Gustavo

Posts de Setembro, 2006

Eu tenho seu nome aqui anotado

In ficção on Setembro 25, 2006 at 12:02 am


Eu tenho seu nome aqui anotado no meu caderno.
Tenho várias listas no meu caderno, sou fã de listas, tenho pouca memória e esse é o motivo pelo qual faço listas, para não esquecer das coisas importantes. Só anoto coisas importantes no meu caderno. Preciso de uma lista para cada aspecto da minha vida porque minha moralidade é mutável, se eu não me centrar nas lembranças sou um ser mutante desprovido de centro, não tenho um guia que me indica o caminho a ser seguido. Escolho o que estiver a frente sem julgamentos. Meu carderno faz o papel da parte do meu cérebro que nunca se desenvolveu que faz menção a moralidade e aos passos éticos, filosóficos e políticos que eu deveria adotar para ser um homem comum, eu não sou um homem comum. Não que eu seja um sujo imoral, acontece apenas de não me lembrar nunca dos princípios básicos sobre como reger cada passo de minha vida. Por um lado sou livre, por outro estou a mercê do acaso.
Você ouve a corneta soar ao fundo? Eu deixei tocando para você, é um cd antigo de músicas lacrimosas, lacrimosas porque fazem chorar e você merece perdão, mas não sou eu quem vai lhe redimir, porque no meu caderno, na lista de vingança, seu nome está escrito.

Não leve para o lado pessoal. Eu nem me lembro o motivo, mas se está anotado… bem, se está anotado deve haver algum motivo, um bom motivo.

Trilha sonora recomendada:
You Cant Do That on Stage Anymore
FRANK ZAPPA

CAUSO 01 – Banheiro

In ficção on Setembro 22, 2006 at 7:09 pm


O banheiro masculino é consideravelmente limpo, não é o banheiro mais limpo e impecável que você já viu, mas é o tipo do banheiro que uma pessoa bem instruída e de hábitos saudáveis consideraria grande possibilidade de usar um assento no caso de uma emergência intestinal.

É um banheiro espaçoso, o ar que circula em seu interior é de qualidade satisfatória, não completmanete inodoro pois pode-se sentir o leve aroma dos produtos de limpeza, que por sua vez já são aromatizados com perfumes desde a fabricação.

De dentro de um dos três toaletes presentes no banheiro sai a garota, uma estudante de 16 anos carregando os cadernos nos braços cruzados sobre o peito. Ela usa formidáveis trancinhas nos cabelos e um aparelho odontológico que lhe confere um aspecto duplamente juvenil, seu rosto cheio de sardas e seus cabelos vermelhos são apenas redundâncias em relação ao seu nome, Rubia.
Logo depois sai de dentro do mesmo toalete o professor astigmata, na casa dos quarenta, terno batido, calça social e uma aparência genuinamente intelectual de quem já viajou quando jovem para as ilhas de galapagos e gaba-se disso até hoje. O professor traja os olhos com seus óculos de grau num gesto automático.

Rubia pára na porta do banheiro e espera o professor lavar as mãos, outro gesto automático para uma pessoa de higiene saudável.

“Ainda há aspectos a ponderar sobre a lição de hoje Rubia.” – Ele comenta com o semblante intelectual inalterado.

“Eu sei.” – Responde a aluna olhando para a porta, parece ansiosa.

O professor termina a assepsia e deixa que ela saia na frente de acordo com seus preceitos cavalheiristicos. Os pais da aluna a esperam do lado de fora. A mãe tem as sardas e o pai é Ruivo, o resultado imediato do amálgama é Rubia, além de dois infanto juvenis, adoráveis gêmeos que ainda não chegaram na fase escolar.

O pai de Rubia cumprimenta o professor e olha para a filha, está orgulhoso de sua menina.

“Como foi a aula hoje professor?” – Pergunta o pai abrindo um sorriso amistoso.

