Gustavo

Posts de Agosto, 2006

Coisas Descosturadas

In ficção on Agosto 31, 2006 at 11:16 pm


Na estação de metrô Brigadeiro trabalha toda uma família. O segurança é irmão do cobrador de passagens que por sua vez é filho do responsável pela gerência que é casado com a encarregada pela manutenção. É uma família de cabelos claros, louros. Há uma garata negra que trabalha no outro guichê, ela é filha adotiva.


Não entendo as mulheres. Talvez as únicas mulheres que eu entenda nesse mundo sejam a minha mãe e a minha avó. Eu consigo olhar pra elas e dizer se estão tristes ou felizes, se estão cansadas ou tranquilas. Posso dizer um monte de coisas só de olhar pra uma delas. Já a minha irmã, por exemplo, quando pequeno e via um programa na TV eu ficava observando a reação dela, eu nunca sabia dizer se ela tinha gostado ou odiado. É um completo mistério. Se elas não me dizem o que estão pensando não sou eu o mais indicado a advinhar o que se passa.


A dor de cabeça é uma coisa que vem com a poluição e o barulho. Você sai de casa, numa boa, andando sempre com um pé atrás do outro do mesmo jeito que faz em qualquer outro dia, aí vem um abusado e buzina por buzinar, muitas vezes sem motivo, dez milhões de outros abusados acham que tem o direito de espirrar fumaça pelos fundilhos (do carro). É por isso que eu pego ônibus, metrô, ando a pé ou de bicicleta, não quero causar nos outros uma baita dor de cabeça.


A felicidade e a tristeza são coisas que nós criamos. Não existem tais conceitos na natureza, um coelho não é feliz ou triste, ele é só um coelho e tudo o que tem a fazer é pular, talvez imitando um canguru, se é que ele já viu um. Um coelho é assim porque ele faz o que tem que fazer, pular. Quem faz o que tem que fazer está tranquilo, não chamo isso de felicidade, nem o contrário de tristeza porque tais conceitos são invenções. Mas se você quiser dizer que existe felicidade então eu vou te dizer uma coisa, só é triste quem não faz o que nasceu pra fazer.

Cineasta 81

In Sem-categoria on Agosto 31, 2006 at 10:57 pm

Cineasta 81

Hoje não tem biscoito

In Sem-categoria on Agosto 29, 2006 at 9:24 pm

Cai fora.

Ainda não é a hora de dormir

In ficção on Agosto 26, 2006 at 1:19 am


A primeira hora depois de acordado é o leme do dia, e o dia foi uma luta que deu lugar a uma tarde pesada, os quilômetros de vento em cima dos meus ombros pesaram pedregulhos e as pálpebras, ah as pálpebras, estas me caiam como se amarradas por pedras ou amarradas em meus sapatos e a cada passo um dos olhos era forçado a se fechar. Imagine então qual não foi minha tarde quando me dei conta de que precisava atravessa-la incólume pelas forças de Morfeu, não podia ceder ao sono. Resistir até o momento final para dormir no horário certo, se dormisse enquanto a tarde ainda se sustenia seria um erro fatal que me levaria a encontrar o dia seguinte em desnudo na plenitude da madrugada, eu não gosto de encontrar o dia no momento em que ele está mais frágil, o período da concepção do dia, de seu nascimento, é a madrugada, deve-se respeitar esse momento com a mais sagrada das orações, a oração do sono.
Aguardo a minha cama ansioso, pelo momento em que poderei parar de lutar contra o sono para enfim obedece-lo numa queda para a noite que num abraço vigoroso me adormece.

Os saudáveis hábitos Neoístas (Sem saudosismo)

In Sem-categoria on Agosto 25, 2006 at 4:51 pm

É um hábito comum entre os neoístas lamber os dedos do cozinheiro que lhes prepara a refeição. É, antes de tudo, um gesto de educação e de respeito em relação aquele que vai lhes preparar a comida, pois de acordo com a cultura neoísta a saliva é sagrada e limpa o objeto de todas as máculas pecaminosas.

