
Vi e copiei.
Segui a fórmula de sucesso do original. O sucesso é uma equação matemática. Mas a verdade é que o resultado da fórmula de sucesso, por melhor e mais milimétricamente calculado que fosse, não se comparava a grosseria agradável de se olhar para a originalidade angelical.
Estava faltando a essência. Faltava-lhe o cheiro da verdadeira tinta pintada a dedo pela mesma mão que escolheu frutas frescas na feira arejada para o café da manhã e que entre todas selecionou um pêssego suculento e alguns pedaços de cheiro verde para acompanhar o almoço que viria mais tarde. O gosto desse dia bonito estava impresso na pintura verdadeira, mas não estava na minha cópia pois meu dia, o de imitador, imitava tudo menos o verdadeiro motivo pelo qual aquele quadro havia sido pintado.
Obedecer a fórmula não se mostrou o plano mais eficiente. Faltava-me o cheiro de um café saboroso pela manhã e a saliva na boca esperando pelo almoço do repartido meio dia. Faltava-me o desejo sedento da morena ainda mais suculenta e vistosa que o pêssego. Faltava o sopro do vento matutino e a música urbana preenchendo os pincéis não apenas de tinta mas de verdadeira vontade de pintar. Falta algo ao copiador…
E era o cheiro.
Posts de Outubro, 2006
Falta algo ao copiador
In ficção on Outubro 31, 2006 at 2:20 amO ESPÍRITO NOTÍVAGO
In ficção on Outubro 26, 2006 at 5:17 pm
São três horas da tarde. Três horas da tarde.
O tempo reserva boas surpresas para aquele que espera. Eu estou esperando, esperando e os ponteiros pesados adicionam quilos por hora a cada sessenta estocadas do tempo no meu saco do descanso.
A guerra contra a insônia é uma batalha dura, os fracos caem no primeiro travesseiro, uma cama macia ou até mesmo um assento de pedra da praça da esquina da rua podem ser uma tentação fatal para aquele sonolento caranguejo se arrastando pelas ruas com as puãs levantadas segurando-se nas nuvens escorregadias, ele não quer sonhar, não ainda. O insone precisa sonhar e sonhar bem, mas precisa sonha na hora certa, caso contrário o insone vara a madrugada. Sozinho durante a madrugada o insone se culpa, ele se culpa por ser solitário, ele se culpa pois o mundo tem um ritmo. Todos dançam no mesmo ritmo mas o insone não sabe dançar, não aprendeu a balançar o quadril. Enquanto todos acordem sacolejando de manhã o insone começa a babar no seu travesseiro.
Ah o insone, o triste insone, tudo o que ele quer é dormir. Dormir bem, um sono, deem um sono de esmola ao insone, o insone quer o sono.
Mas hoje é o dia em que o espírito do insone está em prova. A alma. A alma é algo étereo, tem a ver com fôlego, com ar, a palavra deriva das mesmas raizes, o insone tem os pulmões cheios de ar e tampou as narinas, precisa aguentar um dia inteiro apenas com o ar que tem nos pulmões. Precisa provar para sí mesmo que tem fôlego, precisa provar para sí mesmo que ele tem uma alma assim como todas as outras pessoas.
É por possuir um espírito forte que o insone não cede ao sono na hora errada, ele resiste ao travesseiro. Só vai dormir na hora certa. O insone vai dormir de noite junto com todos os outros sonolentos da madrugada. O insone quer dormir, quer fazer como todos fazem a noite, esticar as pernas, se cobrir com o cobertor, babar no travesseiro e pôr a alma pra viajar de férias.
O insone quer o sono.
Insônia
In Sem-categoria on Outubro 24, 2006 at 9:47 pm
Eu to tentando dormir mas não tenho conseguido. Eu to tentando escrever mas não tenho conseguido.
Antes de dormir eu fico reparando nas coisas em volta. A minha janela fic perto de uma pista movimentada e a minha impressão é que os carros e as pessoas estão passando dentro do meu quarto. Meu quarto não me parece seguro. As vozes das pessoas e dos carros estão lá dentro e falam mais alto do que eu consigo pensar, se embaralham com as minhas idéias. Eu já não sei mais o que pensar porque as vozes ficam me dizendo coisas sem sentido. As vozes, os carros, as sirenes.
Quando eu viajei de volta para minha casa eu sonhei que estava na praia. A única voz além da minha era uma voz que ia e vinha, ia e vinha, ia e vinha. Era a voz do mar.
Do que se tratam as suas criações?
In Sem-categoria on Outubro 20, 2006 at 10:56 pmATO 1 – QUAL IDÉIA AFINAL ?