Enquanto isso a mãe de Rubia recebe seus cadernos. Rubia tem o dia inteiro pela frente e já está fazendo planos de se encontrar com suas amigas para se divertir com coisas de meninas.

“Rubia é uma garota esmerada, percebe-se isso através de seu empenho”, responde o ilustre professor, “Encontrei alguns pormenores que precisam ser desenvolvidos e trabalhados com afinco, porém para a idade dela são problemas naturais. Todos os erros de procedimento serão corrigidos, isso eu garanto.”

Rubia e sua mãe se entreolham felizes, mas uma mãe nunca está satisfeita e quer que sua filha esteja sempre a frente. “Rubia, você precisa estudar em casa. Eu nunca entendí dessas coisas, então é melhor que seu pai te ensine quando voltar do trabalho. Vai ter que estudar pelo menos uma hora por dia de dever de casa!”

“Mas mãe…” Responde Rubia chateada porque é uma hora preciosa que ela poderia gastar assistindo TV ou simplesmente decidindo o que faria na próxima hora.

“Rubia! O que eu disse? Vai estudar e pronto!” A categoria com que a mãe encerra ao assunto demonstra como funciona a hierarquia dentro da família, o professor percebe que ela está crescendo em um lar clássico e é benquista pelos pais.

Rubia despede-se com um aceno ao professor. Os pais cumprimentam o professor e partem. Rubia está contente, hoje é dia de almoçar no MacDonalds.

O professor volta para o banheiro masculino e espera pelo próximo estudante em seu acento.

—–

Cheerleadres americanas foram presas por transarem em banheiro público. (Entre elas)
http://www.derekbrown.ca/archives/panthers.jpg

Esse banheiro público era um lugar para se descansar. As pessoas podias vir e relaxar, ouvir música ao vivo enquanto descarregavam o conteúdo de seus intestinos.
http://community.iexplore.com/photogallery/displayFeaturePhoto.asp?ID=73704

Estava ouvindo no Jô Soares outro dia sobre uma mulher que estudou antigos hábitos estranhos e descobriu que na idade média haviam lugares na Inglaterra onde o momento matinal de defecação real era um momento social em que as pessoas vinham até o castelo para assistir o rei fazer coco. elas conversavam entre sí, contavam as novidades, riam e discutiam assuntos políticos enquanto o rei estava sentado em seu “trono”.

Da importância da selvageria

In Sem-categoria on Setembro 17, 2006 at 10:28 pm

A sociedade é uma forma antinatural de manter a ordem entre os humanos porque vai de encontro violento e imediato aos instintos primitivos de caçar, procriar e descansar. A fera corre atrás de sua presa, curra sua fêmea e dorme. Isso exercita seus atributos físicos, mentais e carnais sem envolvimento com a ética ou moral. A ausência de regras e restrições impostas sem naturalidade causa uma vida saudável. Não há crise existencial para quem existe sem a doença da filosofia. Uma epidemia memética que gera círculos mentais de dúvidas infinitas nunca chegando a resultado ou consenso algum.

O trabalho social, no entanto, estimula o homem-cidade apenas a querer fugir de sua organização artificial. O Homem-cidade não exercita seus músculos e consequentemente a mente do homem animal não entra em harmonia com o corpo de forma que o sexo não satisfaz e o homem precisa buscar perversão para suprir instintos naturais reprimidos, afinal repressão gera perversão.

As conseqüências de um mundo onde a selvageria tornou-se obsoleta são a princípio uma vida permeada de confortos que amaciam a vontade humana de perseverar, de sobreviver. A ausência dessa vontade é causa comum de suicídios, de criminalidade e de doenças mentais muitas vezes detectadas pela psicanálise como a neurose, a psicose, a psicopatia.

