Gustavo

Posts de Novembro, 2006

Como me tornei um Cabra

In ficção on Novembro 25, 2006 at 8:55 pm

Seria uma manhã como outra qualquer, não fossem os gritos desesperados que me acordaram. Entrecortaram as vozes de homens meio hienas meio macacos, e o chiado de um jegue furioso. Olhei pela janela do meu quarto e dois dos homens armados carregavam suas baionetas com pólvora, assim que terminaram o serviço dispararam contra um pequeno grupo de pessoas que passava correndo. Dois caíram.

Um outro grupo de bandidos se sucedeu, montados em seus cavalos eles entraram no meu prédio forçando a porta da frente e eu não sabia o que fazer. Deitei na cama novamente temendo que um daqueles homens de chapéus estranhos me vissem. Eles falavam muito rápido, mal se podia entender o que diziam. Era um sotaque nordestino, na certa que era um sotaque nordestino, mas eles agiam como Indios, suas roupas eram pesadas e cheias de poeira, e a crueldade, não eram humanos. Não demorou para que a porta fosse arrombada a chutes. Minha mãe passou direto pela porta do meu quarto para saber o que estava acontecendo. E então ela soltou um grito e passou novamente, correndo na direção oposta. Um dos homens passou pela porta e parou, olhou direto nos meus olhos e seus dentes arreganhados soltaram mais um daqueles risos de hiena. Eu tranquei a respiração achando que assim ele não ia fazer nada comigo, e não fez, foi fazer à minha mãe, usou da liberdade da baderna para estuprá-la, gritava que ela era uma quenga safada e ela pedia socorro. Eu, um garoto de onze anos não tinha idéia do que deveria fazer. Fiquei escondido atrás da minha porta ouvindo os gritos de mamãe. Outro do bando passou pela porta e eu ouví a respiração bufante, farejando. Um cão de caça, sujo e maltratado, tinha raiva. Acertou um passo no meu quarto e parou na porta enquanto minha mãe berrava no quarto ao lado e então voltou para participar do estupro da Quenga minha mãe. O momento me obrigou a descer as escadas, ficar longe. Várias portas estavam abertas, havia sangue na parede e o Seu Antônio estava com o peito estourado, de boca aberta morto no chão. Vários gritos de mulheres berrando comO loucas. Posso jurar que de dentro de um dos apartamentos uma das mulheres gemia de prazer e eu parei para olhar, um dos cangaceiros estava pressionando a cabeça do marido dela contra a parede para que ele visse tudo, com um trabuco apontado para sua cabeça.

Descendo as escadas parei onde o vidro estava manchado de sangue. Me escondi debaixo das escadas enquanto algumas pessoas passaram gritando, elas levaram tiros nas costas e calaram de imediato. Dois dos monstros armados gargalhavam logo atrás, suas pistolas fumegavam e seus dentes brilhavam com um sorriso arregaçado nas bochechas. E enquanto um deles pisava sobre a mão de uma das vítimas que ainda estava viva eu sai debaixo da escada e corrí para fora do prédio. Os gritos por todos os cantos não me freavam, as lamúrias inúteis não tinham mais resposta, quem pudesse fugir que fugisse. Meu próprio rosto estava sujo com o sangue de outra pessoa.

Eu corrí para a igreja e procurei a porta da frente, um abrigo seguro no qual pudesse me esconder e de dentro da igreja um garoto com a cabeça e as roupas empapadas de sangue saia chorando e pedindo ajuda. Os risos de hienas já saiam de lá de dentro. Fugi do menino que pedia claramente a minha ajuda.

Em um campo aberto um dos cabras veio com seu cavalo e me alcançou facilmente. Ele carregava grandes sacos em sua mão e arremessou um deles perto de mim. Em caí para trás, de dentro do saco uma cobra saltou sobre mim. Eu consegui me desvencilhar, mas não foi o suficiente pois o outro saco ele acertou aberto exatamente sobre a minha cabeça e me prendeu alí dentro. As risadas ecoavam pela rua, sobrepujando os gritos de lamúria.

Ele ergueu o saco e colocou meu peso sobre o cavalo. Uma cobra me fazia companhia dentro do saco, a cabeça da cobra estava imobilizada exatamente entre meu indicador e meu polegar opositor para que não pudesse me morder, fui eu quem a mordeu.

Horas mais tarde quando o grupo de cangaceiros abriu o saco e me encontrou vivo com a cobra prensada nos meus dedos e sua carne sendo devorada pelos meus dentes em nome da sobrevivência ele me chamou a sair pelo nome “Dedos-de-Cobra”. Foi assim que me tornei um cabra, um cangaceiro.

