Gustavo

Ditadura do Cangaço (x)

In Sem-categoria on Março 21, 2007 at 12:03 am

Os Cabras já haviam atravessado a cidade de Brasília, deixando rastros de sangue por onde passavam. A quadra de cangaceiros resistiu bravamente todos os ataques, tanto por parte da população armada quanto da polícia e chegavam ao centro, com alguns ferimentos, sangramentos e arranhões, preparados para a execução da última parte de seu plano: EXTERMINAR O PRESIDENTE DA REPÚBLICA E FUNDAR A DITADURA DO CANGAÇO.
Dos pés ressecados pela travessia do trecho Nordeste – Centro Oeste, surgia no Distrito Federal a necessidade pungente de uma administração comandada pelos novos pretendentes do poder, aqueles seres que nunca aceitaram a submissão a Coronéis, e que hoje, no século XXI não admitem a submissão a um presidente que mais parece um Sapo Barbudo.

Chegaram montados em suas mulas no Planalto Central e desceram para tomar uma água fresca nas gigantes piscinas sujas em frente a câmara dos deputados e aproveitaram para comer.
__Não tem coisa melhor do que farinha com rapadura.
__Tem sim Cabra! Mulé nova, borogodosa e cheia de quentura.
__Eu gosto de mulé de tudo quanté jeito. Até das mais bonita que não sabem fuder direito. Gosto até daquelas que nunca deram o xibiu.

E um terceiro cangaceiro se anima para entrar na conversa dos dois que limpam o rosto com a água suja.
__Tem muito dôtor nessa cidade. Tem dôtor de astrologia, tem dôtor de teologia, esses aí da frente são dôtor de politicagem e tem até dôtor de viadagem. Mas eu sou Zé Maluco, sou dôtor de bucetologia e formado em sacanagem!

Os três Cabras conversadores riem sem parar. O quarto sempre quieto líder do bando, ou matilha, como lhe aprovier melhor, não pára um minuto para deixar as orelhas desatentas. Está sempre olhando pro infinito céu dessa cidade rasa. O céu mais parece um mar, e esse abertão, sem montanha nem nada é o pior perigo pra quem não quer ser pego de surpresa. Por isso é preciso manter a zureba atenta pra qualquer problema que porvir.

O cangaceiro chefe decidiu andar na frente e foi subindo a rampa. Com os olhos butucados pra todos os lados ele foi em frente, sem medo e sem jegue, com uma mão no punhal e outra no trabuco, pronto pra qualquer ameaça. Os outros vieram atrás, com uma diferença de pouco tempo, vieram pingando na rampa impecável e pensaram:
__Que lugar bonito esse que atravessa o presidente.

Foi quando surgiu um bando de carro de luzinha piscando pra todo lado. Os cabra se puseram a atirar, mas como muitos já sabem, Brasília é estrategicamente construída pra não deixar ninguém escapar. Os polícia metero bala em tudo que é cangaceiro, até no chefe do bando que já tava lá em cima da ponte. Cairam tudo morto, depois de tanta travessia, nem um ar sobrou, pra uma última baforada. Os policial comemoraro a morte do bando e o sangue deles correu pela rampa debaixo do sol rachando.

Mas foi tão de repente, que o lider dos cangaceiros levantou que os policiais nem tiveram tempo de mirar. Ele se escondeu atrás de uma daquelas conchas enormes e esperou pelos milico. Foi nesse dia que se deu o verdadeiro faroeste caboclo, um duelo de pistolas, demorado e violento que teve como único vencedor o cangaceiro sardento acostumado a mandar bala pra tudo que é lado. Ele sabia que policial não acaba e que logo estaria chegando mais.

Preparou as pernas e correu sacolejando. Deixou até o chapéu cair e foi parar no palácio do planalto. A surpresa foi tanta que ninguém teve tempo de impedir. De tanto olhar o mapa ele já sabia o caminho decorado e quando entrou na sala do presidente da república foi uma surpresa sem igual. O presidente olhou pra ele e teve tempo de pensar em alguma coisa que ninguém sabe qual foi porque no segundo seguinte estava morto.

O novo rei auto proclamado, pronto agora pra governar esse pais miserável com mão de ferro e testa chata. Um nordestino sem tempo pra brincadeira, estava agora no trono dessa cidade e desse país que nunca deixou, nem por um instante, de ser inteiramente dele.

Chico Doido de Caicó
http://www.germinaliteratura.com.br/erot_dezcdc.htm

  1. Um cangaceiro no poder… no que será que isso ia dar? Tiros nos corruptos?