Não somente homens doentes psicologicamente são criados dentro desse sistema, mas homens mentalmente e fisicamente incapazes e indispostos. O amor é anti-natural e precisa de modelos sem espontaneidade pois o homem não é capaz de sentir o verdadeiro amor sem ajuda. Ele se tornou intelectual demais ao ponto de engolir sua capacidade perceptiva, precisa buscar o amor na ficção, precisa se proteger em seu ostracismo, precisa buscar a vida em aparelhos eletrônicos. Na religião surgem os responsáveis pela manutenção da ética incondicional, a ciência é a religião dos céticos, o militarismo é a opressão, ou a garantia do conforto sob o risco de que os indivíduos tem suas liberdades individuais podadas em nome de todo o sistema. No amor os ficcionistas repetem fórmulas infinitas de padrões comportamentais que alimentam as imaginações infantis e proliferam-se nas imaginações adultas. A visão de mundo do homem-cidade é limitada e o seu horizonte é estreito. Um cavalo domado é um eqüino que enxerga o mundo através de um cabresto. Um romântico incorrigível é um homem que enxerga o mundo através de um prepúcio fimótico.

A importância do homem animal e a manutenção dos níveis mínimos de selvageria necessária para a saúde mental e física, e pode se dizer até espiritual. A única rima possível entre o homem e a vida se dá no ponto de equilíbrio entre o seu lado humano e seu lado animalesco. Entre Yin e Yang.

http://www.ronriddle.com/images/films/wildcity5.jpg

Preciso ir

In ficção on Setembro 17, 2006 at 1:37 am

Você estava de boias, eu fui justo e não te derrubei, mas roubei um beijo teu, você nem viu. Pensei te convidar pra descer da bóia mas sou um pouco de inseguro, você não me dizia nem mostrava se gostava era do fundo, do céu ou da superfície. Fiquei um pouco de solitário, a despeito não é por causa de ausência sua que vivo de solidão triste. Minha própria companhia a mim agrada.

Você é previsível e o espanto é saber que o evidente era verdade. Pode ignorar mas minha cabeça vez ou outra salta à superfície para te ver boiando. Não guardei nenhum estoque de oxigênio ou lágrimas para você, não reservei cotas de saudade ou sofrimento. Até porque não se chora debaixo da água. Os estoques são restritos para as companhias de coração. Não insisto nem te abordo uma outra vez nem tento outro beijo roubado, boie a vontade fingindo que não existo. Inflada na superfície, do alto de sua bóia achando que eu sou um destes peixes que vai e vem.

Enquanto isso o tempo faz sua parte porque eu tenho uma pedra amarrada no tornozelo que me leva pra longe de tí.

Estava na Coca Cola

In ficção on Setembro 15, 2006 at 9:31 pm

11:00
A única coisa que ele tomou naquela festasinha sem graça foi uma Coca Cola, nada mais, mas talvez tivesse sido o bastante. Passou pelo meio da muvuca e de saco cheio daquela bagunça infernal que a maioria das pessoas costuma chamar de diversão ele abriu caminho até seu carro e chegou todo suado. Meia hora depois ele já estava em casa, seco do suor mas fedendo. Estava tão cansado que nem se preocupou em se lavar ou escovar os dentes, mergulhou na cama e tirou um bom sono.

2:58
Um estranho pesadelo toma conta de sua criação, não são palavras que podem distinguir o que ele está sentindo. Um gosto estranho na boca, um cheiro estranho parece trepassar cada um de seus poros, uma sensação nauseante o leva a se perceber dentro de uma espécie de uma caixa de sapatos gigante que está se dobrando e fechando toda, cada vez as paredes estão mais próximas e o gosto e o cheiro estão cada vez mais insuportáveis. Pense no pior gosto que jamais sentiu na vida, pense no pior cheiro que jamais sentiu na vida, agora imagine que você começa a acreditar que estes cheiros estão presos em você e que provavelmente nunca mais abandonarão os seus sentidos. Foi dessa sensação que ele acordou desesperado para se livrar. O suicídio lhe pareceu a o opção mais feliz, levantou-se rapidamente da cama. Estava acordado sem entender porque estava sentindo todas aquelas coisas. Foi a coca cola, só pode ter sido. Desceu as escadas meio inseguro com cuidado para não acordar seus pais. Não estava entendendo o que estava acontecendo direito, estava com medo de ficar louco, de ficar daquele jeito pra sempre. Nunca sentiu uma coisa assim.

