua coleção de playboys. Daqui há uns anos você vai ter uma mulher para cada dia da semana.
“Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.”
Sua mãe e seu pai só falam merda. Você vai gastar um tempão pra esquecer tudo.
- As frases entre aspas são do Nelson Rodrigues, o maior tio que o Brasil já teve.
O estagio
In ficção on Abril 20, 2007 at 7:51 pmEstava nervoso, perdendo as esperanças de conseguir a desejada vaga. Agora estavam lhe dizendo que não.
Se fossem outros dias estaria tranquilo, mas hoje era o dia de provar a sí mesmo que já podia fazer o seu próprio dinheiro. De virar as tripas ao coração para poder pagar o próprio almoço, o motel para a garota, o cinema, a revista com a matéria que queria ler. O dinheiro não lhe ficaria brotando pelos bolsos, mas ao menos haveriam notas alí quando abrisse a carteira.
O dinheiro, agora mais do que tudo, cerceava-lhe as ventas das idéias. Não havia outra coisa em sua cabeça (nem mesmo sexo) que valesse tanto quanto o dinheiro, a não ser através dos póros da pele da testa pela qual escorria o suor dolorido da vergonha de sentir-se o mais vira-lata dos brasileiros, o não-capitalista.
A utopia que um dia lhe fez voar como passarinho agora nem sonho mais era. A grama da ilha dos sonhos que ele imaginou, não era mais de uma matéria macia qualquer, era sim, do rançoso e verdejante dolar americano, o vira lata brasileiro estava com diarréia de valores e todo cachorro que se preze sabe por instinto que comer umas verdinhas é muito bom para o estômago numa hora como essas.
Da janela do ônibus
In ficção on Abril 16, 2007 at 4:12 pmTentava se concentrar nas coisas simples. Manter a calma e a sanidade pensando em futilidades mas nada estava dando certo. Ainda faltava cerca de meia hora para o ônibus chegar, comprou uma revista pra se distrair mas as palavras pareciam embaralhadas. Comprou um cartão telefônico de quarenta unidades por seis reais e fez uma ligação do orelhão.
__Oi Leonor.
__Oi. Quem é?
__Sou eu pô.
__Eu quem?
__Rogério.
__Rogério!?
__…
__Nossa! Que surpresa.
__É. Não parece tão surpresa.
__É que.
__Não precisa. Eu só tava querendo falar com você. Ouvir tua voz.
__Alguma coisa de errado?
__Não. Tudo certo.
__E você tá bem.
__É… Tô. Você tá?
__To bem. To levando.
__…
__Eu nem sei o que dizer Rogério. Faz tempo já né?
__Não precisa dizer nada. Só queria falar contigo, qualquer bobagem serve.
__Conta alguma coisa. Quais são as novidades?
__Eu vou viajar. Vou passar uns dias em Belo Horizonte.
__Belo Horizonte. Que legal. Eu gosto de lá.
__É. To indo visitar uns conhecidos de lá. Você tambem tem parentes lá né?
__Tenho.
__Pois é.
__É.
__Bom. O cartão tá acabando.
__Tá bem. Tchau Rogério.
__…tchau.
__Tchau. Se cuida.
Rogério desliga o telefone.
__te amo sua idiota.
Voltou a ler a revista mas não estava lendo. Se o problema acabasse por aí tudo estaria bem. Esse tipo de coisa faz a gente se sentir vivo, mas quando os problemas são maiores do que um amor que não tem mais como aparecer na vida da gente então é porque o negócio tá complicado, afinal, esse tipo de problema parece o maior problema do mundo quando tá acontecendo com a gente, mas hoje não parecia, parecia o menor deles, aliás, parecia que tudo estava perdendo o sentido,esse probleminha agora soa como uma futilidadezinha das menores lá no passado que não faz diferença nenhuma aqui no presente.
O ônibus tava chegando na parada e Rogério guardou as malas. Sentou numa cadeira de frente pra janela. Não tinha ninguém pra se despedir dele. Não tinha a mãe pra fazer aquele dramalhão todo e levar sanduiche embalado pra ir comendo no percurso, não tinha amigos pra darem uma carona num scort velho caindo aos pedaços, não tinha nem um tio solteiro pra o levar de carro durante a madrugada dando conselhos a ele que gostaria de ter dado pro filho que nunca teve. Ele queria ter mais pessoas por perto. Todas pessoas que gostam da gente tem seu valor, mesmo aquelas que nos irritam. Aí que está o ponto crucial do problema que Rogério sempre teve com a Leonor, ela olhava para ele como “mais um dos carinhas que passou pela vida dela” e nada mais. Rogério por sua vez já começava a entender que não era amor que ele tinha por ela, era obsessão infantil. Amor era uma coisa que ainda faltava descobrir.