Eu tenho mais medo…

In Sem-categoria on Novembro 18, 2006 at 9:45 pm


Eu tenho mais medo de Cangaceiros do que de Zumbis.
Os zumbis não tem armas e mesmo que tivessem não saberiam opera-las. A arma dos cangaceiros é um trabuco, não é um tiro só que você leva, são milhares de bolinhas que machucam. Os cangaceiros fazem muito mais maldade do que comer sua carne e te matar, eles podem te escalpelar e te deixar vivo. Os zumbis só levantam o braço e abrem a boca e isso dá um pouco de medo mesmo, mas os cangaceiros montam em seus cavalos, te capturam e perguntam PRA VOCÊ: “O que você acha que deviamos fazer com você?” ou então pior ainda “Qual dos seus parentes quer que matemos antes de você?”
É meu amigo. Os cangaceiros são muito piores do que os zumbis, mais perigosos e amedrontadores.

“Esse fio duma Quenga Manca eu mato é na pexera!”

BARATAS: Você Sabia?

In Sem-categoria on Novembro 13, 2006 at 8:58 pm

Como nascem as baratas

Se uma pessoa ou animal fica por mais de cinco minutos na areia ou na terra é natural que os pequenos micróbios pensem que se trata de matéria orgânica do solo e comecem a colocar pequenos ovos dentro do seu corpo. Ao eclodirem dentro do corpo humano as pequenas larvas já podem alimentar-se da abundante matéria fecal, ou mesmo do tecido muscular. Os ovos são colocados em ootecas. As ootecas são uma espécie de estojo impermeável formado pela secreção que se envolve aos ovos para protegê-los, tal secreção torna-se escura e endurece. Cada ooteca pode conter até cinqüenta ovos.

Os ovos eclodem dentro de duas horas e as larvas levam cerca de cinco semanas para se transformarem em jovens baratas. As larvas costumam alojar-se no pulmão, pela sua umidade e farta oxigenação, ou nos intestinos por ser um local repleto de material fecal de onde as baratas novas podem extrair seu alimento com facilidade.

Seu corpo toma forma no decorrer das cinco semanas vivendo como parasita dentro do corpo do humano ou do animal e ao atravessar a fase pós embrionária torna-se uma pequena crisálida de cerca de um centímetro e meio. O período de maturação da barata compreende no desenvolvimento de suas pequenas asas, no caso do macho, mas nas fêmeas são minúsculas ou inexistentes, desenvolvem-se também as antenas filiformes que servem para identificar o alimento antes de devorá-lo com suas mandíbulas horizontais. Em seus três pares de patas desenvolvem-se grandes espinhos para deslocamento.

E logo a barata sai de seu casulo com dois centímetros. Por possuir hábitos noturnos a barata se desvencilha de seu casulo e procura os dutos de ventilação através do corpo humano ou do animal em que está vivendo e desliza pela boca durante a noite ou até mesmo através do ânus em alguns casos. Por ser um anel muscular de controle involuntário raramente há risco de esmagamento da barata durante a sua saída, mas há muitos casos em que as baratas são esmagadas. São muitos os obstáculos para que a barata atinja sua fase adulta, mas isso não é suficiente para que entrem na lista dos seres em extinção. As baratas são seres extremamente bem adaptados às condições e pesquisas afirmam que elas sofreram poucas modificações ao longo dos milênios. Como pode-se observar as baratas existem em abundância em todas as casas rurais e urbanas e todos nós e nossos animais servimos como o berço de onde brotam estes pequenos e admiráveis Blatídeos achatados. Podemos nos considerar os pais e mães das baratas, afinal fomos nós quem as carregamos na barriga enquanto eram pequenos bebês.