3:05
Bebeu um copo d’agua, comeu um doce, a tal realidade agora parecia mais nítida novamente. Percebeu suas roupas sujas fedendo e subiu pra tomar um banho quente. Debaixo do chuveiro se deu conta de que acabara de sofrer uma espécie de crise de pânico. Estes episódios são comuns em pessoas que estão passando por crises psicológicas de estresse, é uma espécie de estopim da mente, ela perde o fio da meada e o medo a invade. Teve uma amiga que passou por isso. O vizinho dela tinha morrido uns dias antes, ela estava aparentemente bem, mas então ela teve um acesso de medo uns dias depois, um medo inexplicável que era tão assustador, mas tão assustador que ela simplesmente sentiu medo de sentir aquele mesmo medo novamente. Para a sorte ele sabia do que se tratava, quase não havia porque se desesperar… Talvez o único motivo pelo qual ele quisesse se desesperar era o de que ele não tinha nenhum colo sob o qual pudesse chorar. A última garota que ele amou nunca entenderia nada disso. Ela o achava um fraco. Ele queria desabafar mas não gostaria de confiar nela, afinal ela acha um fraco todo aquele que chora.

Se ele chorasse no colo dela pedindo por um pouco de abrigo enquanto está mal da cabeça ela pararia instantâneamente e diria “O que está havendo?” com uma cara de tédio no rosto como quem diz “Você está grandinho demais pra alguém cuidar de você”. Mas ele só precisava daquele momento. As lágrimas o ajudaram a ficar mais tranquilo e a possibilidade de estar ficando louco agora eram pequenas. Não estava mais fedendo, foram alucinações dos sentidos, mas ainda assim jogou as roupas num canto.

Voltou para a cama abriu a mochila. Encontrou um pequeno saco plástico todo bem embrulhado e de lá tirou dois comprimidos intocados. Guardava um pra sí e um pra outra pessoa mas não tinha com quem tomar. Na verdade ele nem nunca sequer tomou um daqueles, ele tinha comprado duas pastilhas de ecstasy simplesmente pra impressionar alguém. Pra impressionar ela, que nem pensava nele, mas que certamente gostaria de ficar com ele se descobríssem coisas em comum, como se divertir usando drogas, quase como forma artificial de fazer uma manutenção do seu relacionamento ele comprou a bala, mesmo sabendo que não tinha tanta vontade de tomar.

3:45
Quando olhou para a própria mão estava apertando uma das pastilhas. Guardou-a novamente dentro da sacolinha.Não queria tomar nada daquilo, as coisas já haviam voltado a ser como deveriam ser. Ele já estava razoavelmente ciente de que tinha sido apenas um pesadelo exagerado, talvez nem tivessem colocado nada na coca cola, talvez fosse só um exagero na imaginação. Enfim, estava prestes a dormir. Os dois comprimidos ele guardaria pra outra pessoa. Pra alguma pessoa que merecesse, e se essa pessoa realmente merecesse, de verdade de verdade, talvez ele nem precisasse mais usar um dos comprimidos para se sentir feliz, talvez ele se sentisse feliz em amassar com os dedos o comprimido e jogar tudo no lixo, porque para falar a verdade não era de uma viagem muito louca e divertida que ele estava precisado. Era de uma pessoa com quem contar de verdade.

6:22
Guardou as pastilhas e foi dormir.