Ao contrário do que se pensa o hábito de cuspir nos idosos não é neoísta, conforme é creditado em muitos livros sobre o assunto, este hábito pertence apenas as sociedades em que ainda reside a vertente do neoísmo brando. Cuspir nos idosos não é um ato ofensivo na cultura neoísta branda, é um ato de carinho e de purificação. A saliva é coletada pelo idoso alvo da cusparada, e espalhada com a mão pela região atingida, ou então é levada até alguma região dolorida ou que tenha problemas de saúde para purificação.

Os membros do capitalismo doutrinario tem uma desavença de relações com os neoístas brandos devido ao fato do uso e desuso de roupas tradicionais que marcaram as festividades religiosas, aquele que se opõe a toda é qualquer é merecidamente expulso ou excomungado de acordo com as punições legais mas não há uma ofensa maior que um tratante do mesmo clã pode executar se estiver com a roupagem adequada, desde que, não pertença ao clão oposto, se houver uma ambiguidade a questão é resolvida num antigo jogo criado dentre eles que se chama cara ou coroa, o cara ou coroa é uma disputa que pode envolver até dois lados, a disputa exige uma moeda que tenha estes dois lados no máximo, se houver mais lados favor mudar as regras, caso contrário permaneçam como estão, e a moeda é arremessada para o alto de forma que quando atingir o chão no primeiro clique tilitarte-á até o ponto onde finalmente parará para exigir um vencedor, as regras para que o vencedor descubra se ganhou ou não são mais simples do que se vem explicando em complicados manuais com o objetivo de esclarecimento, estas regras consistem no fato de que um dos lados da disputa precisa escolher um dos lados da moeda e este lado corresponderá a sua vitória caso caia virado para cima ou corresponderá a sua derrota caso caia virado para baixo, cada lado de um moeda tem um nome específico que lhe corresponde e estes nomes são divididos em duas categorias: Cara ou Coroa, o lado que se autodenomina cara é caracterizado por um rosto ou cara de um rei ou de um presidente ou da pessoa em questão que está com seu rosto estampado em relevo na moeda, esta pessoa geralmente tem proporções importantes dentro do círculo dos afamados históricos na sociedade em questão, afinal moedas podem existir em qualquer sociedade, por este mesmo motivo faço questão de afirmar que a sociedade é “em questão” pois poderiamos estar falando de qualquer sociedade. O lado autodenominado coroa corresponde ao lado da moeda correspondente ao valor que lhe é atribuído, repare que moedas podem ter diferentes valores, depende, obviamente da sociedade em questão que como eu já citei anteriormente não posso especificar uma sociedade qualquer pois moedas existem em quaisquer sociedades que se possa pensar com excessão de algumas que não tem moedas ou sistemas monetários, e creio eu que não devo escolher a moeda de uma determinada sociedade a fim de não desmerecer outras sociedades que poderiam se sentir enciumadas com a minha escolha, longe de mim causar ciúme as sociedades, prefiro que elas fiquem como estão em seu mais perfeito estado de paz e segurança, o ciúme de uma sociedade é algo com o qual não se deve nem brincar e já que isso me pareceu uma leve brincadeira com sutis toques sensuais de ironia creio que o meu desejo neste exato instante em que escrevo esTa letra é o de apagar a minha brincadeira em questão, que eu faço questão de enfatizar a brincadeira EM QUESTÃO pois não foi qualquer brincadeira foi uma brincadeira em questão dentro do contexto no qual nos encontramos, mais especificamente no texto no qual estamos algumas palavras retrocedendo para trás, um infortúnio tremendo eu ter dito retrocedendo para trás pois esta redundância fá-lo-eis perceber o quão pobre é a minha capacidade de discernimento frente aos fatos, mas sou bem muito bem, capaz de olhar para uma moeda e discernir que o cara tem uma cara e o coroa tem um número, ah se sou e ai de quem duvidar!

Recado do Anunciante:
Não caia nas armadilhas do desuso! Utilize camisinhas recicláveis Chel, dando a você a chance de uma nova gozada.

Frase de pára-choque do dia:
Confie em mim, eu sou um doce.
Adoro ser chupado.