Olhando a cidade ficar pra trás pela janela do ônibus Rogério se deu conta da Jornada espiritual que estava prestes a enfrentar e todos os outros probleminhas pareciam minúsculos. O chefe com as piadas sarcásticas e a mania chata de cutucar o nariz. A briga boba que teve ao xingar um motorista grosseiro. A voz que levantou pra uma funcionária idiota da cafeteria que lhe rendeu certa dose culpa. A apatia de esquecer de ligar para os velhos amigos. O sapato que apertava o dedão e lhe deixava de mal humor. O Amor não correspondido. Todos problemas agora não eram problemas, eram coisas cinzas passando pela janela dando lugar a percepção de que seu pai, seu velho pai o estava esperando enfermo numa cama prestes a morrer. Rogério sabia que quando chegasse em Belo Horizonte não ia mais encontrar o velho pai que lhe ensinou a ser homem, aquele paizão com quem teve uma crise de risos na primeira vez que entrou em um carro quando ainda era moleque, nem muito menos vai encontrar uma voz que lhe confortasse quando não soubesse o que fazer. O pai estava em estado terminal, sofrendo de mal de Alzheimer. Rogério tremia de medo só de pensar no pai forte deitado, agora velho e senil, numa cama fria e insensível de um hospital. A notícia da doença já era datada mas só agora, sozinho confortável na poltrona do ônibus que uma lágrima sincera lhe escorreu pelo rosto.
__Meu pai tá morrendo.
Apertou a mão no peito como se pudesse confortar o próprio coração e abaixou a cabeça engolindo o choro. Nada tão natural quanto a morte, nada tão difícil de aceitar quanto uma coisa naturalmente infalível. 
Acordou no dia seguinte em Belo Horizonte. A verdade é que na cabeça dele a história poderia acabar alí mesmo. Queria que fosse mais um de seus contos onde ele não tinha a responsabilidade de terminar a história no final, podia manipular o texto e acabar onde bem entendesse, não precisava passar pelo processo de maturação do personagem nem assumir que é preciso passar com coragem pela parte mais difícil. Podia encerrar um texto pela metade e dizer que era uma escolha de linguagem ou dar um final conclusivo estilístico. Mas agora a história era crua, tava acontecendo. Não era a caneta dele num papel. Era uma viagem para ver o pai em estado terminal. Não era uma frase de efeito que traria algum conforto. O pior ainda estava por vir. Ele como humano, mais do que como escritor precisava de maturidade pra aguentar viver (mais do que escrever) esta história até o final…
Sou que nem todo Brasileiro
In Sem-categoria on Abril 14, 2007 at 6:44 pmMe chamaram de hipócrita sob o argumento de que “Eu sou um Brasileiro que não gosta do Brasil”. Dizem “Se não gosta cai fora”, “Ame ou caia fora!”. Eu tenho uma camisa que diz:
PERDIDO NO PAÍS DOS IDIOTAS
As pessoas se sentem ofendidas. Eu sou desmemoriado, mas de certas coisas eu não esqueço. A memória política do Brasileiro é curta e o caráter maleável. José Dirceu está pedindo anistia, Fernando Collor é um político influente em Alagoas e em breve poderá se reeleger. Se os eleitores trazem de volta dois crápulas como se não tivessem feito nada eu peço perdão, devo estar observando mau. Mas é realmente como eu me sinto em certos momentos, “Perdido no país dos idiotas”. São tantas coisas acontecendo e o brasileiro com aquela mentalidade colonizada. Nossa mentalidade está colonizada pelos comerciais, pela TV, pela igreja, pelo que nossos pais disseram, não temos uma mentalidade individual e inteligente, e isso eu considero idiota. Existem idiotas por todos os lados.