SANGRE A CRIATURA ( PARTES 1 e 2 )

In Sem-categoria on Setembro 12, 2006 at 6:14 pm

SANGRE A CRIATURA ( PARTE A )

SANGRE A CRIATURA ( PARTE B )

Esta é apenas uma das obras dos Vatos Locos Productiones, uma produtora de Filmes Trash que existiu em Brasília a partir de 1999 até 2004. Foram produzidos dezenas de Trash Movies, suficientes para lotar 3 dvds, este é um dos clássicos, reeditado, o nome original do filme era A CRIATURA 3, pois era o terceiro filme da trilogia que já havia se iniciado anos antes da fundação da VATOS LOCOS PRODUCTIONES.
Encontre outros de nossos filmes no seguinte endereço:
http://www.youtube.com/profile?user=Cineasta81

Noventa e Nove Problemas

In Sem-categoria on Setembro 9, 2006 at 6:17 pm


Como dizem, as mulheres começam a pensar em namoro e em assuntos românticos antes dos homens, então elas acabam (em muitos casos) sendo iniciadas nesse mundo com um cara que é mais experiente que elas. Como é a primeira vez, ela se apaixona mas logo quebra a cara e fica triste, e isso se repete algumas vezes até que ela perde sua inocência e começa a sentir raiva e descrença em relação aos homens.
Aí nesse período o Homem da mesma idade está começando, ainda um pouco inocente, a se relacionar com as mulheres, mas as mulheres já estão mais experientes e desacreditadas do homem, usando disso é a vez delas de deixar o homem inocente sofrer, o Homem aprende com a vida que se ele não for cachorro as mulheres vão pisar em cima dele, ele aprende que se for bonzinho vai se apaixonar pelas mulheres e quando elas perceberem que ele está apaixonado vão aproveitar para pisar em cima. Então, percebendo isso após ter sofrido uma, duas ou três vezes por causa de mulher o homem aprende a ser cachorro, e aí é a vez dele de introduzir a próxima mulher inocente dentro deste ciclo de relacionamentos nada saudáveis com os quais nós nos acostumamos a viver.

Pode parecer estranho mas ser cachorro tem a ver com ser macaco velho. Quanto mais experiente se torna, quanto mais velho fica o macaco, mais cachorro (ou cadela) vai se tornando.

A questão “Ovo ou galinha” caberia neste contexto, mas seria descabido me estender mais tentando explicar um simples assunto, o de que, de acordo com a teoria de um amigo, O ser humano é repetição, mas a minha teoria é que este círculo humano, este fluxo aparentemente infindável, entre cada rodada recebe um pequeno toque do tempo e da evolução e está se tornando cada vez menos cheio de falhas e mais perfeito, acredito que dentro de um tempo estes problemas deixarão de existir.

A despeito disso (estou começando a gostar dessa expressão), gostaria de indicar uma boa música aos velhos macacos.
Jay Z
“I´ve got 99 problems But A Bitch Ain´t One”

www.markromanek.com

A carreira do bom aluno

In ficção on Setembro 8, 2006 at 3:37 pm


Comecei cedo com minha carreira.
Hoje eu vendo Bíblias, na escola eu vendia revistas playboy. Lembro bem do dia em que levei algumas revistas para vender e estava fazendo meu marketing lá na sala anunciando meus produtos aos maiores punheteiros, mas algum espírito de porco acabou descobrindo o material ilícito na minha mochila, ele esperou que eu saísse para o intervalo, no qual eu sempre demorava pois ficava jogando basquete e acabava me atrasando.
O que aconteceu é que durante o tempo em que eu estava lá no intervalo jogando basquete um maldito pegou as revistas da minha mochila e espalhou pela sala, os pôsteres abertos, mulheres peladas com seus belos corpos amostra numa sala de aula da oitava série (ano este inclusive que eu me lembro de ter sido reprovado), o que aconteceu meus caros amigos, é que eu entrei na sala e observando aquelas obscenidades na parede fiquei logo nervoso. Todos riam da minha cara ao entrar e descobrir meus produtos expostos, comecei a recolher as revistas e guarda-las na minha mochila, mas a professora chegou a tempo de ver o conteúdo das mesmas e imediatamente me mandou para a direção, eu tentei explicar que não fui eu quem havia aberto as revistas mas ela não ouviu, “Já para a direção”.
Na direção esperei um longo tempo até falar com a diretora, na época eu aguentava muitas ofensas calado e o que aconteceu é que ela me ofendeu gravemente ao dizer que eu levaria uma suspensão de três dias para pensar melhor. Ela argumentou que não estava me suspendendo pelo conteúdo das revistas, mas sim por estar “VENDENDO” em sala, o que era terminantemente proibido de acordo com o manual do bom aluno. Coisa que eu nunca fui.