Ontem a noite tive uma idéia genial. Não me lembro o que foi mas quero pedir meu crédito e fama à televisão mais próxima e registrar na biblioteca nacional para garantir que ninguém vai usurpar os direitos que são meus por natureza!
É ! ISSO AÍ! ASSIM QUE EU GARANTO O MEU PRIVILÉGIO DE CRIADOR!
ATO 2 – A CRIATURA OU O CRIADOR ?
A Criação ganha vida e toma as ruas pregando o terror para todos os passantes, o criador perde o direito e controle sobre sua obra, seus pôsteres estão espalhados em todas as vitrines e as canetas se desgastam de tantos autografos, necessidade imediata, mais básica que comida por parte dos fãs ávidos por um olhar sequer do gênio criador. A criatura ganhou vida e todos amam a criatura e através da criatura um criador mal pago que busca não mais do que alguns centavos para tomar o próximo café da manhã.
ATO 3 – GRAN FINALE
No mesmo terreiro em que a Xuxa ganhou seu nome (oXUm e oriXÁ) ele descobre o caminho que deve perseguir, na próxima encruzilhada um breve encontro com o diabo lhe traz a resposta sobre como empregar seu dinheiro e todos seus esforços e objetivos. O criador perdeu o controle não somente da própria criação, mas da própria vida ambição e fama. O criador está cego pelo sucesso. Surdo pela arrogância. Pregado no chão pela espiritualidade dilacerada que um conjunto de drogas festas e orgias lhe causou durante um ano inteiro de sucesso que passou tão rápido quanto uma noite dançando sob o som hipnótico da música eletrônicamente destituida de qualquer significado. É a magia da modernidade, ela é capaz de trazer informações, cores, gostos, sensações, desejos e gozo enquanto de forma sutil e sagaz como o bote felino sobre um rato descuidado lhe rouba a alma pelas artérias do pescoço e suga com gosto das tripas ao coração. Nada resta nada além de uma carcaça acabada num fim de vida sem paz. Da saudade de amar. Do desejo de criar. Você precisa de uma musa e nem ela está por perto.
Sobre o que você está tentando falar? É difícil convencer alguém se nem você mesmo descobriu.
O Homem do Omelete
In ficção on Outubro 19, 2006 at 4:51 pmEm São Paulo o sabor da comida, de acordo com a média aritmética de um bolso quase vazio, razoável. Costumo visitar um restaurante que prepara um omelete acima de razoável dentro da conjunto de restaurantes que conheço.
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Quando me sinto de bom humor tem duas coisas que gosto de comer, chocolate ou omelete. Portanto a doceria e este restaurante costumam me receber no meu melhor estado de espírito. Sempre entro alí de bom humor, às vezes com um pouco de preguiça, mas tranqüilo. Há outro fato peculiar sobre mim quando estou de bom humor, começo a ter idéias aos montes, nesses dias ando com caderno e caneta sobre o braço. Quando eu não levo o caderno e caneta eu peço emprestada uma caneta ao caixa e anoto as idéias em um pedaço de guardanapo. Após um tempo com este hábito percebi que a garçonete me observava atentamente movida por uma espécie de curiosidade enquanto eu escrevia.
Ao pedir o omelete eu pedia sempre acompanhado por uma porção de feijão. O omelete vem apenas com batata frita e arroz. Não sou o maior fã de feijão, mas é essencial que num almoço brasileiro esteja presente este pequeno companheiro do arroz para contribuir com seu ferro na corrente sanguínea de um cidadão bem nutrido. E no meu caso, como o de todos os magros, há sempre o risco de desaparecimento, desintegração. Nós magros já somos esquecidos com facilidade, nossa existência beira a inexistência. Temos um secreto complexo de querer comer muito sem nunca engordar. É a sina do magro. Nesse hábito de pedir feijão antes das refeições chegou um ponto em que eu não precisava mais pedir a porção extra, ela já trazia o prato sob medida com meu feijão extra.
Lembro de uma vez em que precisei acordar muito cedo e passei em frente ao restaurante quando eles estavam abrindo para o Café da manhã. Eu não ia entrar mas resolvi parar e conversar com a garçonete que me reconheceu no ato. Descobri que eu virara uma lenda no restaurante, os garçons apostavam sobre qual seria a minha profissão e tentavam adivinhar o que estaria eu escrevendo nos meus papéis. Lendas pitorescas percorriam o imaginário dos funcionários. Perguntavam-se que notas eu estaria tomando em meus papéis, estaria planejando um assalto? Seria um fiscal sanitário? Ou um espião da rede de restaurantes alheia em busca da receita do omelete? O meu hábito de pedir sempre omelete com um prato extra de feijão era, para eles, um tanto quanto suspeito. Eu fui evasivo e não expliquei muito acerca dos meus motivos e da minha personalidade, decidi deixar que o mistério se prorrogasse.