Ilhota da Barata

A fobia a insetos é muito comum pois o ser humano encara o inseto com nojo e desprezo, mas há casos de pessoas que não só aprenderam a conviver em harmonia com estes minúsculos invertebrados, mas que também desenvolveram uma curiosa atração. Este é o caso de Carl Maclane, um professor de Biologia que desenvolveu um método para extrair prazer de baratas. Carl é um naturalista ativista a favor do humanismo e contra a modernização e mecanização mundial eminente. De acordo com suas crenças há uma necessidade de sentir o mundo como ele é. Sem intermediários mecânicos ou eletrônicos. Os carros por exemplo, de acordo com a visão de Carl são ameaças não só a camada de ozônio e ao aquecimento global pela produção de poluentes, mas também são uma ameaça a paz da humanidade. O petróleo se tornou valioso, os governos de todos os países ambicionam monopolizar a extração de petróleo. Outro fator é a insociabilidade, a pessoa viaja sozinha dentro de seu carro, privada de contato com o ar, com a terra, com a vida. Por outro lado Carl é a favor do transporte coletivo pois resolve uma série de problemas, entre eles a diminuição da poluição em todos os sentidos e uma diária socialização. Carl Maclane provou ser um grande fã da socialização ao simular em seu laboratório diversas experiências de socialização e travar contatos de diversas categorias não somente com os seres humanos mas também com os animais, vegetais e minerais. Um exemplo disso é o novo método que ele apelidou como “A ilhota da barata”. Carl ensina a fórmula. “É simples e pode ser feito em casa. Você precisa de uma banheira cheia de água, precisa também de uma barata de estimação que seja limpa e de um copo tampado para manter presa sua amiga barata. Entre na banheira pelado e deixe apenas a glande exposta sobre a água. Agora é hora da amiga barata entrar em ação. Solte-a nadando. Ela vai nadar para não se afogar e quando vir a pequena ilhota no meio da água vai se agarrar com todas as forças lutando pela sua sobrevivência. Você pode submergir e emergir novamente, as patinhas da barata tentarão escalar a ilha e tudo o que é preciso fazer é relaxar e apreciar a interação homem-inseto.” Segundo Carl é o dever de casa de quem tem compromisso com a natureza. A Entidade de Defesa dos Direitos Artrópodes criticam esta prática cruel e o classificam o delito como coito forçado.
Carl Maclane diz que tenciona desenvolver agora a interação de mulheres com baratas, porém reclama do distanciamento e frieza femininos “As mulheres não querem ficar perto de mim e nunca estão dispostas a participar dos meus experimentos.”
Carl Maclane prossegue sozinho com suas pesquisas mesmo tendo sua licença médica caçada no semestre passado e tendo seu projeto rejeitado em Harvard. Segundo Carl Maclane “Isso não me faz pensar em desistir. O meu sonho que é a completa e total comunicação do homem com a natureza. Enquanto as pessoas não se conscientizam disso prossigo incentivado por saber que o inseto é o melhor amigo do homem.”

Brincadeira só de adulto

In ficção on Novembro 13, 2006 at 8:51 pm

Interfone Toca. Homem atende.

__Abriu?

Homem vai até a sala onde seu filho está brincando.

__Filho. A Mamãe viajou e a amiga dela veio pra brincar comigo, mas eu quero que você vá dormir e não conte pra mamãe que amiga dela veio. Tá certo?
__Porque não pode contar pra mamãe?
__Porque… ela ia ficar brava, porque a amiga dela veio pra brincar comigo e ela ficou de fora.
__Ah tá. Ela ia ficar com inveja porque não brincou né?
__É. Isso. Tá bem filho, agora vai dormir que a minha amiga já está quase chegando.
__Ah pai, mas eu também quero brincar.
__Não filho! Não pode!
__ Porque não pode?
__Essa brincadeira é um jogo que tem regras, e a regra é: Só para adultos. Criança não brinca dessa brincadeira. É contra as regras.
__Ahhhhhh não! Então vamos brincar de alguma brincadeira que eu posso brincar.

Campainha toca. Pai leva o filho pra cama à força.

__Não! Eu quero brincar! Eu quero brincar.

Filho fica trancado no quarto gritando que quer brincar. O pai atende a porta.

__Olá.
__Oi.
__Você chegou rápido.Vamos entrando. Aceita um vinho, um suco?
__Não, obrigada. Se importa se eu fumar aqui.
__Bem… eh… pode… pode fumar. Faz o seguinte, fuma na janela.
__EU QUERO BRINCAR EU QUERO BRINCAR!
__Que isso? É a voz do Pedrinho?
__É. Ele não quis viajar.
__Assim não dá. Assim eu vou ficar com a consciência pesada. Não dá.
__Claro que dá, a gente dá um jeito. Olha. Viu só? Ele já parou. Foi dormir.

O silêncio se faz. Alguma conversa, alguma lábia, algum tempo se passam e eles estão no quarto tirando as roupas.Pedrinho aparece na porta.

__Como é essa brincadeira?
__Pedrinho! Como… Como você saiu do quarto?
__Ai meu Deus. Preciso ir. Tchau.
__Não, espera um pouco.
__Em outra hora a gente se fala. Beijo.
__Beijo. Tchau.