Verborragia sagaz de um Sequaz Além Terra

In ficção on Setembro 6, 2006 at 9:03 pm

Infelizmente digo coisas sobre as quais não posso me responsabilizar, as palavras despejadas em jorros gulturais são emulsões descontroladas e a mim não pertencem, a sagacidade verbal nunca é lisongeira mas o emissor sente-se privilegiado de ser o escolhido sagaz, só deve tomar precaução para não se deixar levar pela vaidade e arrogância, penduricalhos comumente associados a esta habilidade nata. É uma pena que muitos dos que lêem o que há de escrito ou que ouvem o que há de ser dito por um sequaz além terra, que é apenas um outro nome para os donos da sagacidade verborrágica (assim como Shakespeare foi um dia, porém com muito mais mérito e estilo do que qualquer um de nós), sentem-se ofendidos, mas a ofensa é parte integrante das palavras dirigidas a alguém pois se alguém sente-se bem com algo que foi dito sempre haverá outrem para desdizer-lhe ou simplesmente para sentir um mal estar com as mesmas palavras, soem como soem, signifiquem o que signifiquem, propaguem-se como houverem de se propagar, sempre haverá a eterna antítese, qualidade naturalmente humana, impossível de se extirpar.
Já não posso dizer que sou o único de minha época possuidor deste dom, que muitas vezes não é um dom mas uma maldição visto que o dono desta habilidade não é dono de seus pensamentos de forma que está aberto para a nuvem de idéias que não pertencem a sua mente, tudo o que lhe pertence é seu estilo, a forma como ele expressa as idéias, a individualidade é um pertence seu e instrasferível, os pensamentos por outro lado não são propriedades de ninguém, não são como terra que pode ser limitada, não são como dinheiro que pode ser dividido, não são como posses que podem ser tomadas, sua mente é apenas catalisadora das informações abstratas que vagam pelo cosmo, organiza em sequência lógica os pensamentos desconexos que lhe surgem a princípio como sensações que são causadas sempre por eventos exteriores que são responsáveis pelo balançar da folha espiritual, e que segundo a teoria do caos há de se propagar e este farfalhar torna-se um turbilhão mental que desencadeia a verborragia sagaz.
Grand Master Flash, Fela Kuti, Chico Science e toda a nação zumbi, eu tenho certeza eles já foram sagazes um dia!

(OS DOIS ELEMENTOS DE UM CONJUNTO VAZIO)

In Sem-categoria on Setembro 5, 2006 at 1:18 am

Uma visão lançada sobre os relacionamentos superficiais de São Paulo

CENA 1 – EXT. – DIA – PONTE DA VERGUEIRO
SUJEITO está olhando os carros passarem em uma movimentada Avenida de São Paulo.

CENA 2 – EXT. – NOITE – PONTE DA VERGUEIRO
SUJEITO ainda olhando os carros passarem na movimentada avenida. Seus olhos são profundos pelas olheiras.

SUJEITO vira-se de costas para a avenida e fica observando as mulheres passando.

MARIA caminha, traz consigo livros debaixo do braço, cabelo preso, recatada, saia longa colada no corpo até abaixo do joelho, blusa justa com gola até o pescoço.

SUJEITO apenas olha para MARIA. Ela desvia o olhar virando-se para o outro lado da pista. Ela passa direto por ele. SUJEITO começa a andar, seguindo-a.

Ele chega do lado dela, MARIA apressa o passo.

SUJEITO fica para trás, mas ainda seguindo-a.