Impaciência

In ficção on Agosto 24, 2006 at 12:20 am

A impaciência não só me persegue, mas me custa.
Me persegue nos dias que precedem as noites (de insônia).
Me custa as pessoas por quem sinto apreço.

A impaciência me faz ser impulsivo e ignorante.
Uma ação as cegas e estou acabado.
Ignoro todo o bom senso do qual fui dotado.

Eu sou famoso

In ficção on Agosto 17, 2006 at 6:39 pm

Eu sou famoso e você provavelmente me conhece. Ser famoso é um luxo para poucos, a fama equivale ao sangue azul, a fama é necessidade social de alguma forma de aristocracia, e Aristocracia vem do Grego “Aristos”, superlativo de “Agathós” [‘bom’], quer dizer os melhores dentre todos. As pessoas gostam de olhar pro céu e ver as estrelas, isso faz com que sintam seus pés no chão.

Num dia qualquer, eu me dirigia para casa e veio um sujeito até mim, olhando nos meus olhos pediu uma informação. Estávamos em frente ao prédio dos estúdios colossais onde trabalho quase todos os dias. Ele com certeza me reconheceu, você me reconheceria se me visse, afinal, eu sou famoso.

Ele me perguntou:
__Amigo. Você que trabalha aí, pode me dizer para quem eu envio este roteiro? Eu escrevi isso, mas não quero enviar se não for para a pessoa certa e quero ter a certeza de que vai ser lido. Imagino que você deve conhecer a pessoa certa.

É claro que eu conhecia a pessoa certa. Eu conheço todas as pessoas certas. Não convivo entre os medíocres, sou uma bóia que pratica nado de barriga entre a nata glamourosa.
Ele parece impaciente e estava prestes a sair, eu estupefato, por não ter me pedido autógrafo nem ter feito nenhuma pergunta ridícula, como costumam fazer os fãs.

__Vem cá. Qual é seu nome? – Perguntei, sob a suspeita que debaixo daquele cabelo feio residia uma cuca fabulosa.
__Eu posso te fazer uma pergunta primeiro?

Pronto! Lá vem. Eu sabia que ele ia estragar tudo. Os bons estão todos do lado de dentro, este sujeito vai estragar a minha expectativa com uma pergunta medíocre, reflexo da existência inútil que ele insiste em perdurar.

__Como você agüenta essa vida?
__Que vida? – Admito que a pergunta me deixou confuso.
__A vida de famoso ora bolas!
__Como eu agüento? Eu agüento sorrindo!
__É exatamente disso que falo. Você precisa sorrir mesmo sabendo que as pessoas não estão realmente falando com você. Enquanto falam contigo, pensam na maravilha que é poder falar com você. A verdade é que você não conversa com ninguém, apenas é alvo de uma atenção completamente artificial com a qual os fãs são ilusórios, você cria uma sensação de si próprio como sendo importante pelo fato de que tem todas as atenções e isso bagunça toda a sua espiritualidade. A minha pergunta é como você suporta ser famoso sabendo que os fãs controlam sua mente e sua alma. Afinal, se não fosse por eles quem você seria? Você não é ninguém sem os seus fãs, eles pelo contrário seriam pessoas muito melhores se você não existisse, pois nesse caso estariam se preocupando com coisas bem mais úteis do que verificar fofocas em revistas ou na internet sobre o que você anda fazendo. Quando um fã acaba de falar com você ele não está mais pensando em você, ele está pensando no fato de “como foi bom falar com ele!”. Veja bem, eles pensam em você em terceira pessoa, não existe intimidade. Você não acrescenta nada ao mundo deles, apenas uma excitação pueril. Eles vão usar este momento “mágico”que tiveram ao seu lado como forma de se gabar para as outras pessoas. O que importa é o status que estar ao seu lado proporciona. A fama que você exala é mais importante do que você próprio. Os fãs param ao seu lado para tirar fotos ou pedir autógrafos por um motivo, roubam assim o brilho que eles acreditam existir em você. A cada clique fotográfico, a cada letra de sua rubrica num pedaço de guardanapo improvisado e a cada sorriso tolo você está mais banalizado. O mais iludido no final das contas não é o fã por acreditar que o ídolo é especial, é o ídolo por acreditar em si próprio como Deus. Os fãs consomem, o ídolo é consumido. Como você consegue manter-se vivo sabendo que para todos você não passa de um símbolo, não é uma alma, mas uma marca? Como consegue?

