
O rádio me acordou tocando Beat It do Michael Jackson como fazia todas as manhãs. Desde Thriller que eu já sabia que ele seria meu artista preferido pelo resto da vida. Qual não foi meu espanto quando tentei abrir os olhos e algo de imenso estava tampando meu olho esquerdo. Meu olho estava lá, mas algo o estava bloqueando. Minha primeira sensação foi de medo, mas me lembrei de uma outra vez, quando acordei sem sentir meu braço, ele estava mole, sem movimentos, eu o beliscava e não doia. Fiquei com tanto medo naquela manhã que quase chorei, depois os movimentos começaram a voltar e eu me toquei que haia dormido sobre o braço e o sangue ficara com a passagem obstruída. Mas o incomodo no olho parecia aumentar e então me levantei, sem nem sequer engolir um gole de água me olhei no espelho e lá estava um baita narigão que me brotava na face como uma raiz torta que brotara deformada. Estava monstruoso e repleto de veias esverdeadas que se alastravam por ele. Espalhava-se pelo meu rosto. Passei a mão levemente sobre a pele e o sentí pulsar e o inchaço aumentou, bloqueando desta vez meus dois olhos. Gritei, e como gritei, mas não parava de nascer, retorcer e contorcer como uma cobra em agonia ele crescia, do que se alimentava eu não sei mas devia ser de ar porque durante as horas que se seguiram seu tamanho se multiplicou tomando conta de todo meu apartamento. Os dias se passaram, eu já não conseguia mais me levantar, estava praticamente esmagado contra o chão e meu nariz protuberante torto como um galho já descia pelas janelas, derramando sua carne por toda a cidade que se alastrou pelas ruas, eu não me lembro de ter sentido fome alguma, nem muito menos dor. Do rádio ligado de meu apartamento eu ouvia os noticiários alertando sobre a imensa massa de carne que se espalhara por entre as ruas da cidade e que não parava de crescer. Ao menos servia de alimento para aqueles que não tinham o que comer, fiquei sabendo que algumas pessoas iam com facas e até serras para destacar grandes bifes de meu nariz gigante e alimentar suas famílias mas eu não me incomodei de forma alguma, apesar de ser o meu nariz que eles estavam comendo, não me faziam mal por que não me causavam dor.
A moral dessa história é que se alguma coisa vem para o bem, por mais que incomode, deixe-a crescer.