Depois de muito tempo ausente resolvi comer o meu costumeiro omelete. Quando me sentei para fazer o pedido já não era mais a mesma garçonete que atendia os clientes. A nova garçonete era uma novata bem diferente da anterior. Me sentei bem humorado com o caderno sobre o braço. A nova garçonete veio me atender, eu pedi o famigerado omelete. Ela parou imediatamente. Me encarou nos olhos durante cinco exatos segundos em um silêncio estupefato. O rosto da moça adquiriu uma expressão que em câmera lenta se transformava num olhar de camaradagem, de compreensão. Eu fiquei sem jeito, não entendia o porque de toda aquela cena. Os olhos da nova moça brilhavam. Eu não saberia distinguir que olhar era aquele, talvez fosse o mesmo olhar que fazem as mulheres ao descobrir que seu marido volta vivo da guerra, ou talvez não fosse nada disso, eu nunca fui um marido e nem muito menos fui ou voltei da guerra, levando estes detalhes em consideração, como haveria eu de reconhecer tal olhar?
Sem dizer uma palavra a nova garçonete anotou o meu pedido cuidadosamente: Um Omelete com uma porção extra de feijão.
Ela nunca me viu antes, mas deduziu através das histórias misteriosas que circulam o submundo dos funcionários mal pagos de restaurantes de terceira categoria. Todas aquelas histórias eram verdadeiras. O peculiar mistério sem resposta do Homem do Omelete não era apenas uma lenda. Era verdade.
A CARTA E O DIÁLOGO
In ficção on Outubro 18, 2006 at 10:55 pmA CARTA QUE PROCEDE O DIÁLOGO
Não sei o que se passa, mas desde que te encontrei na bienal que ando meio estranho. Você reparou com certeza…
Eu tava suando!
Eu nunca me sentí muito confortável na sua presença, não por não gostar, mas porque você tem uma energia pessoal muito forte e nas poucas vezes que a gente conversou foram sempre assuntos formais ou banais. Não sei o que é, mas te associo às personagens das histórias em quadrinhos eróticas do Milo Manara, seu corpo, sua aparência, seus trejeitos, parece à mim como “A mulher” sexualmente utópica. Foi alguma idealização maluca a que eu cheguei por algum motivo, uma FORMA, da qual você saiu ou na qual você se encaixa.
E eu sempre travei os contatos contigo tentando esconder isso, uma espécie de contenção do desejo. Não é uma atração romântica, não é amor platônico, é contenção de desejo mesmo, tesão contido.
Não sei como isso vai soar, se é idiota ou vulgar, mas eu tinha que falar que a vontade que eu tive naquela hora foi de te agarrar alí no meio de todo mundo. Eu estava saindo da sala escura e topei com você entrando, queria te levar lá pra dentro. Quando eu te abracei, por te reconhecer queria era puxar você mas a preocupação social em fazer algo estranho e pior ainda a preocupação de ser rejeitado me fazem agir como um ser humano normal agiria, te cumprimentei e mantive a formalidade. Fiquei me contendo pra ficar numa boa, fiquei numa boa mas me passei por idiota e só de escrever essas coisas to me achando idiota pela segunda vez.
É isso.
O DIÁLOGO QUE PRECEDE A CARTA
__Opa. Você por aqui?
__Marina! Há quanto tempo!?
__Oi! E aí!? O que você está vendo aí?
__Essa parte da exposição são uns videos de um pessoal que fica se abraçando sem nenhum motivo aparente.
__Legal. Você já viu a sala das lâmpadas?
__Já. Você já viu as fotos tiradas na Africa? Parece que é outro mundo, outra época.
__E aí? Como tá lá na faculdade?
__Tá bem. Tá uma correria danada. É o finalzinho já, o pessoal tá desesperado. Estão tentando conseguir dinheiro pra investir no projeto.
__E você acha que eles vão conseguir?
__Acho difícil porque tá muito em cima da hora.
__É. Lá é sempre assim. Por isso eu saí de lá. Não dá pra ficar investindo dinheiro do próprio bolso, tá na hora de ganhar dinheiro.
__Pois é.
__Pois é.
__E aí, o que você anda fazendo?
__Ah. Eu me desliguei um pouco dessa área. Agora to fazendo uns comerciais aí, trabalho para agências, modelo. To pensando em ir para Barcelona.