Como não houve resposta da minha parte ele foi embora carregando seu roteiro na mão.

O único e eficaz blefe de Josias (1)

In ficção on Agosto 16, 2006 at 3:13 am

(Parte 1 de 8)

Josias nunca foi muito bom em administrar recursos nem em manter próximas as pessoas. Sua mãe o aconselhou mesmo depois de adulto, mas ele insistia em não aprender, não é que faltasse entendimento, faltava vontade. No interior de São Paulo, onde vivia, seus trabalhos eram manuais e pesados, passava dias na colheita, dias nas construções, cada vez um trabalho diferente, mas para falar a verdade ele não era muito de trabalhar. E sua mãe insistia que homem de bem é trabalhador. Josias nunca esteve muito preocupado em ser homem de bem, nunca esteve muito preocupado em ser coisa nenhuma nessa vida. Não se pode dizer que estava contente com sua condição, mas também não estava descontente, estava simplesmente levando o que tinha que levar, quase que como uma dessas coisas que já que não tem jeito a gente leva de qualquer jeito.

Josias conheceu Rosa, uma moça de boa procedência, não era lá a moça mais bonita da cidade mas no dia em que ela dançou com Josias numa quermesse não demorou muito para que as coisas acontecessem. Josias não fez força nenhuma, as coisas simplesmente aconteceram e dentro de dois meses, mais por vontade dela do que pela vontade dele, acabaram se noivando.

Quando estavam prestes a se casar, e isso já era quase um ano depois, Rosa já estava conhecendo bem quem era o tal Josias, sujeito lento, satisfeito com o que a vida lhe provinha, não tinha nada demais, era um zero a esquerda que tinha dado uma certa sorte na vida, pois não fazia força pra conseguir nada, mesmo assim conseguia algumas coisas na pura sorte ou sabe-se lá como. Josias não se esforçava nem pra comprar um presente para o dia dos namorados, nem muito menos para trabalhar e deixar de receber a mesada da mãe dele.

(continua…)

Da necessidade de arejar-se

In ficção on Agosto 6, 2006 at 1:43 am

__Fê, Tô saindo.
__Tá saindo? Vai me deixar aqui sozinha? E eu como é que fico?
__Você fica cuidando dela ué! Ontem você saiu, hoje é minha vez!
__Eu sei droga. Mas você é homem. Você dá conta se tiver algum problema.
__Que problema? Você fez tudo certinho né? Trancou a porta, fechou com cadeado, colocou o pano pra tampar, fez tudo do jeito que sempre faz né?
__Fiz, claro, mas e se der alguma coisa errado? Não me garanto sozinha. Eu nunca fiquei sozinha aqui antes.
__Eu sei Fê, mas eu já to aqui há muito tempo. Chega! Me dá uma pausa, eu não to aguentando mais ficar enfurnado nesse cubículo 24 horas por dia cuidando dessa bosta.
__E por causa disso joga o abacaxi na minha mão é?
__Ontem você jogou na minha.
__Mas eu tenho medo…
__Tem medo de que? Quem manda aqui é você! Nós já ligamos, já fizemos a oferta, agora é só ficar tranquila, amanhã vamos ligar de novo pra saber a resposta deles.
__E se eles negarem… Vai piorar tudo.
__Olha ! Não se esquenta com os problemas de amanhã. Eles não vão negar. Garanto que eles tem coração e estão apavorados com a situação, eles não vão negar. Hoje vamos relaxar porque daqui há dois dias nós estaremos ricos e vamos poder voar pra bem longe daqui.
__Ahh. Não sei. To preocupada ainda.
__Fê! Não esquenta. Olha, me escuta, to saindo. Preciso arejar a cabeça, ando muito estressado ultimamente.
__E se ela sair de lá? E se ela tentar alguma gracinha?
__Ela não vai tentar nada. Mas se tentar é fácil. Pega a arma e atira nela porra! Tchau. Fui.

