Gustavo

Archive for Maio 2006

In Sem-categoria on Maio 31, 2006 at 7:13 pm

Afinal, se não forem as bombas, é o cinismo que terminará por destruir nossa civilização.

Retirado de “http://pt.wikipedia.org/wiki/Stalker”

Pedra pela janela

In ficção on Maio 29, 2006 at 1:31 pm

Quem foi que apertou a minha campainha e saiu correndo ontem a noite?
Se pego esse moleque. Há duas semanas atrás tacaram uma pedra na minha janela, tinha um recado na pedra mas a letra era um garrancho de tão má caligrafia que não pude distinguir aquelas palavras de pinturas rupestres.
Retornei a pedra para o lugar de onde veio, na volta, coitada, acertei sem querer a cabeça de uma velhinha que passava na rua. Ví a coitada no chão já com ares de queixosa com a cabeça sangrando, reclamava que eu havia machucado sua pobre cabecinha.

Eu tentei explicar que havia sido sem querer que lhe acertei aquela pedra e ela me disse que eu não precisava mentir, mas depois foi ela quem se desculpou pois também disse que foi sem querer que ela havia acertado minha pobre janelinha.

O pobre roteirista pobre

In ficção on Maio 25, 2006 at 4:09 pm

Lacerdinha decidiu enveredar seus esforços em prol de buscar alguma verdade na escrita. Leu, escreveu e aprendeu até que por fim descobriu no cinema uma grande paixão. Tornou-se roteirista de cinema.

O que Lacerdinha não sabia é que cineasta é sinônimo de desempregado. Lacerdinha se viu numa pior, no fundo do poço, no fundo do buraco, auto estima corrompida, fundo do bolso esticado sendo que lá dentro, nem mesmo debaixo das teias de aranha haviam trocados pra comprar o pão do dia seguinte. Não tinha dinheiro para comprar papel higiênico e sentiu medo de chegar ao ponto de ter que limpar a bunda com os próprios roteiros.

Lacerdinha estava pobre, sem mulher, sem filme e sem dinheiro. Sua recente tristeza com a “escolha errada” lhe fazia pensar em sí mesmo como um estúpido, como alguém que quis viver sempre como um passarinho, pousando de galho em galho e sobrevivendo feliz preocupando apenas em catar alguns restos de comida para poder assobiar no dia seguinte. Lacerdinha lembrou da história de Waldécio, um colega seu que trabalhava no sexagésimo terceiro andar do edifício. Waldécio também gostava de viver como passarinho, vivia assobiando sempre feliz, fora no passado um artista mambembe, trabalhava em empregos diversos que não lhe podassem a liberdade. Waldécio só descobriu que não era passarinho quando, num dia de fossa e sem assobios, saltou do sexagésimo terceiro andar e não voou.

Lacerdinha, pobre e infeliz não queria terminar como Waldécio. Desistira de pensar em sí próprio como um passarinho, não queria voar, até mesmo porque isso de querer voar é pra quem não tem medo de altura.

Lacerdinha queria amadurecer, queria crescer, ser um adulto, chega de complexo de Peter Pan. Era hora de assumir seu lugar no mundo com qualidades e defeitos. Botar a cara a tapa. Numa certa madrugada olhou seu reflexo refletido num espelho enferrujado de seu quarto pequeno e sujo. Não queria ver a sí mesmo como um sujeito deprimido com a vida. Decidiu que não queria terminar a vida sem dinheiro pra comprar papel higiênico tendo que limpar a bunda com os próprios roteiros.

Calçou seu sapato e se assustou com a barata que saiu de dentro antes de ser esmagada, se não fosse por aquela meia lisinha ela teria virado creme.

Lacerdinha partiu. Foi buscar. Não se sabe exatamente para onde partiu, nem o que foi buscar, mas ele nunca mais voltou.

http://history.wisc.edu/sommerville/367/367images/von-ostade-beggar.jpg

Há três coisas que me fazem tremer…

In Sem-categoria on Maio 22, 2006 at 3:20 pm


Um futuro incerto
Uma mulher impaciente
E não estar preparado para a morte

A mulher e o gaitista tenebroso

In ficção on Maio 21, 2006 at 1:43 am

Há uma lenda de uma mulher que ansiava pelo orgasmo perfeito, para tal feito foi buscar isso lendo os anúncios do CONSERTA-SE GAITAS. Procurou o endereço e visitou o profissional da gaita no quadragésimo quarto andar do edifício tenaz.

