Gustavo

Archive for Janeiro 2006

A verdade é tão óbvia que não pode ser vista

In Sem-categoria on Janeiro 27, 2006 at 4:56 am

Uma vez questionaram se existe realmente uma verdade absoluta. Para fins filosóficos eu acho que não porque a filosofia é uma doença que se alimenta de perguntas.

Mas eu creio que a VERDADE é tão óbvia que não pode ser vista. É como aquela história da pegada do tiranossauro Rex.

Alguém diz:
Veja uma pegada de tiranossauro Rex! Você olha e não vê nada. Se estivesse de avião perceberia que está dentro dela.

Distancia. Talvez essa seja a resposta.
E talvez o significado da vida seja estar dentro da verdade. E o significado da morte seja vislumbrar a verdade por completo.

É como um livro no qual os personagens viviam num mundo bidimensional. Eles não podiam ver nada além do bidimensional.
Certo dia apareceu uma forma muito estranha no mundo deles. Um círculo que aumentava e diminuia de tamanho e não parava. Ficava aumentando e diminuindo de tamanho.
Eles não sabiam, mas aquele CÍRCULO era na verdade uma ESFERA que estava quicando e a parte que ficava aumentando e diminuindo de tamanho era a única camada da esfera que eles eram capazes de observar em seu mundo bidimensional.

Nós vivemos num mundo tridimensional. Já discutem a existência de mais de 10 dimensões, mas nós não somos capazes de imaginar nem qual é a quarta e somos tão pretensiosos que queremos achar uma razão para nossas vidas buscando religiões ou ceticismo.

Se fossemos realmente sábios não nos apegariamos a tais besteiras, simplesmente observariamos da melhor forma possível sem julgar, sem tomar partidos com plena sabedoria que dentro de nossa condição ainda somos incapazes de vislumbrar a verdade, porque ela é tão óbvia que não pode ser vista.

No caminho pegamos o desvio

In ficção on Janeiro 23, 2006 at 4:46 pm

Estavamos voltando das férias, eu no banco de trás, como na época eu era muito pequeno ficava em pé no banco olhando para os carros indo e vindo.
No caminho meu pai resolveu pegar um atalho de terra e acabamos descobrindo uma praia nova que não conhecíamos. Resolvemos parar e depois até pensamos em ir embora mas não dava mais, era impossível, não conseguiamos sair daquele paraíso. Resolvemos ficar um dia, dois, três, e assim foi até o quinto dia.
É uma praia completamente deserta, no tempo em que estivemos lá não vimos uma pessoa sequer, mas o mais engraçado é que todo dia, depois que voltavamos da praia a mesa estava posta e farta. Não entendemos se alguém estava fazendo isso por nós, mas por algum motivo (que não é do nosso costume) nos aproveitamos dessa “comida grátis”.
Passamos cinco dias na praia deserta, mas como por lá o tempo passa mais devagar se passaram apenas 2 horas para o resto do mundo. Foi muito legal. Não me esqueço daquele dia.

Gato Zé

In ficção on Janeiro 23, 2006 at 2:50 am

Gato Zé
Escalava o muro da escolinha todo dia. Tinha um aluno que era louco para pega-lo e matratá-lo e era de praxe o gato Zé sair todo dia as pressas para não levar uma pedrada.
Uma vez o gato Zé comeu o lanche de um aluno e pegaram ele. Colocaram o Gato Zé dentro de um pequeno Canil onde dormia uma pitbull, a cachorra nem percebeu o Gato Zé porque ele foi muito rápido em fugir de lá. Gato Zé é esperto demais para aqueles trouxas. Tanto é que até hoje ele pula o muro da escola e devora os lanches das crianças incautas na hora do recreio e até hoje nunca levou uma pedrada. Nunca mesmo.

A INQUESTIONÁVEL PERFEIÇÃO DO MAIOR ASSALTO A JOALHERIAS JAMAIS REALIZADO

In ficção on Janeiro 12, 2006 at 7:19 pm

Se tudo não tivesse ocorrido como o planejado ele e seus capangas agora estariam presos.