Vinheta para a MTV (nova)

In Sem-categoria on Agosto 3, 2006 at 6:52 am

Em breve vamos ver se a MTV aceita minha vinheta.

Poema Minimalista Quase Hai Kai

In Sem-categoria on Agosto 2, 2006 at 11:49 pm

Exalo o resto do ar que me sobrou
Não te agrada a cerveja que eu tomei
Hoje não me desagrada desagradar você

O chão tá sobre os meus pés, não sobre os teus
Por isso essa calma não me assusta nem intimida
O sangue é consequência, a ferida sempre fecha

Um poema pra você
A saudade é pra mim
Um quem sabe pra nós dois

Ela estava agradecida

In ficção on Agosto 2, 2006 at 6:18 am

Eu não conseguia entender aquele sorriso ridículo no rosto dela. Tinha acabado de apanhar do namorado filha da puta e eu alí querendo proteger a desgraçada do canalha, mas ela não parecia triste nem desesperada, estava com um olhar mais misterioso que o da maldita Monalisa.

Não sei porque diabos venho me meter num problema desses, quanto mais você percebe que uma pessoa precisa de ajuda menos a pessoa quer ajuda e o pior, cospe na gratuidade do teu ato. Sim, foi um ato gratuito. Eu não estava interessado nela nem em nada que ela tinha, mas eu sabia que o canalha ia bater nela hoje.

Como eu sabia?

Ele joga sinuca no boteco em baixo do meu apartamento. É incrível como aquele pessoalzinho aguenta ficar lá dentro daquele forno bebendo cerveja, jogando sinuca e falando merda de manhã até a madrugada. Já perdí a conta de todas as vezes que essa corja me acordou com gritaria de briga ou discussão. De manhã geralmente o motivo da zona são piadas e gargalhadas eufóricas. Entre os risos dos bêbados (que a essa altura eu já considerava imbecis) estava o de um frequentador memorável, o namorado da garota. Ele punha chifres nela até não poder mais, mas no dia em que ela o transformou no unicórnio do bar ele não gargalhou como fazia todas as madrugadas.

Dos esbravejos, da cachaça e da raiva eu concluí uma coisa, que essa mistura não ia fazer bem. Se fosse só pro intestino desse canalha eu não estaria preocupado. O intestino dele é problema unicamente do vaso sanitário, mas bater na guria que me tirou da fossa e teve paciência de jó comigo na época em que eu tava com a cabeça sob o pé do diabo, não, ele não pode bater nela.

Foi por isso que depois de três meses sem nenhum contato eu fui bater na porta dela. Tadinha, quando ví o rosto estava todo cheio de hematomas, não estava chorando mas tava mais do que claro que tinha sofrido bastante. As coisas dela derrubadas pelo chão, eu tava disposto a fazer bom uso do meu taco de baseball, porque jogar baseball nunca foi meu forte, então eu iria derrubar uma cabeça.

Ela não quis que eu fosse atrás do sujeito, eu não precisava rachar o coco dele. Ela disse que finalmente tinha encontrado o homem que preenchia o coração dela. Ela disse ainda que precisava de alguém forte e que esse alguém era ele, o canalha. Não era exatamente da força dele que ela precisava, ela queria se livrar da responsabilidade de tomar decisões. Ela disse, ela disse, ela disse. Eu já to de saco cheio só de pensar em tudo o que ela me disse, aquela cara rocha já estava se tornando patética pra mim. Não esbravejei, afinal a paciência que ela teve comigo merece gratidão, mas eu tava vermelho. Paguei a gratidão calando meu bico. Estamos quites, já que ela quer assim.

Ela que foi tão forte e agora tava contente com o papel de mulher de malandro. Ele o ordenhador, e ela a vaca. Foi aí que eu entendí o que significava aquele sorriso cretino no rosto dela…

Ela tava agradecida!

O quadro em questão se chama Enigmatic Smile after a gunshot o nome da personagem do quadro é Monalisa Tarantino e foi desenhada por Leandro Mazetto