Mas eu não detesto o Brasil. Muito pelo contrário, gosto daqui. Sinto que há um oceano de idiotas, e isso pode até soar fascitóide da minha parte, mas nem só por isso deixará de ser real. Um PTista me disse uma vez que eu tenho tendências fascistas e direitistas. O que um PTista diz pra mim pode ter duas classificações:
1. Se ele for um PTista novato e apaixonado: Lixo utópico
2. Se ele for um PTista velho e malandro: Lixo Pretensioso
Eu não sou direitista nem fascista, não pertenço a partido nenhum. Sou apartidarista e fomento o caos e desordem, um anarquista (ou algo próximo a isso talvez). Mas voltando ao nosso assunto de Brasil, gosto daqui.
Eu sou que nem todo Brasileiro:
Controverso, incoerente e muitas vezes ridículo.
Rosto virado pra fantasia
In ficção on Abril 12, 2007 at 3:33 am__Psss Psss
__Que?
__Vem aqui.
__Ir aí? Pra que?
__Vem cá moço.
__Que que foi?
__Olha alí!
__Alí aonde?
__Alí oh! A Lua.
__Tá! E daí?
__Ela tá crescente.
__Que isso?
__To pegando em você. Não pode?
__Você nem me conhece.
__Não gostou de mim né? Me achou feia.
__Não! Não! Não é isso! Te achei linda. É que… sei lá. Porque você, sei lá. Eu eu não te achei feia..
__Então vem comigo.
__O que você vai fazer?
__O que você quer que eu faça?
__Olha. Se for pra me cobrar eu não tenho dinheiro, nem muito menos sou desses caras.
__E nem eu sou dessas mulheres. Tá pensando o que? Não vai doer nem vai gastar.
__Porque você resolveu chamar logo… logo eu?
__Você não gostou de ser chamado?
__Gostei. Mas é que… é que eu to preocupado.
__Tá com medo? Ihhhh.
__Não. Não é nada disso.
__To vendo que eu vou ter que esperar por outro.
__Mas você tá esperando pra que? Porque?
__Porque eu quero.
__Quer o que?
__Que você faça…
__Faça o que?
__Você sabe!
__E porque você quer chamar alguém que nem conhece pra te fazer uma coisa dessa?
__Porque é bom.
__Ai meu Deus. Olha o que você fez comigo.
__Tá suando. Que gracinha.
__Se fosse só o suor era tranquilo.
__To vendo o que tá acontecendo. Vem. Entra logo. Vem. Antes que piore.
__Tá bem.
__Isso. Vem comigo.
__Que cheiro gostoso que você tem. Isso nunca aconteceu comigo.
__Eu sei. Vem. Pega em mim.
__Não sei o que tá me dando. Devo estar ficando louco pra fazer uma coisa dessas.
__Eu sei. Eu sei. Continua, não pára.
__Eu to… to estranho.
__Não pára. Fecha essa porta.
__Tá.
__Não, melhor ainda, deixa aberta. Assim o ar entra.
__Tá. Não. É melhor fechar.
__Porque? Tá com vergonha? Vem.
__Por… tô… Vo.
__Vou já te mostrar uma coisa. Quer ver?
__Não. Acho melhor eu sair.
__Vem.
__O que você tá planejando? Me fala.
__O que você tem hein? Que medo é esse? Eu não vou te morder.
__Você é casada? Não pode ser casada tão novinha.
__Que interessa? Eu to te chamando.
__O que você tá fazendo.
__To tirando a calcinha. O que parece?
__Tá passando muita gente lá fora. Eles vão te ver.
__Quem mandou fechar a porta?
__Ei. Peraí. Onde você tá indo.
__To indo pro meu quarto.
__…peraí!
__…
__…
__Aí. Não pega aí assim. Parece que não sabe segurar uma mulher.
__Eu não sei…
__Não sabe? Como assim? Deita aí.
__Eu não sei segurar uma mulher.
__Não sabe? Vai dizer que você é?
__Sou. Admito, sou virgem.
__Então é por isso que tá todo medrosinho.
__ehh
__Fica tranquilo. Eu tambem sou virgem.
__O que? ce tá fazendo isso sem saber então?
__É. Me ajuda. Senão não dá certo.
__Como?
__Me ajuda.
__To tentando.
__Isso.
__aahh
__deixa que eu faço o resto.
__tá apertado. Tá apertado demais.
__quer que eu pare?
__Não. Não. Continua.
__Ainda bem. Bota a mão aqui. Faz a sua parte.
__tá.
__tá bem assim?
__tá.
__isso.
__tá … ótimo.
__isso. isso. isso… isso… isso… isso.
__Lucas! Acorda. Assim não vale! Você terminou e me deixou sozinha…
__Ah. Desculpa… é natural sentir sono.
__Desde quando isso? Você lembra?
__Não.
__Olha pela janela e adivinha.
__O que?
__Olha alí! Olha alí oh!
__Alí o que?
__A lua seu bobo!
__Tá. E daí?
__Tá crescente.
Pau Grande e Sonhos Pequenos
In ficção on Abril 10, 2007 at 2:29 amVou ser breve e direto sobre o motivo pelo qual eu te trouxe aqui.