Para o azar dela o consertador de gaitas não era gaitista, logo ele não foi capaz de executar a perícia da gaita entre as pernas da moça para lhe causar o orgasmo perfeito, porém ele deu a ela um endereço do melhor gaitista do mundo. No entanto ele a preveniu de que se ela pedisse ao gaitista tenebroso por tal favor sua alma seria o preço em troca do orgasmo.

O endereço não era tão distante e ela estava feliz por encontrar facilmente a casa do perito nas artes labiais, da língua e do sopra e puxa e etc. Era uma casa abandonada e lá dentro nada mais nada menos do que o próprio Satanás tocava sua gaita, os acordes sublimes hipnotizaram a moça e ela entrou na casa apesar do medo.

Esta mulher nunca mais foi vista mas pessoas costumam dizer que mesmo a casa estando vazia durante as noites é possível ouvir os gemidos de prazer daquela que foi condenada a passar a eternidade condenada ao inferno num orgasmo multiplo e infinito.

O Cão escorraçado

In ficção on Maio 19, 2006 at 4:13 pm

O cão escorraçado quando vê o amor se sente amedrontado. Um cão que já sofreu apanhou e foi maltratado e hoje eriça os pelos e arreganha os dentes para quem quer que se aproxime.

O Cão amedrontado perdeu a confiança e vai lhe morder a mão se não agir com cautela.

Para domesticar o cão amedrontado é preciso antes de tudo lhe oferecer comida, de longe, e aos poucos tentar uma aproximação. Se um carinho for tentado, será recebido com rosnados. Rosnados que na verdade consentem, mas que aos poucos cessará, timidamente.

É mesmo difícil cuidar de um cão amedrontado. É muito mais fácil enxotá-lo, escorraça-lo mais uma vez. Uma pedra na mão é garantia de que ele vai embora com o rabo entre as pernas. Mas acredite, o cão escurraçado, apesar de sua rabugice e aparente indocilidade só espera que o amor tenha uma mão que o acalente, que compreenda que ele pode ser melhor. Tudo o que é preciso é que esta mão acalentadora seja paciente.

AONDE ACHA QUE VAI?

In Sem-categoria on Maio 18, 2006 at 9:03 pm

Sou um diabo!
Um maldito bastardo!
Um pervertido moral e sexual!

Mas eu só quero o seu bem!

Ei. Não vai embora. Espere um pouco. Não levante dessa cadeira. Aonde está indo?

Sim. Eu fechei a porta.

Porque? Justamente porque imaginei que você iria fugir. Não precisa ficar assim, com essa expressão.

Decepção é um assunto seu. Quando eu abrir o armário com alguns de meus acessórios talvez você se anime. E não adianta ficar chutando a porta, não é titânio mas seu pé não é marreta e os dedois são peças extremamente frageis. Eu avisei. Não adianta gritar, ninguém vai escutar seu grito.

Na verdade não é que ninguém vai escutar mas as pessoas que estão lá fora sabem o que se passa aqui dentro e tenho que te dizer uma coisa… Elas não se importam. Não. Não são meus cumplices, são só indiferentes a mim e a tudo o que faço. Se você quer considerar isso como uma espécie de conivência então considere, o que você pensa não faz a mínima diferença.

Anjos e Artistas

In Sem-categoria on Maio 15, 2006 at 3:57 pm

Caros leitores, se algum fio de inteligência perdura em suas caixolas (e se me perdoam pela arrogância) incito a perguntarem a sí próprios “por que motivo os criadores criam?”.

Pois bem, estamos acordados sonhando vocês próprios. Nós, os artistas, costumávamos nos perguntar se nascemos no tempo certo ou se aqui estamos porque perduramos. A resposta é sim, nascemos no tempo certo, mas estamos no tempo errado. Nossas almas, como já disse, perduraram através das gerações e tivemos a oportunidade de enxergar a humanidade como enxergam os anjos.

E os anjos nada mais são do que artistas que terminaram seu ciclo e acordaram completamente do sonho da vida.

Àqueles que aqui estão, escrevemos, pintamos, filmamos e interpretamos afim de que vislumbrem a condição de sonhadores e observem que estão na verdade cavalgando sobre o tempo, confortados em berços que estão sendo vigiados por eles, os anjos e os artistas.

Eu não me adequo ao meu tempo

In Sem-categoria on Maio 3, 2006 at 5:07 pm

Eu não sei fazer nada que dá dinheiro.