__Barcelona? É mesmo? Fazer o que lá?
__Modelo né. Vou tentar carreira de modelo lá. Vou para estudar e trabalhar.
__Poxa, bacana. Lá é o lugar pra essas coisas. Eu te ví outro dia numa propaganda do jornal local, estava passando na rua e ví um cartaz seu.
__É mesmo? Aonde foi?
__Foi perto da estação vergueiro. Lá no centro cultural.
__Foi bom você ter me avisado. Eu nem estava sabendo disso, eles precisam me pagar porque eles disseram que a circulação já havia acabado e o pagamento é de acordo com o tempo de circulação. Mas e aí, a foto estava boa?
__Você estava linda.
__Que bom.
__É.
__E você. O que vai fazer quando terminar a faculdade?
__Eu ainda não sei. To pensando se volto pra Brasília e termino algumas coisas que tenho pra fazer por lá. Na verdade eu não queria ir embora de São Paulo…
__Você tá suando?
__É… t… tá meio calor aqui dentro.
__Eu to achando meio frio.
__É… sei lá. Eu tenho dessas as vezes.
__Quando fica nervoso?
__N… não. Eu não to nervoso.
__Tudo bem. Bom, Gustavo, preciso ir, estou com alguns amigos e eles devem estar me procurando.
__T… tá bem.
__Tchau.
__Tchau.
__Que foi?
__Eu não posso te deixar ir!
__O que foi?
__Não! Antes… antes eu quero te falar.
__Que foi Gustavo?
__Eu sempre travei esses contatos contigo. Esses contatos formais. Sempre que a gente conversa são essas bobeiras que pra mim não interessam. Eu to sempre tentando esconder algo que tá contido aqui.
__Que isso Gustavo? Do que você tá falando? Você tá apaixonado por mim? É isso?
__Não Marina. Antes fosse isso, não quero soar vulgar ou idiota, mas eu tenho que falar. Sempre que te encontro, sempre que te dou esses dois beijinhos e te abraço e encosto na sua pele a vontade que eu tenho é de te agarrar, seja onde for, na frente de todo mundo mesmo. Minha preocupação com o social e pior ainda, com a possibilidade de você me rejeitar me deixam nesse estado. Eu to parecendo um idiota, suando na sua frente. Sabe o que é isso Marina? Sabe o que é isso?
__O que?
__Tesão contido! Tesão contido! Eu te acho uma das mulheres mais gostosas da face da terra. Parece uma personagem das histórias eróticas do Milo Manara. A mulher sexualmente utópica! É isso que eu acho que você é! Isso não é um amor platônico que eu tenho por você, não é que eu sofro romanticamente nem fico uivando pra lua. É tesão contido. Que merda. Eu tinha que dizer tudo isso, eu tava me sentindo um idiota formal, tava suando. Devo estar parecendo ainda mais idiota agora.
__Sabe. Eu não acho isso de todo o ruim.
__Não?
__Não.
__Iss…
__Eu acho ótimo, porque se eu desperto esse tipo de desejo nas pessoas é sinal de que vou fazer sucesso na minha carreira como modelo. Os homens sentem esse desejo carnal por mim. Eles querem realmente me pegar e bombar dentro de mim. É ótimo saber que você sente isso por mim, obrigada por me dizer essas coisas. Você me dá confiança de saber que eu to no caminho certo indo pra Barcelona pra estudar e pra trabalhar.
__Então eu ac…
__Calma Gustavo. Não me agarra. Eu não disse que você podia. Eu só quis dizer que foi bom você ter dito essas coisas. Pensa bem. Se você me possuir aqui agora, se você sentir como eu sou por dentro a graça toda se dissipa. A graça tá na fantasia que você tem por mim. A graça está em você achar que eu sou a mulher utópica e inalcansável. Se você me pega do jeito que imagina e transa comigo aqui dentro dessa exposição eu não sou mais um ideal a ser atingido, eu sou como uma outra qualquer. Eu não quero ser uma outra qualquer para ninguém, a pior coisa do mundo é ser uma qualquer.
__Mas Marina…
__Eu já disse. Me larga Gustavo. Eu não transo com homens. Adoro que eles fiquem me desejando. Adoro saber o que eles gostariam de fazer comigo, mas eu só transo com mulheres. E não fique triste por estar se achando um idiota, todos homens são idiotas, você não é diferente. Agora preciso ir. Tchau Gu. Beijo e obrigada.
__Mas…
__Me larga Gustavo, tenho que ir.
__Marina…
__Tchau.
Um Grito e Passa (Ver. 2)
In Sem-categoria on Outubro 15, 2006 at 3:17 pmDerrubo a coberta e o peito me pulsa
Sangue fervendo e o ódio crescendo.