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Conto participante do 12º Concurso Maldito

A NOITE

In Sem-categoria on Janeiro 11, 2006 at 5:12 pm

“Lá pelas oito vêm a noite, lá pela noite vem as oito. Seja onde for, onde quer que seja, às oito vem a noite, a noite vêm às oito”
- Ralph Wigum Almqvist
(Escritor e Etimologista Sueco)

Na maioria da línguas, como a nossa a palavra NOITE é uma mistura de “n” com o número oito, que por sua vez, quando escrito de lado significa “infinito”.

Ex: inglês: Night= “N”+eight
espanhol: Noche= “N”+ocho
francês: Nuit= “N”+huit
alemão: Nacht= “N”+acht
italiano: Notto= “N”+otto

O guardador de canetas de Cristal

In ficção on Janeiro 7, 2006 at 12:32 am

Bruno se sentiu culpado quando derrubou o guardador de canetas da diretora.

Ele já tinha sido mandado para aquela sala para ESPERAR QUIETO, mas no tempo em que passou sozinho não conseguiu se aguentar sem mecher nas coisas e o que mais chamou atenção foi aquele guardador de canetas caro que ela mantinha sobre a mesa, tão idiota que ele se sentiu quando derrubou e viu o troço redondo, e caríssimo, rolar sobre a mesa, parecia câmera lenta, estava muito lento, tão lento mas tão lento que dava pra prever exatamente onde iria cair, exatamente na falha do carpete, na parte do chão onde não era macio, mas ainda assim não dava tempo de deter a queda. Bruno bem que tentou mas caiu e se espalhou no chão em mil pedaços e um barulho que até a secretária da escola havia ouvido.
O mais engraçado de tudo, foi que quando a diretora entrou na sala, depois de mais alguns minutos de espera angustiante, ele estava com a cara das mais santas do mundo, agora teria que aguentar uma briga não só por ter enfiado a cara da professora no bolo de aniversário da Joana, sua coleguinha de sala que já tinha completado 9 anos.
Bruno era claramente um exemplo de aluno desajustado, não só porque era bagunceiro, mas convenhamos que um garoto de 19 anos não deveria mais estar na quarta série.

ASTERISCO

In ficção on Janeiro 2, 2006 at 12:58 am

Cabam!
Desabei da cama e nem sabia por onde começar o dia. Acordei amassado perguntando-me uma estranha pergunta de ordem existêncial:
__ASTERISCO ?
Sim, foi a minha primeira palavra naquela manhã. Após tomar meu copo de café apressado segui adiante, sabia que tinha alguma coisa de que precisava saber. A TV alertava ASTERISCO, ASTERISCO e eu alí perdido no medo me aturdia, suei, blasfemei, pequei comigo mesmo e até no banho eu me perguntava:
__ASTERISCO?
Saí de casa a procura de uma resposta, no caminho esbarrei em minha namorada. Veio me visitar. Eu descabelado e mal arrumado, ela tentou me segurar, eu retruquei:
__ASTERISCO?
O chão estava quente, o sol batia forte, meus pés descalços rachavam poeira. O vendedor de frutas me encontrou tentando roubar uma suculenta e macia pêra, ele me bateu com a vassoura e eu caí desgraçado no chão e completo pateta levantei num só passo e já repetí.
__ASTERISCO?
Claro que não. Não podia ter uma pergunta dessas num dia tão quente, claro que não podia ter isso como razão pra roubar uma fruta ou abordar uma pessoa na rua, mas eu não parava.
__ASTERISCO?
__ASTERISCO?
Quando cheguei na praia já estava escuro e então eu deitei na areia e me desliguei. Apesar da sede a água do mar me pareceu salgada e intragável demais quando bateu em meu rosto amarrotado pela manhã.
__ASTERISCO?
Nada me chamou tanta atenção quanto aquela visão. Estava defronte ao meu destino. Pulei no mar e não quis parar de nadar, segui adiante impressionado com o amanhecer. Foi o último e mais belo por do sol que eu já ví. Se é que em algum dia tive tempo de assistir algum pôr do sol, nunca fui muito de diversões baratas.
E antes do sol me ofuscar e das narinas afolgar tive tempo de me preocupar:
__ASTERISCO?