Meu pau é grande e meus sonhos são pequenos.
Eu já fui um sonhador de amplos horizontes. Eu avistava mil possibilidades e meu futuro era um oceano de doces incertezas. Eu boiava nas nuvens com suavidade. Eu era um pássaro, livre intelectualmente, em todos os sentidos.
Mas foi aí que a vida me pegou. Me tragou de jeito e eu perdí a inocência, e a inocência é, simbolicamente, o equivalente às asas que tive um dia para sonhar. Sem ela meus pés estão grudados ao chão e tudo o que posso é observar a dura realidade perpetrar minha carne através dos anos trazendo minhas rugas e cabelos brancos, me tornei um cínico e meu pau cresceu tremendamente. Me tornei um fodedor, minha mente se rebelou para a beleza e explora os conteúdos do sexo sem pudores. Eu me tornei um monstro fodedor.
Sinto falta da minha inocência.
Não fique sem graça, só porque meu pau está estendido sobre esta tábua de carne. Quem está com o cutelo na mão é você!
Eu prometo te deixar ir embora. Aqueles mil reais da sacola serão seus. É verdade!
Eu vou contar até três, e no três e tudo o que quero que você faça é que decepe meu membro monstruoso e estanque meu sangue com esta estopa industrial.
Você não sabe o favor que estará me fazendo. Decepando este pau, você traz de volta ao mundo o anjo que um dia eu fui. Traz a mim a possibilidade de sonhar e livra o mundo de um calhorda safado que hoje eu sou. Inicio minha contagem, não tenha piedade!
(silêncio)(entre olhares)(dúvida)(hesitação)
1…
2…
CLAPT
AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHUUUUUUUUUU!
Tem mulheres…
In Sem-categoria on Abril 9, 2007 at 3:57 amTem mulheres que fazem um alvoroço e cinco minutos depois tudo está como estava.
Mas tem mulheres…
Tem mulher que só de falar uma palavrinha deixa os pêlos do meu braço em pé!
Tem aquela outra que abaixa um pouquinho o decote só pra mostrar a marca do biquini e leva ao chão meio maracanã.
Tem uma que sabe pedir com tanto jeitinho, mas com tanto jeitinho, que você não nega, e só não nega como arruma o que ela pediu e um pouco mais.
E aquela que sabe que você tá caido e faz questão de provocar. Ela escapa de propósito, só porque sabe que quando escapa, aí que você quer mais.
A melhor de todas é aquela que tenta disfaçar. Disfarçar que é gostosa. É um fingimento de disfarce, um disfarce que mais incita do que esconde, mais atiça do que reprime, mais te chama do que censura.
É verdade. Tem cada mulher, tem mulher de tudo quanto é jeito mas tem mulheres…
Vidigal na peleja contra Exu
In ficção on Abril 1, 2007 at 8:35 pmAbsque argento omnia vana
Sem dinheiro, tudo é vão
Não fosse por uma série de agraventes te mataria agora mesmo. Mas não ouse estalar uma junta de seu corpo que juro que disparo sem hesitar esta arma para a tua cabeça de merda.
Disse a Mulher ao Tenente Vidigal. O tenente que não era bobo nem nada só queria escapar alí, mesmo que fosse sem a maleta de dinheiro. Mas a ex-esposa conhecia bem a índole de pilantra do velho marido que lhe maltratou por tantos anos, e que broxava noite após noite, talvez porque seu tesão fosse mais por dinheiro do que por mulheres.
O dinheiro deveria ser uma ferramenta, mas para Vidigal fora uma finalidade. Aquele inveterado adorador de dinheiro era um canalha. Se vocês o conhecessem, caros leitores, tenho todas as certezas de que o odiariam tanto quanto sua ex-esposa, mas nesta história de um narrador e dois personagens, o protagonista é o vilão, portanto não sei se será tão fácil assim matá-lo.