CENA 3 – EXT. – NOITE – RUA 1

MARIA anda por vários lugares da cidade, vez ou outra vira para trás e SUJEITO ainda está por lá.

MARIA vê um boteco logo à frente. Ela entra.

CENA 4 – INT. – NOITE – BOTECO

MARIA passa por dentro do boteco apressada. Vários olhares se voltam para ela. Ela entra direto para o banheiro feminino.

SUJEITO fica na porta do boteco esperando, olha para as pessoas bebendo dentro do boteco.

Um BÊBADO sai do boteco esbarrando em SUJEITO. O BÊBADO vira-se ficando de frente para SUJEITO e o hálito do BÊBADO faz o rosto de SUJEITO se franzir. SUJEITO o empurra.

MARIA demora para sair. SUJEITO entra no boteco e vai direto para o banheiro feminino.

CENA 5 – INT. – NOITE – BANHEIRO DO BOTECO

No apertado banheiro feminino SUJEITO bate na porta das mulheres. MARIA, dentro do banheiro está sentada com a tampa da latrina fechada. Os livros estão sobre o colo. SUJEITO bate e MARIA confere os pés dele por debaixo da porta.

SUJEITO se abaixa e estica a mão por debaixo da porta. Faz carinho no tornozelo dela. MARIA tira o tornozelo rapidamente. MARIA levanta-se e dá descarga. Abre e fecha a tampa da latrina como se a estivesse fechando.

MARIA abre a porta do banheiro. SUJEITO entra no banheiro junto com MARIA e bloqueia a porta com os braços.

MARIA coloca os livros sobre o vaso e empurra sujeito para que ele saia do caminho. SUJEITO não sai. MARIA vira-se de costas para SUJEITO encostando a bunda no quadril dele, MARIA pega os livros sobre a tampa da latrina.

SUJEITO acaricia a partir do cox de MARIA levantando sua roupa, a mão dele passeia pela coluna nua de MARIA e descobre uma pinta.

O quadril de SUJEITO circula na bunda de MARIA. MARIA fica olhando para os livros por alguns segundos.

MARIA desencosta a bunda do quadril de SUJEITO e o empurra para frente passando por ele. SUJEITO, encostado na parede do banheiro fica olhando enquanto MARIA passa por ele.

MARIA sai do banheiro apressada. SUJEITO fica encostado na parede esperando-a sair e depois sai atrás dela.

CENA 6 – INT. – NOITE – BOTECO

MARIA sai do boteco. SUJEITO sai alguns segundos após.

CENA 7 – EXT. – NOITE – RUA 2

MARIA anda pela rua apressada, olha vez ou outra para traz. SUJEITO vem junto.

MARIA chega numa parada de ônibus que está vazia e se senta. SUJEITO chega do lado dela e senta-se também.

SUJEITO pega um dos livros de MARIA. MARIA tenta puxar o livro, mas SUJEITO puxa e fica com o livro. SUJEITO folheia o livro.

MARIA fica olhando para frente. SUJEITO coloca o livro no colo dela e mantem a mão sobre o livro. MARIA tenta tirar a mão dele. SUJEITO segura por cima da mão de MARIA. Utilizando a mão dela própria, SUJEITO acaricia a perna de MARIA. MARIA tenta resistir mas desiste. SUJEITO acaricia o ventre de MARIA com a mão dela.

SUJEITO começa a tentar beija-la. MARIA recusa os beijos virando o rosto. SUJEITO começa a acariciar os seios de MARIA. Ela fica parada como se não sentisse nada.

MARIA coloca a mão sobre o colo de SUJEITO e começa a masturbar SUJEITO por cima da calça.

SUJEITO goza, molha a calça.

O ônibus vem chegando. SUJEITO tenta beijar MARIA. MARIA não se deixa beijar. MARIA segura com os dedos pelo queixo de sujeito, ficando face a face com ele.

MARIA passa a mão na calça molhada de SUJEITO. MARIA cospe na boca de SUJEITO.