A preguiça atesta a vida dormente.
Num salto fudido percorro o espaço.
Embrulho a escada, a porta aberta,
o frio lá fora, a grama molhada.
Cachorro não late e o carro não chia
Faróis apagados e a laia dormindo.
Acorda o cachorro ao pio d’pardal,
Ensejo ao alado que caiu do umbral,
se sonha adiante que aprenda a voar.
O carro passando, eu pulo a porteira,
Esmago a minhoca e rasgo a camisa,
Meu peito desnudo o frio é maciço.
A rua calada em langor tão singelo
O ar puro salubre aos pelos eriça
e vejo a espuma formando no ar
a nuvem do frio que cinza é vapor.
O grito enlouquece a noite padece
A janela escura se torna ocupada
vizinho procura o ser que vivente
na noite contesta o fim da morosa
e traz no respiro um ocaso veloz
cedendo à preguiça o ditoso clamor
de um dia humano perpétuo enfim.
Ilusões sobre mulheres e feijão
In Sem-categoria on Outubro 10, 2006 at 9:40 pm
* Tenho uma teoria de que as mulheres loiras não existem, elas são apenas uma projeção ideal subconsciente masculino.
* Não gosto de feijão, mas todos acham que eu gosto. Como apenas porque me é saudável. Sigo uma corrente de pensamento que acredita que o feijão não combina com batatas fritas e nem muito menos com carne ou omelete. As combinações ideais para o feijão são arroz puro ou feijão sem molho com carne de sol.
* Mulheres que cozinham, mesmo as que cozinham muito bem, tem uma forte tendência intelectual que vai contra a idéia da combinação ideal dos feijões, muitas vezes ignorando o gênero da leguminosa Fabaceae, elas vem seguindo uma outra corrente estética que se baseia no fato de que o feijão, assim como a cor preta, combina com qualquer coisa.
* No passado os sábios já tinham a noção do que nós (atuais seres evoluídos) já sabemos: OS FEIJÕES NÃO SÃO PARA COMER! Esta é uma ilusão que provavelmente foi criada na idade das trevas do homem quando a igreja católica baniu todo o conhecimento e poucos sabiam ler. Durante o periodo da fome o homem é capaz de comer até sapatos e difundiu-se o preparo destas sementes como forma de alimentação. Mesmo depois da iluminação intelectual do homem esta crença permaneceu viva e nunca foi contestada até então. Na Grécia antiga e no império Romano por exemplo, o feijão era utilizado para votar. O feijão branco significava sim e o feijão preto significava não. Eles sabiam bem que a função do feijão não é a de percorrer nossos dutos intestinais, hoje em dia um sábio uso para os feijões é utiliza-lo como moeda corrente de aposta em jogos de Poker, você não gasta seu dinheiro e a diversão é garantida com algumas centenas de “Phaseolus vulgaris“.
* Uma prova que é a antitese da importância cultural do feijão e atesta o crescimento intelectual da população é o fato de que o rendimento médio nacional do feijão Brasileiro está reduzindo. No período de 1966-1970 atingia cerca de 650 Kg/Ha, no periodo de 1974-1978 este valor diminuiu para 500 Kg/Ha, e continua reduzindo. Para efeito de comparação perceba que paises mais evoluídos como EUA, JAPÃO, TURQUIA e ITÁLIA juntos tem rendimento médio de cerca de 1.400 Kg/Ha. Ainda há um longo caminho de conscientização para o que o povo Brasileiro compreenda o problema do feijão.
* Para quem não sabe (e isso é sério) uma outra ilusão a ser desfeita é de que o feijão é puramente um nutriente. O consumo em quantidades de média a alta de feijão está sendo associado a diminuição no desenvolvimento de doenças como o diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e até mesmo neoplasias. E isso está no Wikipedia e se está lá meu amigo, é como assistir algo no discovery, vale mais que prova científica no final da sentença.

São todas ilusões das quais precisamos ter noção para prosseguir uma vida segura, sem ilusões, com o pé fincado no chão (não enterrados como os feijões, mas ao menos protegidos do atrito natural por sapatos), pois só a razão pode nos dizer que o real é baseado no fato de que o feijão e as mulheres loiras são ilusões que nos fazem mal e precisamos abrir os olhos para a realidade, que são basicamente as mulheres morenas e o arroz com batata frita.
Falando em Beans, o autor do desenho que ilustra esta pesquisa científica se chama: Julian Beaver e seu site é http://users.skynet.be/J.Beever/pave.htm