A mulher recolhe suas roupas e sai.

__Já acabaram a brincadeira pai?
__Já filho. Sua mãe ganhou por W.O.

As coisas que odeio e os respectivos porquês

In Sem-categoria on Novembro 11, 2006 at 6:03 pm

Descobri que odeio listas e me dou por vencido quando provérbios que rimam constatam uma verdade.

Mus miser est sabe que solo clauditur uno
Infeliz do rato que só conhece um buraco

Pares cum paribus facillime congregantur
Cada qual com seu igual

In nocte consilium
O travesseiro é o melhor conselheiro

Também odeio reportages que nada dizem, ou que não me cabem porque falta-me a paciência para lê-las.

Pesquisa científica realizada com rigor revela que entre os “deglutidores de creme a base de óleo e ovo” (em palavras chulas “comedores de maionese”) tem, paradas cardíacas como sua maior causa mortis. O excesso da gordura da maionese pode causar uma certa arritmia cardiaca, conhecid como Fibrilação auricular, em que há movimentos irregulares dos átrios, termo usado para descrever os apêndices das câmaras superiores do coração. O maior risco de Fibrilação Auricular são os riscos de embolia cerebral que ocorrem pela formação de trombos dentro da aurícula. Os pacientes de maior risco são os portadores de doenças da válvula Mitral.
A C.A.M. (Comunidade dos Apreciadores de Maionese) afirmam que esta pesquisa é uma farsa mal intensionada com fins políticos, visto que foi encomendada pela Ucrânia. Nos bastidores históricos teorias paranóicas acerca da origem da maionese se difundem pelo mundo, uma delas é que a verdadeira origem da Maionese ocorreu na França, porem, paises Europeus disputam este título culinário e muitas guildas de cozinheiros sonham em possuir os “direitos autorais” ou a “patente” sobre o produto, visto que isso renderia uma renda inigualável já que a maionese é difundida por todo o mundo como um produto sem origens. O dono da patente receberia uma fortuna em troca da descoberta, por isso as guildas de cozinheiros disputam a verdadeira origem do produto. A Ucrânia já estava fora da lista porque a única coisa que se sabe a respeito da origem da maionese é a sua data 1756, nesta época a Ucrânia havia se tornado a comunidade Polaco-Lituana logo após o Principiado de Kiev, a cidade de Kiev passou pelo rigoroso controle do Grão-Ducado da Lituânia que expandiu-se na força do Vácuo deixado pelos mongóis e muitas etnias e religiões contribuiram para a diversidade cultural e politica desse local, mas o que acontece é que nessa época o povo Mongol havia devastado a população de bovinos e galináceos do local não deixando nenhum espécime dessa raça vivo dentro do território Ucraniano durante um período de anos que compreende exatamente o período da invenção da maionese, que ocorreu em meados de 1750. Pelo fato de que não haviam galináceos vivos no território Ucraniano então era impossível que tivessem inventado a maionese na Ucrania, visto que maionese leva ovos.

Odeio costeletas.

O Ator, Juilson Malbuquerque atrasou as filmagens do longa metragem que estava rodando. Motivo? Ele usava costeletas. Sim, ele usava costeletas para uma peça de época que estava fazendo na mesma época em que rodava o filme e a peça era tão bem paga quanto o filme. O diretor do filme não podia descaracterizar o personagem portante teve que esperar duas semanas até que a peça tivesse acabado para que o ator, causador de toda a desgraça, pude raspar fora suas malditas costeletas.

NEOÍSMO E NEATIVISMO FATÍDICOS E FACTUAIS

In Sem-categoria on Novembro 11, 2006 at 5:28 pm


“Segundo Faber Stuckert a repetição inerente a condição humana nada mais é do que uma mutação do estudo de B. F. Skinner sem o seu conteúdo repetidas vezes apontado como fascista mas que não passou de uma forma de expressão mal colocada, isso quer dizer que toda a informação substancial importante no estudo daquele psicólogo sem sua carga de imposição ditatorial e negação das leis naturais pode servir de materia prima ao estudo de uma ciência a respeito da essência humana, a repetição.” Faber Stuckert relata em um manuscrito(BRUZZ) encontrado dois anos depois de seu falso sumiço,que a convivência dos seres humanos com os animais,pacifíca ou não,só traz malefícios,o neativismo clássico considera os animais selvagens e domésticos como pura forma de manifestação do neoismo.Esse relato causou discurssão entre as variadas vertentes do neoismo e neativismo.”"