MARIA se levanta e entra no ônibus.

CENA 8 – INT. – NOITE – ÔNIBUS

MARIA senta-se dentro do ônibus e não olha para trás. SUJEITO está na parada com a calça molhada e a boca cuspida olhando para ela. Ele limpa o rosto com a mão.

O ônibus parte. MARIA vai sem olhar para trás deixando sujeito sozinho.

MARIA tira da bolsa e coloca de volta a aliança no dedo.

Música do dia:
Too Drunk to Fuck – Nouvelle Vague

A visão do Super 8

In Sem-categoria on Setembro 4, 2006 at 6:37 pm

Ontem deitei cansado. Estava exausto, as piores coisas que podiam acontecer naquela noite aconteceram, me pareceu que aquele seria o primeiro de uma série de dias péssimos.

A noite me acolheu carinhosa e me deu bons sonhos, sonhei que estava em um concerto de três instrumentos, havia um contra baixo, um violino e outro instrumento que eu não consigo distinguir. Os três instrumentos começaram a executar a música e eu podia enxergar as notas se entrelaçando, compondo a melodia, o baixo nos intervalos pares e o violino agudo nos intervalos ímpares construia de forma magnífica um pequeno castelo nos meus ouvidos. O homem que tocava o violino era muito engraçado, quase um palhaço sem nariz vermelho, porque o homem que tocava o contrabaixo era um tanto esquecido e nos momentos da música que ele não precisava tocar ele ficava quase dormindo, pendurando a cabeça, e então o homem do violino se aproximava dele e lhe cutucava, ou lhe acertava um chutinho indicando a ele que era tempo de entrar na música, de continuar o som que estavam construindo. O baixo nos intervalos pares e o violino nos intervalos ímpares, formavam juntos uma harmonia única que compunha a música que é impossível de ser descrita na linguagem de que se compõe o alfabeto, portanto cabe às suas imaginações comporem a música de cada uma das suas cabeças pois esta outra linguagem do som eu ainda não dominei.

Acordei na manhã seguinte, apesar do frio não havia solidão. Apesar da tristeza da noite passada, na manhã seguinte so me sobrava o vigor e o alívio de ter vivido um sonho após o breve pesadelo dos momentos em que estive acordado há muitas horas atrás. Na noite passada os olhos relutavam para não chorar, na manhã de hoje eles estavam semi cerrados enxergando as frestas de luz penetrando pela janela de meu quarto iluminando levemente os objetos do meu quarto de solteiro.

Tive a nítida impressão de que meus olhos eram uma antiga câmera super 8mm. O desfoque, a textura da imagem, tudo isso se parecia com uma imagem feita por uma dessas antigas câmeras. Foi quando tive o insight de que a câmera de super 8 é equivalente a imagem que temos ao acordarmos de um sonho bom pela manhã.

Música de hoje:
Everlong – Foo Fighters
Clipe de Michel Gondry

beauté de Français

In Sem-categoria on Setembro 3, 2006 at 12:35 am


La vie
est beauté
merde

O mar e o amor

In ficção on Setembro 2, 2006 at 2:39 am

Amor bom é como morar perto do mar. Você pode ir a praia quando quiser mas não precisa estar lá o tempo todo, mesmo de longe poderá saber que as ondas permanecem chicoteando a areia.

Ouço meu coração. Quantas batidas esse guerreiro ainda aguenta? No silêncio da cama quente vibra desde o dedão até a ponta da cabeça. Aguenta firme, velho sofredor, porque ainda resta corda pela frente.

Às três da madrugada, o notepad ofusca os olhos sob as olheiras refletidas num caco de espelho. A barba mal feita e a pele já esboça as verrugas da idade. O insone tem a mente agitada, lhe rouba a juventude.

Às pessoas que cruzaram a minha vida, um brinde! Aos que ainda estão nela, um abraço.

São quase como hai kais
Os poemas inspirados
Em sentimentos reais