Mas mulher – Disse Vidigal à ex-esposa – Vejo que você tem ódio não somente de mim, mas também do dinheiro. Veja bem que foi o dinheiro quem lhe comprou este vestido e foi este mesmo quem nos uniu no sagrado matrimônio. Não seria sóbrio que pensasse mais um pouco? Que ponderasse antes de sequer apontar esta arma para meu rosto imaculado?
Mas a mulher, frequentadora de terreiros, era uma antena das entidades do candomblé e constantemente atenta a tentativas de persuasão. Filha de Exú, ela poderia se deixar levar pelo espírito arguto do velho Deus Africano.
Rosto Imaculado? - Disse a mulher. – Você parece que passou a tarde sentado no pedregal e depois trocou a cara pela Bunda! De hoje você não passa, seu Muquirana mão de vaca, filho duma quenga manca!
Vidigal se assustou, mas a aura do dinheiro e a fachada impecável deviam ser, de alguma forma, uma espécie de proteção. Divina ou diabólica, fosse o que fosse, vez ou outra funcionava. Apesar de salafrário tira sempre a sorte grande, mesmo em se tratando de assuntos sobrenaturais. O dinheiro é a raiz de todo o mal, e todo o mal deve ser muito forte se quiser perdurar por tantas gerações. O dinheiro é a forma de poder mais eficiente, dinheiro é sinônimo de poder não somente pelo poder em sí, mas pela liberdade que o poder pode trazer. Essa liberdade é uma premissa verdadeira ao menos para aquele que escolheu para sí uma vida urbana e atarefada e está disposto a permanecer assim, pois uma vez na roda fica difícil escapar.
Eu sei o que você quer meu bem. – Disse ele a Ex-Mulher esperando encontrar a velha personalidade mortal debaixo do Orixá controlador que a havia dominado. – Você quer se livrar de mim e ao mesmo tempo não quer. O motivo de me querer longe (ou morto talvez) é o de que eu lhe aprisiono, sou ciumento demais, porém, eu próprio gosto da liberdade nas camas de outras mulheres. É o meu egoísmo que lhe incomoda. O dinheiro é o único motivo de não ter me largado ainda, se eu fosse um pé rapado não teria mais comigo. As noites insossas ao meu lado, reconheço, não são satisfatórias, gasto energia demais fora de casa. Sim, eu admito isso. Mas eu sei que mesmo a mais interesseira das mulheres nada é sem amor. Pois se o homem tem a ambição pelo poder, a ambição das mulheres é o amor. A vaidade é o motivo matriz para ambos os sexos, os meios de se atingi-la é que são diferentes. Pois entenda o que quero fazer. Com este dinheiro contido na maleta eu compro seu amor, em troca ganho a minha liberdade. Entrego a tí, minha ex-esposa, todo o capital de minha fábrica e ponho na tua mão as honrarias que recebí. Fica a teu cargo liderar a empresa. Eu assino todos os papéis que forem necessários para que você me poupe a vida. Com tanto dinheiro você terá a liberdade que quiser, poderá viajar pelo mundo e conhecer novos amantes, novos lugares. Praias tão belas e iguarias maravilhosas. Esquecerá que um dia me amou. E eu terei minha consciência limpa, por ter lhe pagado o sofrimento que lhe causei.![]()
Meia hora após o argumento contundente de Vidigal a mulher estava sobre a mesa, ainda na mesma posição, mas sozinha. Em sua frente os papéis assinados e uma maleta cheia de dinheiro.
Com tanta veemência nas palavras Vidigal conquistou o apreço não somente da mulher, mas também o de Exu. O truque de Vidigal fora rejeitar sua própria ganância para conquistar a verdadeira liberdade. Com tantos credores a sua volta e um processo de falência iminente, sua morte pela mão dos mafiosos da cidade já estava decretada, ao repassar a empresa para o nome da mulher livrara-se do fardo duplo e pesado. O primeiro, do matrimônio sem amor, o segundo do dinheiro aprisionador. Vidigal estava emfim sem nenhum dinheiro no bolso, livre e poderoso como um adolescente que recém abandonou a casa dos pais e que vê o mundo pela frente.
Para um capitalista nato como Vidigal, a culpa é tão presente quanto o tesão. Aparece com uma certa frequência, mas não dura mais do que alguns minutos.