Is Money Evil ?

In Sem-categoria on Novembro 7, 2006 at 3:56 pm

O Dinheiro é mau?
Isso depende de quem está com ele no bolso
O dinheiro sozinho não pode trazer um homem a ganância
A fraqueza de caráter faz estas coisas
O dinheiro pode vencer a fome, liberar você da prisão e consertar a sua fraqueza
Dinheiro pode te comprar aulas de dança
Não. O dinheiro não é mau.
Amor por dinheiro é mau.

- Tradução livre de comercial de Jonathan Glazer

Assim falou o Neonazista (2)

In ficção on Novembro 7, 2006 at 3:30 pm

Cuspir nos Idosos

Os homens e mulheres mais provectos muitas vezes costumam adquirir hábitos desagradáveis como usar fraldas, dizer bobagens sem nexo ou ficar reclamando das dores nas costas o dia inteiro. Estes são os famigerados e irritantes idosos, ou em outros termos Velhos e Anciões.
Eu não tinha nada contra eles até esta bela manhã (a mesma manhã nublada em que eu decidi escrever este manifesto), um idoso, aproveitando-se de sua condição veio grosseiramente entrando na fila do supermercado empurrando um carrinho sobre um dos cidadãos sem nenhuma cortesia. O cidadão ficou estupefato e logo em seguida o velho colocou suas três garrafas de água na minha frente sem me pedir permissão, apenas alertou: “Preferência dos idosos meu filho”. E eu sem reação deixei o velho bastardo passar na minha frente. Minutos após, quando o velho saiu do supermercado a raiva preencheu os vasos sanguíneos de minha testa conduzindo o sangue quente, causando ao mesmo tempo uma suadeira e meus olhos arregalados o observaram partir.
Mas não é só por isso, na cidade de São Paulo costumo pegar o metrô quase todos os dias e as velhinhas idosas são as primeiras a entrar apontando seus cotovelos em todas as direções para conseguir um lugar afável sobre a multidão. Certa vez uma delas me fez perder o ar quando acertou em cheio um dos lobos do pulmão e logo após, como se nada tivesse acontecido sustentou o próprio corpo contra o meu usando-me de travesseiro para que a pressa do metro não a derrubasse. Se reclamo a velhota está pronta à agressão verbal. Esta categoria é o nóxio urbano, habituado a condição de verme, explora sua vantagem confortável de sugar o sangue querendo extrair toda regalia que puder.
Quando saí do supermercado eis que ocorreu uma coincidência das maiores, o mesmo velho que havia roubado o meu lugar na fila estava precisando de ajuda para abrir o portão de sua casa pois o sistema elétrico havia emperrado e se há um Deus misericordioso é este que está acima de nós pois ele não me reconheceu e eu tive a chance de me oferecer para ajuda-lo, o maldito nem me agradeceu pela ajuda, já foi me pedindo para puxar o portão e eu sorridente preparei um bolo de saliva misturado com a secreção mucosa de minhas vias respiratórias e numa única cusparada acertei-lhe a fronte. O rosto do velho ficou lambrecado com o mel verde-amarelado gutural. A partir desse dia eu adquiri o saudável hábito de cuspir nos idosos. Já fui tolerante demais, estes malditos querem passar por cima de nós, educados e polidos jovens.
Eu cuspo nos idosos e vou te dizer mais, só estou buscando um bom motivo para não cuspir também nos mendigos e aleijados, vamos ver o que o tempo tem a dizer em defesa desses desgraçados!

Ps.: É óbvio que o texto é uma sátira e que todos nós sabemos que a condição do idoso no Brasil não é de explorador e sim de explorado e que é mal agradecido pela própria nação sendo obrigado, mesmo depois de se aposentar a gastar suas horas que deveriam ser horas de descanso em filas implorando por uma ninharia que o governo reluta em distribuir, permeando o caminho de burocracia e outros empecilhos.

O garoto que nunca viu o céu

In ficção on Novembro 5, 2006 at 1:00 am

Pedrinho nasceu com um torcicolo dos grandes. Na saída do tubo progenitor de sua doce e carinhosa mãe ele teve um probleminha…
Seus primos o chamavam de mula teimosa porque ele era realmente teimoso. O apelido veio quando visitaram a fazenda em um outono qualquer e toda a família estava reunida. A mula da fazendo até então era uma mula como outra qualquer mas decidiu sair de lá de qualquer jeito. A mula tentou pela cerca e se machucou, depois tentou sair pela porta principal, mas havia um sistema no chão pelo qual os pés cascudos não passavam e ela caiu e quebrou a perna. Ficou conhecida como a mula teimosa. Era proibida sair da fazenda por ser uma mula, mas ainda assim ela quis fugir e se deu mal.
O problema de Pedrinho era querer ver o céu apesar de seu torcicolo natural de nascença. Tentava de todos os jeitos mas sempre dava um jeito de se machucar. Os primos diziam: __Pra quer olhar pro céu Pedrinho? O céu é azul, tem umas nuvens brancas e fora isso não tem nada de mais. Grande coisa.
Pedrinho batia o pé e dizia que queria ver o tal céu de que tanto lhe falavam e de tanto insistir virou um dos caçoados, agora não só de pescocinho (seu antigo apelido) mas foi caçoado por ser teimoso como a lua.
Por sempre olhar para o chão devido ao torcicolo constante e de nascença ele tinha um contato muito próximo com os cadarços, de tanto olhar para os próprios pés desenvolveu os meios mais habilidosos de se dar um nó no cadarço, podia atar e desatar qualquer nó de marinheiro.
Foi até seu armário e tirou os cadarços de todos os sapatos velhos. Criou um sistema de cordas e montou uma pequena estrutura na maior árvore da fazenda.
Enquanto isso a mula teimosa matutava um jeito de escapar da fazenda, observando as ovelhas ela aprendeu que pular a cerca era questão de boas panturrilhas e um pouco de habilidade de salto.
Juntos pela vontade bolaram, cada um a sós, seu plano tremendo, tanto a mula quanto pedrinho.
João criou um sistema pelo qual se pendurou na árvore de cabeça para baixo e pela primeira vez viu o céu enquanto a mula escapava saltitando pela cerca.
Os primos viram que pedrinho, desde então nunca foi o mesmo e a mula nunca mais foi encontrada, mas aqueles que a viram passar sabiam que ela estava definitivamente feliz e livre como haveria de ser qualquer mula nascida sem as rédeas.
Os primos descobriram que Pedrinho não era teimoso, não, não era. A Mula era livre e Pedrinho um sonhador.

http://www.flickr.com/photos/fracturedacetabulum/page2/

Assim falou o Neonazista

In Sem-categoria on Novembro 3, 2006 at 10:44 pm

É natural do ser humano sentir desejo por conhecer a África e não há nada de estranho ou reprovável neste desejo, aliás, muito pelo contrário, é parte de uma pessoa de mente aberta e capacidade de reconhecer que foi lá que a humanidade nasceu. Hoje no continente Africano ainda vivem alguns de nossos antepassados como por exemplo… os macacos.

Hai Kais de Manhã

In ficção on Novembro 3, 2006 at 10:35 pm

Letrinhas miúdas
Unidas caçoam
Do ponto final

Abro a Janela
A luz da Manhã
Cheiro de Canela

A feira das flores
Penso calado
Plantar um Bonsai

Passos de moça
Andar tão bonita
Mal quebram as folhas

Cadarço amarrado
A brisa não entra
Nos dedos dos pés

Linhas certeiras
Caneta rabisca
Poema hai kai

Asinhas batendo
No ar se suspende
Beijando a flor

Tola e dura
Prisão detratora
Ao sonhador não segura

Poema pequeno
Não rima ou ensina
A vida se vive

O sol ensaiando
Desafio nublado
A trégua das nuvens

Os pêssegos dela

In Sem-categoria on Novembro 2, 2006 at 2:12 am

Prunus persica

Lembro de coisas ao comprar um pêssego na feira pela manhã de um dia ensolarado. A primeira das coisas é com certeza a textura suave dos pelos minúsculos que se arrastam contra a palma da minha mão umidecida pelo suor. O cheiro, o cheiro é outra coisa que gosto de sentir num pêssego, meu nariz se aproxima como se estivesse provando do bom vinho sem a boca, aguço os instintos para experimentar separadamente cada sensação que esta pequena benção em forma de fruta pode me oferecer. E por fim abocanho a fruta suculenta e sinto suas fibras molhadas deslizarem pela garganta.
Talvez de todas as coisas o ato, o pequeno ritual, de se provar um pêssego mais se assemelhe ao ato de se provar um seio feminino, de sentir seu formato, de lhe tocar a boca e sentir a carne suave com os lábios com o rosto pressionado contra este espaço aconchegante que elas nos reservam nos melhores momentos da intimidade compartilhado.
Seios e pêssegos. Seios e pêssegos. Breasts and Peaches.